Quando, em janeiro deste ano, a Lei nº 25.750 instituiu a Semana Estadual do Audiovisual Mineiro Guilherme Fiuza Zenha, o gerente do Cine Humberto Mauro, Vitor Miranda, pensou em realizar o panorama da produção do estado. Esse desejo se concretiza agora, com a chegada à sala de cinema do Palácio das Artes, a partir desta quinta-feira (30/4), da mostra “Especial cinema mineiro contemporâneo”, que reúne 28 títulos, entre documentários, animações e filmes de ficção.

Todas as produções foram realizadas a partir de 2022, mas esse recorte temporal, com foco na contemporaneidade, só foi definido depois de outras possibilidades descartadas, conta Miranda. A primeira ideia foi retomar a mostra “Cinema mineiro em cartaz”, realizada há quatro anos, que propunha um resgate histórico, com clássicos e os primeiros longas produzidos em Minas que se encontravam preservados. Ele considerou, contudo, que isso seria redundante.

“Pensei em fazer um panorama atual e histórico, mas não fiquei feliz. Cogitei, depois, trabalhar com curtas, mas isso também não me empolgou. Aí veio a ideia de focar no cinema de longa-metragem feito aqui nos últimos anos, porque, no geral, são filmes que passaram poucas vezes. 'Marte Um' foi muito visto, porque representou o Brasil no Oscar, mas a maioria ficou pouco tempo em cartaz ou só foi exibida em sessões isoladas, em festivais como o Forumdoc ou CineBH”, destaca.

No processo de curadoria, Vitor Miranda chegou a um volume considerável de produções. A mostra que levaria uma semana acabou expandida para 14 dias. A abertura, nesta tarde, é dedicada a animações, com exibição de “Placa-mãe”, de Igor Bastos, “Nimuendajú”, de Tania Anaya, e “Chef Jack: o cozinheiro aventureiro”, homenagem ao diretor Guilherme Fiuza Zenha, que morreu em 2024.

No Dia do Trabalho, nesta sexta-feira (1º/5), o público vai conferir obras dedicadas às lutas e conquistas dos mineiros: “Maestra”, de Bruna Piantino, “O dia que te conheci”, de André Novais Oliveira, e “Marte Um”, de Gabriel Martins, os dois últimos produzidos pela consagrada Filmes de Plástico. A programação prevê para 13 de maio a pré-estreia do documentário “Cacimba” (2026), de Rodrigo Campos, realizado no Vale do Jequitinhonha.

Território

Miranda observa que a maioria dos filmes traz forte senso de territorialidade. “São longas que dizem do local em que foram produzidos”, diz, citando “Lagoa do Nado – A festa de um parque” (2024), de Arthur B. Senra, “Tudo que você podia ser” (2023), de Ricardo Alves Jr., e “Placa-mãe” como exemplos.

“Nesses filmes se reconhece Belo Horizonte ou Minas Gerais. São poucas as oportunidades de fazer um longa-metragem, então, quando o realizador consegue, acaba falando de algo próximo dele. Muitas vezes são filmes até bastante pessoais, com diretores filmando as próprias vivências”, ressalta.

Miranda destaca a riqueza e a diversidade temática e estética da mostra. “Tem as produções da Filmes de Plástico, com marca forte de autoralidade e, ao mesmo tempo, apelo grande de público; tem obras muito pessoais, ensaísticas, como 'Entre Vênus e Marte' (2024, de Cris Ventura) e 'As linhas da minha mão' (2023, de João Dumans), documentário confessional, em que atriz fala das fragilidades da saúde mental, algo com que todo mundo se identifica”, aponta.

'A mensagem de Jequi', filme de Igor Amin, será exibido no sábado (2/5) à tarde

Igor Amin/divulgação


Destaques

Vitor Miranda cita entre os destaques da mostra o filme “Nimuendajú”. “Produzido ao longo de mais de 15 anos, enfrentou muitos desafios, estreou no Festival de Annecy, na França, o maior do mundo dedicado à animação, mas não chegou a entrar no circuito comercial”, diz.

Outros repercutiram em festivais, mas tiveram pouca ou nenhuma exibição em BH. “Para os guardados”, premiado este ano na Mostra de Tiradentes, e “Deuses da peste” (2025), dirigido por Gabriela Luiza e Tiago Mata Machado, vencedor da edição de 2025, são dois exemplos.

O QUE VER

• NESTA QUINTA (30/4)

16h: “Placa-mãe” (2023), de Igor Bastos
18h: “Chef Jack: O cozinheiro aventureiro” (2023), de Guilherme Fiúza Zenha
20h: “Nimuendajú” (2025), de Tania Anaya

• SEXTA (1º/5)

16h: “Maestra” (2024), de Bruna Piantino
17h15: “O dia que te conheci” (2023), de André Novais Oliveira
19h: “Marte Um” (2022), de Gabriel Martins

• SÁBADO (2/5)

16h: “A mensagem de Jequi” (2025), de Igor Amin
18h: “O último episódio” (2025), de Maurílio Martins
20h30: “Zé” (2023), de Rafael Conde

• DOMINGO (3/5)

18h: “IMO” (2025), de Bruna Schelb Correa
20h: “A estação” (2024), de Cristina Maure

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MOSTRA ESPECIAL CINEMA MINEIRO CONTEMPORÂNEO

Desta quinta-feira (30/4) a 13 de maio, no Cine Humberto Mauro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Entrada franca. Programação completa no site da Fundação Clóvis Salgado

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