Em circulação pelo Brasil desde o início deste mês com a turnê de lançamento de seu novo álbum, “Oração ao tempo”, o cantor e compositor português António Zambujo aterrissa em Belo Horizonte para única apresentação, nesta sexta-feira (8/5), no Grande Teatro do Sesc Palladium.
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O roteiro do show prevê a execução na íntegra do disco, que contou com a participação especial de Caetano Veloso na faixa-título, de sua autoria, originalmente lançada no álbum “Cinema transcendental”, de 1979.
Disponibilizado nas plataformas em março passado, o novo trabalho de Zambujo, o 11º de sua carreira, traz 15 faixas, entre composições inéditas e parcerias com artistas como Maria do Rosário Pedreira, João Monge e Pedro da Silva Martins, além de nomes da nova geração da música portuguesa, como Carolina Deslandes, Mimi Froes e Rita Dias.
“Oração ao tempo” também reserva espaço para releituras de Tom Jobim e Torquato Neto, e é pontuado por poemas de Vinicius de Moraes, Amalia Bautista e João Paulo Esteves da Silva.
No show, Zambujo agrega a esse repertório canções pinçadas de outros álbuns de sua carreira. Ele conta que o embrião do novo disco remonta ao período da pandemia, mas que o conceito que o norteia – e que a faixa-título sintetiza – só veio com a proximidade de seu aniversário de 50 anos, em setembro do ano passado.
“Esse disco nasceu porque estou me sentindo velho. Com a chegada dos 50 anos, comecei a refletir sobre o tempo. Na pandemia eu já tinha começado a fazer umas músicas a esse respeito”, conta.
Sobre os compositores que assinam as faixas de “Oração ao tempo”, Zambujo diz que admira muito o trabalho de todos, independentemente da geração a que pertencem. “Na minha cabeça não tem isso de achar que é demasiado jovem ou demasiado velho. O que importa é ser uma linguagem que se aproxima da minha. Tenho encontrado pessoas de diferentes idades extremamente talentosas, a fazer música com a qual me identifico muito, por isso as convidei para participar desse processo. E tem gente que está comigo há mais tempo, com quem já fiz colaborações em muitos discos”, diz.
Uma das faixas, “Espera vã”, inaugura a parceria entre o cantor e compositor e seu filho, Diogo Zambujo. “Eu já tinha cantado uma música dele, mas só dele. Agora apresento essa nossa primeira parceria, com letra dele e música minha”, diz.
Íntegra do álbum
Zambujo diz que a lembrança da música de Caetano veio durante um jantar em sua casa. “Ela simplesmente me surgiu e achei que seria perfeito gravá-la, porque é uma ode e ao mesmo tempo uma reflexão sobre essa temática que guiou a feitura e a escolha das músicas”, pontua. Sobre incluir a íntegra do novo álbum no roteiro do show, ele diz que é a primeira vez que faz isso, mesmo ciente de que as plateias, no geral, tendem a ser mais receptivas a músicas que já conhecem.
“Me deu vontade de apresentar todas as músicas do disco. Tem que haver um equilíbrio, dar um pouco do que o público quer e mostrar também o que quero, tentando fazer isso de forma consciente”, comenta.
“A arte também é risco. Sei que meu público no Brasil gosta mais das músicas brasileiras que canto, mas acho importante mostrar coisas novas, de outros lugares”, diz. Com relação ao restante do repertório do show, ele diz que também buscou um equilíbrio entre o que gosta de cantar e o que as pessoas querem ouvir.
O mais desafiador, conforme aponta, é adequar tudo ao universo musical do disco. Tanto no álbum quanto no show, Zambujo é acompanhado por João Salcedo (piano), Bernardo Couto (guitarra portuguesa), João Moreira (trompete), Francisco Brito (baixo), José Conde (clarinete baixo) e André Santos (guitarra), que responde pelos arranjos.
Além de Belo Horizonte, a turnê brasileira inclui outras 11 cidades, que o cantor e compositor está percorrendo em um período de menos de um mês – ela se encerra no próximo dia 23.
Ritmo intenso
O ritmo intenso de shows – hoje (6/5) ele se apresenta em Porto Alegre, amanhã em Florianópolis e, depois de Belo Horizonte, no sábado, estará em Recife – soa contraditório com a temática do álbum, que trata, nas palavras do próprio artista, de “valorizar o tempo, aproveitá-lo, desacelerar e fazer as coisas devagar para fazer melhor”. Zambujo diz que o importante, numa situação como esta, é ter boas condições de descansar e não entrar num ritmo de pegar voos que vão implicar menos horas de sono.
“Eu me cuido fisicamente e minha forma de cantar é mais tranquila, não fico pulando no palco o tempo todo, então, mesmo com uma sequência de apresentações como a desta turnê brasileira, acho prazeroso, porque o que mais gosto de fazer é cantar e tocar”, afirma.
“O que há em torno disso é que, às vezes, é demandante. O que ajuda muito é saber dizer não. As coisas que exercem maior pressão sobre mim, tento fugir de algumas; outras são inevitáveis, como dar entrevistas”, diz.
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“ORAÇÃO AO TEMPO”
Show de António Zambujo, nesta sexta-feira (8/5), às 21h, no Grande Teatro do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1.046, Centro). Ingressos para a plateia 1 a R$ 300 (inteira) e R$ 150 (meia), plateia 2 a R$ 250 (inteira) e R$ 125 (meia) e plateia 3 a R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia)
