‘A cultura ganhou muito corpo ao longo da minha trajetória’, diz gestora
Eliane Parreiras, ex-secretária municipal de Cultura de Belo Horizonte, deixou o cargo recentemente para assumir a diretoria-executiva do Cine Theatro Brasil
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Entrevistada do programa “EM Minas”, da TV Alterosa e Portal Uai, exibida no último sábado (21/3), a gestora cultural Eliane Parreiras fala de seu trânsito entre o poder público e a iniciativa privada, ao longo de aproximadamente três décadas.
Ela repassa seu percurso profissional e fala dos desafios como diretora-executiva da Associação Cine Theatro Brasil – cargo que acaba de assumir – e das realizações como secretária municipal de Cultura, entre elas, o encaminhamento para o projeto de revitalização do Museu de Arte da Pampulha.
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Você acabou de deixar a Secretaria Municipal de Cultura para assumir a diretoria-executiva da Associação Cine Theatro Brasil, o que, segundo o prefeito Álvaro Damião, foi um convite irrecusável. É isso mesmo?
Sim, minha carreira é marcada por essas experiências, tanto no poder público quanto na iniciativa privada. Acredito que esses olhares que vêm desses dois espaços são complementares e isso pode ser muito interessante, tanto no que diz respeito à trajetória quanto à experiência de atuação.
Fiquei na Secretaria Municipal de Cultura por quase quatro anos e me tornei uma apaixonada pelo municipalismo, algo que acho que pode realmente transformar o Brasil, a gestão do território, a gestão do dia a dia. Fiquei com o coração apertado de sair, mas era uma oportunidade única de retornar para a iniciativa privada.
Você acha que ficou faltando alguma coisa nesses quatro anos em que esteve à frente da Cultura?
Sempre, né. Os desafios na gestão pública são enormes. Não estamos falando só de orçamento, mas também dos desafios dos processos públicos, da idoneidade, dos procedimentos todos de controladoria, dos órgãos de controle, do levantamento de outras fontes de financiamento, das parcerias, então sempre tem algum desejo que fica, mas tivemos conquistas muito grandes e algumas vão ser anunciadas brevemente pelo prefeito.
O Museu de Arte da Pampulha, há quanto tempo Belo Horizonte espera por uma reforma, por uma revitalização... Isso faz parte do seu processo, da sua gestão à frente da Cultura de Belo Horizonte, não é? Vem anúncio por aí?
É isso mesmo. O Conjunto Moderno da Pampulha é uma das minhas paixões e fortalecê-lo foi uma das minhas metas desde quando cheguei à prefeitura. Conseguimos lançar o edital de licitações para a obra.
São quase R$ 30 milhões de investimentos para poder recuperar, restaurar, ampliar e melhorar a acessibilidade. Aquele espaço vai ficar todo disponível para o público, e isso se integra ao programa de expansão do Museu. Tem um espaço, que é a reserva técnica, com a parte do centro de documentação, e está tudo integrado a um grande projeto de requalificação, de reorganização e de promoção do Conjunto Moderno da Pampulha.
Falando da sua volta para a iniciativa privada, saindo da gestão pública: quais são as diferenças e quais são as dificuldades?
São desafios bem diferentes. Tive a sorte de, em todas as instituições com as quais trabalhei, mesmo privadas, sempre ter havido uma questão forte da conciliação entre interesse privado e público.
Mesmo com as características próprias da gestão privada, temos essa relação de rede muito forte de atores, de coletivos, de outras instituições culturais, de parceiros, financiadores, que se juntam a nós para podermos nos fortalecer cada vez mais. A gestão privada traz desafios do ponto de vista de sustentabilidade, de monitoramento, de acompanhamento, que são muito interessantes.
Você começou no Palácio das Artes...
Não, no Museu de Arte da Pampulha, quando Priscila Freira era diretora; depois fui para o Palácio das Artes, onde ocupei diversos cargos, na área de relações institucionais, na área de programação; depois sete anos no Instituto Cultural Usiminas; depois Circuito Cultural Praça da Liberdade, já no governo Anastasia; depois um primeiro período na presidência do Palácio das Artes; depois Secretaria Estadual de Cultura, por quatro anos; depois atuando em uma empresa minha de consultoria, empreendendo na área cultural; depois gerente corporativa de Cultura do Sesc em Minas; depois veio o convite para retornar ao Palácio das Artes, como presidente, entre 2019 e 2022, quando o prefeito Fuad [Noman, (1947-2025)] fez o convite para eu assumir a Secretaria Municipal de Cultura, respondendo interinamente por duas vezes, nesse período, também pela Fundação Municipal de Cultura; e agora Cine Theatro Brasil.
Pensando nas suas passagens pelo Palácio das Artes, quero aproveitar e perguntar: você acha que ele, hoje, ícone cultural do nosso estado, está sendo aproveitado em toda a sua potência?
O Palácio das Artes é uma potência, porque é um centro de exibição, de fruição, um centro criador, porque tem lá orquestra, coral, companhia de dança, que são corpos artísticos extraordinários, e é um centro de formação, com a escola.
A gente fica sempre na torcida para que ele ocupe cada vez mais esse lugar na cidade de referência nacional, referência estratégica. Nossa expectativa sobre o eixo da Avenida Afonso Pena é que possamos, inclusive, fazer muitas parcerias. Juntando aí duas excelências, esperamos que tenha cada vez mais esse reconhecimento e esse compromisso público do investimento, da sustentabilidade desse grande patrimônio público que é o Palácio das Artes.
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