Saber ou não saber. Eis o dilema de Charlie (Robert Pattinson) em “O drama”, comédia romântica sombria que estreia nos cinemas de BH nesta quinta-feira (9/4). Ao descobrir um segredo obscuro da noiva, Emma (Zendaya), ele questiona se é vantagem ou fardo conhecer verdadeiramente a quem se ama.
Dirigido por Kristoffer Borgli e produzido pelo estúdio A24, o filme tem múltiplas linhas temporais. A cena de abertura apresenta o dia em que os protagonistas se conheceram. Emma está lendo em uma cafeteria e Charlie tenta puxar assunto sem nem sequer conhecer o livro.
Surda de um ouvido e com o fone no outro, ela ignora o rapaz. Só percebe sua presença quando ele já está constrangido. Ainda assim, decide lhe dar uma chance: “Você quer recomeçar?”.
Leia Mais
A trama avança dois anos, com os dois preparando os votos de casamento. Entre lembranças felizes e momentos revisitados, o filme vai e volta no tempo. Feito o retrato idealizado do casal, só então rolam os créditos iniciais de “O drama”.
Jogo da verdade
Na reta final dos preparativos da cerimônia, marcada para o fim de semana, Charlie e Emma convidam os padrinhos para experimentar comidas e muitas garrafas de vinho. O clima é descontraído, até que um jogo muda tudo.
O casal é desafiado a contar a pior coisa que já fez. Charlie, convenhamos, é bem bobão e responde sem pensar muito, embalado pela brincadeira. Claramente desconfortável, Emma não hesita em revelar seu pior segredo. Acredite: não é nada do que você e os próprios personagens esperavam.
“O drama” é, essencialmente, sobre o confronto com a verdade. Embora a divulgação do filme sugira uma reviravolta final, o segredo é o condutor da narrativa. O caos se instaura após o jantar e cada personagem precisa lidar às pressas com o que acabou de descobrir. Enquanto isso, o casamento se aproxima.
Emma tenta fazer Charlie se esquecer do que ouviu. Evita o assunto, pede que recomecem e teme que o noivo desista às vésperas da cerimônia. Para a noiva, tudo não passou de um momento isolado, o pior de sua vida, já resolvido. Vale dizer, sem spoiler: Emma apenas teve a intenção de fazer algo que não chegou a concretizar.
Charlie é incapaz de processar o que descobriu. Obrigado a lidar com a ideia de que a mulher que considerava perfeita nunca existiu, mergulha na paranoia e revisita obsessivamente tudo o que os dois viveram, em busca de sinais ignorados.
É nesse ponto que o filme se transforma. Fotografia, som e montagem constroem o suspense que coloca, ao mesmo tempo, Charlie e Emma como antagonistas.
A imagem escurece e a câmera se aproxima cada vez mais dos rostos, com zooms e planos fechados. O som, que remete àquele quase ato de Emma, propaga desconforto.
Montagem eficaz
O grande destaque é a montagem, assinada por Kristoffer Borgli e Joshua Raymond Lee. Saltos temporais, reações variadas para a mesma fala e a presença de Emma adolescente ao lado de Charlie adulto contribuem para situar a paranoia. Cortes bruscos deixam o espectador momentaneamente desorientado, até entender qual linha temporal ou perspectiva está em jogo.
Depois da revelação, a dinâmica entre os protagonistas se altera. Emma se retrai para evitar novos conflitos e cede espaço para Charlie se afundar em exageros, até perceber que usa o erro da noiva como justificativa para errar também.
Apesar de receber boas críticas nos EUA, “O drama” chega cercado por polêmica. O segredo de Emma remete a questões como a violência – para parte do público, o filme banaliza um tema sensível aos americanos, especialmente pelo tom irônico adotado em alguns momentos.
Dado que o longa gira menos em torno do fato em si, valorizando temas como o confronto com a realidade e o uso de falhas alheias para justificar excessos, fica a impressão de que outras revelações poderiam cumprir o mesmo papel sem recorrer ao choque. Há quem admire a ousadia do diretor e há quem a considere apenas escolha de mau gosto. Difícil, mesmo, é sair indiferente da sala de cinema.
Dupla dinâmica
“O drama” é o primeiro dos três filmes que Robert Pattinson e Zendaya protagonizam juntos neste ano. A dupla também está em “A odisseia”, que estreia em 16 de julho, adaptação de Homero para a telona assinada por Christopher Nolan, e “Duna: Parte 3” (a partir de 17/12), último capítulo da saga protagonizada por Timothée Chalamet.
Zendaya também integra o elenco de “Euphoria”, cuja terceira e última temporada estreia no próximo domingo (12/4), no HBO Max, e de “Homem Aranha: Um novo dia” (previsto para 30/7), o quarto filme do super-herói interpretado por Tom Holland, noivo dela. A atriz anunciou pausa temporária em 2027. “Espero que vocês não se cansem de mim este ano, porque depois disso vou desaparecer por um tempo”, disse Zendaya ao site Fandango.
“O DRAMA”
(EUA, 2026, 105min.). Direção: Kristoffer Borgli. Com Zendaya e Robert Pattinson. Em cartaz em salas dos shoppings BH, Boulevard, Cidade, Contagem, Del Rey, Diamond, Estação, Itaú, Minas, Monte Carmo, Norte, Pátio Savassi, Ponteio e Via, além do UNA Cine Belas Artes.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria
