O sucesso de “Ted Lasso”, em breve chegando à quarta temporada, elevou a estrela de Bill Lawrence. Roteirista e produtor-executivo na ativa há décadas – sua primeira série foi “Spin City” (1996-2002), com Michael J. Fox –, ele acompanhou, com sabedoria, o passar dos anos. São dele as melhores comédias dramáticas da atualidade, todas com tramas adultas e célebres atores veteranos.

Além da supracitada produção, Lawrence assina, na Apple TV, “Falando a real”, com o impagável Harrison Ford em sua primeira incursão numa série regular, e “Bad monkey”, trama policial improvável liderada por Vince Vaughn. Agora é a vez de Steve Carell, o cara comum que todos adoramos, ganhar um papel sob medida. Produzida pela HBO, “Rooster” leva o ator para o campus universitário.

Com três de 10 episódios já disponíveis, a série trata, em essência, da relação pai e filha. Greg Russo (Carell) é autor best-seller de romances policiais (o protagonista de seus livros se chama Rooster) chamado para uma palestra na faculdade onde sua filha, Katie (Charly Clive), é professora.

Vindo de um divórcio doloroso (a ex é docente super-respeitada que dá nome a um dos prédios da universidade) e avesso à academia, ele foi convidado pelo excêntrico reitor Walter Mann (John C. McGinley). Fã de seus livros que planeja dar uma mexida na vida no corpo docente, ele espera acrescentar um pouco de literatura comercial às aulas.

A única palestra de Russo acaba virando emprego como professor. Ele decide deixar a Flórida para se mudar por causa da filha. Katie está acabada com o fim do casamento com o bonitão Archie (Phil Dunster, egresso de “Ted Lasso”). Também professor, ele a traiu com uma estudante.

Sem chão e metendo os pés pelas mãos – o que inclui a sequência em que a primeira edição de “Guerra e paz” é totalmente queimada –, Katie tem a segunda chance com seus alunos, caso o pai assuma uma cadeira na instituição.

A levada é essa e, assim como todas as séries assinadas por Lawrence, “Rooster” tem grande coleção de coadjuvantes que elevam o riso do espectador. Ainda que o centro da história seja a relação terna entre Russo e Katie – os dois atores realmente nos convencem do afeto entre pai e filha, cheia de diálogos agridoces –, os melhores momentos estão nas histórias secundárias.

As sequências mais engraçadas, pelo menos até agora, pertencem a John C. McGinley. O reitor Walter Mann quer provar que o mundo acadêmico não deve ser empoeirado. Malha diariamente para mostrar que está com tudo em cima. Costuma fazer reuniões seminu, pois acha que o melhor lugar para uma boa conversa é a sauna que mantém em casa.

Como o contexto é universitário, não faltam piadas sobre as diferenças geracionais entre alunos e professores. O tom é leve, não machuca ninguém. Mas só vai achar graça quem sabe ler nas entrelinhas.

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“ROOSTER”

Série da HBO Max. Três dos 10 episódios estão disponíveis. Novos episódios aos domingos, às 23h, no canal HBO e na plataforma HBO Max 

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