O rapper mineiro Djonga será homenageado nesta segunda-feira (11/5), às 19h, em reunião especial no plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. A iniciativa é da deputada Ana Paula Siqueira (PT), que propôs a homenagem em reconhecimento à trajetória do artista mineiro.
Conhecido por letras que abordam desigualdade social, racismo e identidade, Djonga consolidou-se como um dos principais nomes do hip hop nacional na última década.
Para a parlamentar, a homenagem simboliza não apenas o reconhecimento artístico, mas também um gesto político de valorização da população negra e periférica.
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A deputada afirma que o tributo ocorre em um contexto de avanço ainda lento da representatividade institucional. Segundo ela, Minas Gerais levou mais de três séculos para eleger uma mulher negra ao cargo de deputada estadual. “É um compromisso amplificar vozes historicamente silenciadas”, disse.
Na avaliação da deputada, a atuação de Djonga extrapola o campo musical. “Homenageá-lo é reconhecer uma trajetória que denuncia desigualdades e reafirma a importância da cultura como instrumento de transformação social”, afirmou.
Nascido Gustavo Pereira Marques, em Belo Horizonte, em 1994, o rapper surgiu na cena local por volta de 2015 e rapidamente ganhou projeção nacional. Criado entre bairros da região Leste da capital mineira e a região de Venda Nova, ele construiu uma obra marcada por referências à vivência periférica e à população negra urbana.
Com oito álbuns lançados, Djonga tem como trabalho mais recente “Quanto Mais Eu Como, Mais Fome Eu Sinto!”. O disco mantém a linha de crítica social presente em obras anteriores e inclui a faixa “Demoro a Dormir”, em parceria com Milton Nascimento.
Entre os principais títulos da carreira está “O Menino Que Queria Ser Deus” (2018), apontado por críticos como um dos discos mais relevantes daquele ano. Já “Histórias da Minha Área” (2020) rendeu ao artista certificação de disco de ouro e o tornou o primeiro brasileiro indicado ao BET Hip Hop Awards, premiação internacional dedicada à cultura negra.
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Em declarações recentes, o rapper relacionou suas conquistas às dificuldades enfrentadas ao longo da trajetória. Disse que resultados como os que alcançou são fruto de “quedas, frustrações e medos” e defendeu que avanços individuais podem abrir caminho para transformações coletivas.
