Morre José Adolfo Moura, ex-diretor da Escola de Belas Artes
Professor foi um dos fundadores e coordenador do Festival de Inverno de Ouro Preto
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Morreu nesta sexta-feira (27/3), aos 83 anos, o músico e professor José Adolfo Moura. Ele estava internado no Hospital Madre Teresa, no Bairro Gutierrez, Região Oeste de Belo Horizonte, desde terça-feira (24/3), quando sofreu uma parada cardíaca. A informação foi confirmada pela família.
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O velório será neste sábado (28/3), das 11h às 15h, na Funeral House (Avenida Afonso Pena, 2.158, Bairro Funcionários).
Natural de São Sebastião do Paraíso, no Sul de Minas, José Adolfo Moura foi um dos primeiros alunos da Fundação de Educação Artística (FEA), onde estudou piano e, anos mais tarde, tornou-se professor de musicalização e improvisação. No campo da educação musical, especializou-se no Método Orff, em Salzburgo (Áustria), abordagem que integra improvisação, fala, movimento corporal, canto e o uso de instrumentos melódicos e percussivos.
Integrou o grupo fundador do Festival de Inverno de Ouro Preto, em 1967. No início dos anos 1970, atuou como professor de arte-educação no evento, do qual viria a ocupar, posteriormente, as coordenações geral e adjunta por vários anos. Também lecionou no Centro Pedagógico da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte.
Com mestrado em cinema pela Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), sob orientação de Eduardo Peñuela Cañizal, dirigiu o curta-metragem “Nascimento, paixão e morte segundo Pipiripau” (1988), sobre o presépio automatizado de Raimundo Machado de Azevedo, na capital mineira.
Na UFMG, foi professor de cinema do Departamento de Fotografia, Teatro e Cinema da Escola de Belas Artes, da qual também foi diretor. Atuou ainda como secretário-adjunto de Cultura de Belo Horizonte na gestão de Berenice Menegale (1989-1992).
Pesquisador das manifestações populares, dedicou-se especialmente aos congados e à tradição musical afro-brasileira. Desenvolveu também estudos sobre brincadeiras e instrumentos musicais infantis, produzindo material didático voltado a escolas públicas.
Foi um dos idealizadores e coordenadores do projeto “Música na Escola” (1997), voltado à alfabetização musical na rede estadual de ensino. A iniciativa capacitou milhares de professores e implementou aulas semanais de música, com foco na musicalização e no desenvolvimento da sensibilidade de alunos da educação básica. É também um dos autores da Proposta Curricular de Arte para o Ensino Fundamental II da Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais, de 2004.
Em 2006, criou o programa infantil “Dango Balango”, da Rede Minas, protagonizado por bonecos do Grupo Giramundo e com trilha sonora da banda Pato Fu, exibido até hoje.
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José Adolfo deixa a mulher, Cecília, e dois filhos, Ana e Pedro Motta, fotógrafo que trabalhou no Estado de Minas.