Na incerteza das marés, que vêm e vão indecisas, o cantor e compositor Marcos Braccini encontrou inspiração para o nome de seu terceiro disco, “Nas marés”, que chega hoje (16/3) às plataformas digitais. Com 11 faixas que transitam pela bossa nova, jazz e balada, o álbum foi pensado para ter um discurso do início ao fim, da primeira à última nota. A busca pela unidade foi tão rigorosa que o músico chegou a remover uma faixa para não prejudicar o ritmo e a fluidez do álbum. A ideia, afinal, era lançar “Nas marés” com 12 canções.
“Tenho pra mim que os álbuns contam histórias”, ele diz. “Por isso, embora cada canção tenha sua personalidade e história própria, elas se encaixam em uma trama maior, que condensa um longo período da minha vida”, complementa.“Nas marés” começa com versão de “Evangelho”, composta e gravada por Dori Caymmi. A faixa ganha nova roupagem, com o toque de aboio e solo de violoncelo, mantendo o caráter regional da canção. No entanto, a bateria que Braccini insere dá mais corpo à música.
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“A instrumentação revela mais um caráter do disco que é a ideia de um certo deslocamento”, avalia o músico. Mas o deslocamento não é apenas físico. “É possível interpretar o conceito do disco pelo prisma de se sentir deslocado em relação ao mundo, que é um pouco como eu me sinto como artista. Quando toco aboio não do modo tradicional, mas junto com o violoncelo na abertura de ‘Evangelho’, é como se fosse a raíz popular deslocada”, explica.
Esse tipo de combinação sonora continua nas 10 faixas seguintes. Com intuito diferente do que foi feito na música de abertura do disco, tais combinações representam os naipes de uma orquestra (cordas, madeiras e metais). O objetivo, dessa vez, foi fundir a música instrumental de concerto e contemporânea com as raízes populares, criando texturas variadas que fogem do padrão convencional de uma banda de apoio composta por baixo, guitarra, bateria e, vez ou outra, teclado.
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LONGA GESTAÇÃO
Há uns bons anos que “Nas marés” vem sendo gestado. Algumas das canções já têm mais de 20 anos. É o caso de “Farol”, composta por Braccini em parceria com Brisa Marques; e “Tempo de desenredo”, de Sidney Porto e Antonio Gomes Neto, pai de Braccini.
“A gente sempre acha que tá no comando conceitual do projeto, seja no controle da história que aquele álbum vai contar ou do discurso. Mas a verdade é que não é bem assim”, brinca o cantor e compositor. “Na hora de fazer o disco, ficamos muito envolvidos com as composições mais recentes, mas, de repente, a gente se depara com gratas surpresas, descobertas que se encaixam naquilo que estamos preparando”, afirma, referindo-se às músicas que ficaram engavetadas por tantos anos.
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O uso do plural não é por acaso. “Nas marés” é marcado por parcerias nos processos de composição e nas gravações. José Miguel Wisnik e Ilessi, por exemplo, cantam em “Itinerário”; a mineira Jhê compôs a letra de “Nó no tempo” e gravou os vocais também; e a já citada Brisa Marques assina mais de uma parceria com Braccini. “Ela é uma artista com força incendiária. É um vulcão. As letras dela me levam para outros lugares que eu não iria sozinho”, elogia Braccini.
Por ora, ainda não há previsão de show de lançamento. Contudo, o músico pretende organizar uma turnê do disco para estrear ainda neste ano com a banda formada pelos músicos que gravaram “Nas marés”.
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FAIXA A FAIXA
. "Evangelho"
. "Itinerário", part. José Miguel Wisnik e Ilessi
. "Farol", part. Antonio Gomes Neto
. "E se após a morte um Deus"
. "Abstract pearl"
. "Sempre assim"
. "Breve"
. "Nó no tempo", part. Jhê
. "O navegante"
. "Nas marés"]
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“NAS MARÉS”
Disco de Marcos Braccini
. Selo Klave
. 11 faixas
. Disponível nas plataformas digitais
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