O violonista, guitarrista e compositor Delson Guimarães brinca que seu álbum de estreia, “Hermelética”, cujo show de lançamento ocupa o palco do Teatro de Bolso do Cine Theatro Brasil neste domingo (24/5), é como seus dois filhos, que não foram planejados.
Habituado a acompanhar outros músicos e integrar diferentes formações, ele diz que assumir o protagonismo agora e mostrar suas criações é resultado de um longo processo e das conexões que criou na cena instrumental mineira.
Leia Mais
O título “Hermelética” conjuga Hermeto Pascoal, uma de suas grandes influências, com hermenêutica, teoria da interpretação de textos. O álbum reúne 11 faixas compostas desde que Guimarães, conhecido no meio musical como Tio Delson, cursava música na Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), no final dos anos 2000. Ele conta que o álbum “foi acontecendo”, sem planejamento do processo ou vislumbre de que ele pudesse vir a existir.
“Esse trabalho foi nascendo devagar. Certa vez, Isac Jamba, baterista que toca na maior parte das faixas, amigo meu, ouviu uma e quis gravar. Levou para Nashville, onde está radicado, gravou, lançou e teve divulgação boa, há uns quatro ou cinco anos. Aí me deu o estalo de fazer um disco”, afirma. Outra composição dele, “Preguento”, foi gravada pelo acordeonista Toninho Ferragutti.
Diante desses estímulos, Guimarães procurou o produtor Filipe Glauss. Foi reunindo registros esparsos e, aos poucos, convidando parceiros para a execução das faixas.
“Às vezes acompanho amigos que, quando vão lançar disco, têm a ideia pronta, entram no estúdio com um grupo e gravam em determinado período de tempo. No caso do 'Hermelética' não foi assim. Não teve planejamento. Fui convidando colegas e pessoas de cujo trabalho eu gosto.”
Gabriel Grossi, gaitista de Brasília, participa da faixa 'Hermelética'
Um exemplo é o gaitista brasiliense Gabriel Grossi, que comparece na faixa-título. “Não tenho propriamente uma relação, mas sou fã do trabalho dele. Mandei e fiquei na expectativa, se aceitasse seria ótimo. Ele ouviu, gostou e topou gravar”, relembra.
Panorama mineiro
“Hermelética” é um panorama da música instrumental em Minas Gerais, com alguns convidados de outros estados. Eneias Xavier, Daniel Guedes, Luadson Constâncio, André “Limão” Queiroz, Levy Júnior, Aloizio Horta, Pedro Gomes, Adriano Campagnani, Marcus Júlios e Toninho Ferragutti, além de Isac Jamba e Gabriel Grossi, são alguns dos muitos nomes na ficha técnica.
Contando com diferentes formações, “Hermelética” não prima pela homogeneidade, mas tem identidade, com harmonias arrojadas, estruturas elaboradas e palatáveis, diz Delson Guimarães.
“As pessoas escutam e dizem que as faixas são muito distintas, mas, ao mesmo tempo, têm conexão, interação. É como se o disco contasse uma história”, observa, explicando que a hermenêutica do título se relaciona justamente com o desejo de oferecer um trabalho descomplicado para ouvidos leigos.
“A primeira coisa que me guiou foi a acessibilidade. Queria um álbum acessível, mas sem renunciar ao requinte. São músicas cantáveis, apesar de se tratar de trabalho instrumental”, ressalta.
Filha cantora
No show de lançamento, ele estará cercado por sete instrumentistas e três vocalistas, incluindo sua filha, Ana Caracol, que interpretará a única canção do roteiro, “Carolina”, que não está no disco. As outras duas, Thais Moreira e Clara Dias, fazem vocalises, respectivamente, em “Tale” e “Motivos”.
“A intenção é conectar melodicamente a pessoa que é leiga e não tem tanto conhecimento musical, mas vai achar o show acessível”, diz Delson Guimarães.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
DELSON GUIMARÃES
Show de lançamento do álbum “Hermelética”. Neste domingo (24/5), às 18h, no Teatro de Bolso do Cine Theatro Brasil (Praça Sete, Centro). Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia), à venda na plataforma Eventim.
