Os Peaky Blinders estão de volta e sob nova liderança. À frente da gangue está Duke Shelby (Barry Keoghan), enquanto seu pai, Thomas Shelby (Cillian Murphy), o lendário gângster de Birmingham, segue em autoexílio. Mas não por muito tempo.


“Peaky Blinders: O homem imortal”, filme que estreia nesta sexta (20/3) na Netflix, é a verdadeira despedida de Thomas Shelby. Após o fim da série, em 2022, o destino do personagem permaneceu em aberto, quando ele desistiu do suicídio e desapareceu montado em um cavalo branco. À época, já se especulava um desfecho nos cinemas, mas o projeto levou mais tempo do que o esperado para se concretizar.


A trama do longa se desenrola em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, e se inspira na verídica Operação Bernhard. A Alemanha Nazista planeja desestabilizar a economia da Grã-Bretanha, única grande nação da Europa Ocidental que não capitulou ao fascismo, por meio da falsificação de libras em larga escala.


Beckett (Tim Roth), novo antagonista de “Peaky Blinders” – que, apesar de ser nazista, não chega a ser tão perverso e articulado como outros vilões da série – recorre a Duke e à gangue para fazer circular o dinheiro falso em Birmingham. O filho cigano de Thomas Shelby, revelado como ilegítimo na sexta temporada, quando era interpretado por Conrad Khan, ganha mais relevância com a atuação de Barry Keoghan.


Convite no Dia dos Pais

A escalação do ator, aliás, foi um tanto inusitada. Keoghan e Cillian Murphy, ambos irlandeses, contracenaram em “Dunkirk” (2017) e mantiveram contato. Em entrevista ao “Late night with Seth Meyers”, Murphy revelou que recebeu uma mensagem de Keoghan desejando feliz Dia dos Pais, em 2024, e logo respondeu convidando-o para interpretar seu filho no filme.


Enquanto Duke pretende trair a Grã-Bretanha e também os ciganos, visto que estaria se aliando às forças que querem exterminá-los, Thomas Shelby está, contra todas as expectativas, escrevendo um livro sobre seus sentimentos e reflexões.


O gângster abandonou tudo e está há aproximadamente seis anos recluso em uma mansão, ao lado apenas de Johnny Dogs (Packy Lee), seu amigo faz-tudo. Assombrado pelas mortes de familiares, como a filha Ruby e o irmão Arthur, encara as consequências dos próprios atos e o cansaço da vida violenta.


A morte de Arthur, novidade no universo de “Peaky Blinders”, aprofunda o estado depressivo do protagonista e intensifica suas visões. É também a morte de outra pessoa querida, resultado dos negócios de Duke com os nazistas, que o arranca do isolamento em busca de vingança.


Cillian Murphy sempre foi categórico ao afirmar que só voltaria a interpretar Thomas Shelby com um roteiro que justificasse um novo título. Ao jornal “The Independent”, ele afirmou que o projeto, assinado por Steven Knight, criador da série, se revestiu de sentido ao estabelecer a família como tema central.


Eixo central

“O principal eixo da série sempre foi a família. Se continuássemos com isso, transformando em uma história de pai e filho e introduzindo o Duke dessa forma, sabíamos que estávamos no caminho certo e então seguimos em frente”, disse.


O momento em que Thomas decide ir atrás de Duke está entre os pontos altos do filme. Há uma clássica cena de transformação, digna daquelas de super-heróis, na qual o gângster abandona as roupas do isolamento para vestir o conjunto que dá identidade aos Peaky Blinders, utilizando colete, gravata, sobretudo e boina.


Ali, o homem que escrevia em silêncio fica para trás e Thomas Shelby esconde os sentimentos para dominar Birmingham com a frieza que o define. Apesar de estar anos afastado, a reputação do protagonista ainda reverbera na cidade e, mesmo aqueles que não o conhecem, demoram pouco para entender com quem estão lidando.

O filme é, assumidamente, pensado para os fãs da série. Embora não retome a narrativa exatamente do ponto no qual o último episódio terminou, a trama se apoia nos acontecimentos e, sobretudo, nas mortes da sexta temporada. Não significa que seja difícil de acompanhar para não iniciados, pois o roteiro não é tão intrincado, mas a falta de familiaridade pode atrapalhar a experiência.


O desfecho da segunda temporada é um episódio essencial para a trama do filme, conforme aponta Knight. É nele que, à beira da morte, Thomas profere a frase “Eu quase consegui tudo”. Um momento crucial do filme se refere a essa cena.


Além de Thomas e Johnny Dogs, poucos personagens centrais da série retornam. Ada (Sophie Rundle), Curly (Ian Peck) e Charlie (Ned Dennehy) fazem aparições pontuais, enquanto o restante da família Shelby está ausente – por morte ou rompimento. Isso pouco importa, porque Thomas Shelby é o principal e último foco desta trama.


Há 13 anos no papel, Cillian Murphy revisita o personagem com segurança, após um hiato de quatro anos, no qual ganhou o Oscar de Melhor Ator por “Oppenheimer” (2023). O desfecho do protagonista poderá até soar amargo para alguns, mas faz jus ao que Thomas Shelby merecia. Ou melhor, ao que sempre quis.


“PEAKY BLINDERS: O HOMEM IMORTAL”
• (EUA, 2026, 114 min). Direção: Tom Harper. Roteiro: Steven Knight. Com Cillian Murphy e Barry Keoghan. Estreia nesta sexta (20/3) na Netflix.

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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes

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