Harry Styles quer que as fãs dancem. Nas 12 faixas de “Kiss all the time. Disco, occasionally”, quarto álbum do artista, lançado nesta sexta-feira (6/3), os vocais do britânico não são o maior destaque, mas as batidas inspiradas em baladas techno. Este é o primeiro lançamento dele desde “Harry’s house” (2022), que lhe rendeu o Grammy de Álbum do Ano.
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Após a turnê de sucesso, Styles decidiu passar um bom tempo longe dos holofotes. Viajou, conheceu lugares, novas pessoas e novos ambientes. Toda essa vivência está no álbum lançado hoje. Não há medo de inovar quando se é um artista que, mesmo quatro anos após o último lançamento, tem seguidoras fiéis capazes de fazer tudo por você.
“Aperture”, single lançado em 23 de janeiro, a faixa de abertura, guia o ouvinte para as próximas 11. Nela, a frase “Nós pertencemos um ao outro” se repete diversas vezes. A escolha como single faz sentido, pois Styles propõe proximidade aos fãs, como se todos estivessem dançando juntos na boate escura, suados e conectados pela música.
Em “Kiss all the time. Disco, occasionally”, Styles não quer ser o centro das atenções, o que é perceptível em sua voz, em meio às melodias, e na campanha promocional. O britânico anunciou a "turnê de residência" batizada “Together, together": vai passar dias em Amsterdã, Londres, Cidade do México, Nova York, Melbourne e Sydney. O Brasil está dentro: São Paulo será uma das residências do astro nesta turnê.
O palco é mais um motivo para que fãs acreditem nessa busca por proximidade. Há quatro “pits”, espaços pertinho do palco principal, onde o público pode se sentir imerso naquela experiência. A temporada começa em Amsterdã, em 16 de maio, e chega ao Brasil em 17 de julho, com quatro shows em São Paulo.
Techno e pop
Quando “American girls” começa a tocar, é praticamente impossível não sentir vontade de balançar alguma parte do corpo. É a primeira faixa inédita do álbum, e com ela pode-se compreender um pouco mais a intenção de Styles, mesmo que a canção se pareça com o que ele já fez.
Porém, é com “Ready, steady, go!” que toda a inspiração vinda das boates de Berlim, tão visitadas por Harry em sua pausa, começa a vir à tona. Ele mescla o baixo constante com guitarra elétrica e batidas techno. Um coro canta, em italiano, “Pronti, quasi, vai!”, reflexo do longo período que ele passou em Roma. É diferente do que o astro do pop estava acostumado a apresentar.
Nos últimos três álbuns, os vocais de Styles foram enfatizados. "Fine line" (2019), faixa do disco homônimo, e “Sign of the times”, do repertório de “Harry Styles” (2017), estão entre as mais marcantes na trajetória do britânico.
De todas as canções inéditas lançadas nesta sexta-feira, “Coming up roses” é a que mais destaca a voz do cantor. Diferentemente do restante do novo disco, uma orquestra, liderada por Jules Buckley, acompanha Styles, enquanto ele canta sobre as dores de um amor romântico, medos e decepções. É a mais emocionante do novo trabalho, dá um toque de melancolia ao tom festivo e dançante do álbum.
“Dance no more” é uma das faixas mais curiosas, misturando influências das discotecas oitentistas, David Bowie e Daft Punk. Em meio a essa batida, Harry canta: “Deixe o seu pé molhado/ Ensine eles a respeitarem suas mães/ Você tem que deixar seus pés molhados/ Respeite, respeite sua mãe/ Seja uma boa garota”. A expressão “get your feet wet”, deixar os pés molhados, quer dizer experimentar coisas novas.
Harry Styles experimentou coisas novas, melodias novas, estéticas diferentes, festas, outras rotinas. Esteve em diversos ambientes. Um dos artistas mais conhecidos da atualidade, ousou naquilo que acredita fazer sentido neste momento. Mergulhou na eletrônica sem abandonar o pop, construindo um álbum que, talvez, se torne o de maior destaque de sua carreira.
Fica a sensação de que o astro britânico se libertou, permitindo-se ser quem gostaria de ter sido há um bom tempo.
"KISS AL THE TIME, DISCO OCCASIONALLY"
Álbum de Harry Styles
12 faixas
Columbia Records
Disponível nas plataformas musicais
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* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria
