Via redes sociais, como está se tornando praxe, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) anunciou a troca de cadeiras na pasta da Cultura. Sai Eliane Parreiras e entra a vereadora Cida Falabella (PSOL) como titular da Secretaria Municipal de Cultura de Belo Horizonte. 

Como a notícia, na manhã de hoje (27/2), por meio de vídeo, se antecipou à publicação no “Diário Oficial”, somente nos próximos dias haverá a transição. Eliane, na pasta desde julho de 2022, sai do poder público para retornar ao setor privado após “proposta irrecusável”, segundo as palavras de Damião.

Em seu terceiro mandato na Câmara Municipal, Cida será substituída pela Professora Nara (Rede) – a legenda forma uma federação com o PSOL. “Não vou como PSOL”, afirmou Cida ao Estado de Minas, na tarde desta sexta. “A decisão veio a partir da minha trajetória, de uma pessoa que é filiada ao PSOL, mas tem uma trajetória de 50 anos na arte. O PSOL não está chegando ao governo”, afirma Cida.

O convite, Cida comentou, foi feito pelo prefeito no início da semana. No vídeo, Damião afirmou que Eliane havia comunicado, antes do carnaval, sua decisão de deixar a SMC. O gestor pediu que ela esperasse o período festivo passar.

“É muito necessário que os projetos (já desenvolvidos pela SMC) tenham continuidade. Belo Horizonte tem uma das melhores políticas culturais do Brasil. Estou indo para uma Cultura que ajudei a recriar”, continuou Cida. 

Em 2017, como uma das integrantes da Gabinetona (uma experiência de mandato coletivo focada em pautas progressistas), ela foi uma das figuras centrais na pressão política para a recriação da Secretaria Municipal de Cultura. 

“Essa simbiose entre secretaria e Fundação Municipal de Cultura (outro órgão da pasta) tem que andar bem. A primeira coisa que vamos fazer é ampliar o alcance dos projetos. Uma demanda que o prefeito coloca de cara para nós é o enraizamento das vilas e favelas, dos territórios periféricos. A política tem que reconhecer onde a cultura é feita”, completou. 

Ela também disse que os grandes eventos – festivais e outras realizações – continuarão a ser realizados como sempre, assim como as políticas de fomento. “Queremos manter o diálogo com a população, com transparência para os editais. Como artista que sou, que as artes sejam olhadas como um espaço de reflexão.”

Aos 66 anos, os últimos 10 passados na Câmara Municipal, Cida é um nome essencial das artes cênicas de Minas Gerais como atriz, diretora e professora. Entrou para o teatro no início da década de 1980, na Cia. Sonho e Drama, fundada por seu ex-marido, Carlos Rocha. Assumiu, posteriormente, a gestão do grupo, a partir de 2002 nomeado ZAP 18 (sigla para Zona de Arte da Periferia).

ATRIZ E DIRETORA

“Continuo fazendo teatro”, contou Cida, referindo-se ao espetáculo solo “Outono”. Dirigida por Cristina Tolentino, ela faz uma reflexão sobre a velhice na montagem, apresentada recentemente em BH durante a Campanha de Popularização Teatro e Dança. “Eu tenho datas no fim de março para o interior de Minas. Se me autorizarem, eu vou”, disse ela, comentando que, diante da gestão pública, “dirigir está ficando mais difícil”. “Continuo atriz e diretora, a minha profissão. Secretária é um cargo que vou ocupar.”

Entre as leis criadas por Cida na Câmara, estão a Cultura Viva, Capoeira nas Escolas e Geral do Carnaval e dos Blocos Caricatos – as duas últimas aguardam regulamentação, uma das lutas da bancada progressista. Entrando para a SMC logo após o carnaval, cuja edição de 2026 foi criticada em relação à divisão de recursos, Cida comentou que, primeiramente, precisa analisar os dados completos da folia deste ano. 

“Tenho que lembrar que o carnaval é realizado pela Belotur (empresa de turismo de BH) com parceria da secretaria. O foco principal está com a Belotur, a secretaria é uma parte estruturante, de reconhecimento do samba, dos blocos caricatos. Acho que, cabe vez mais, o carnaval deve ser uma festa que acontece o ano inteiro, enquanto economia criativa. Agora, seria prematuro tratar dessas questões, primeiro temos que avaliar como foi para fazer um debate mais profundo”, afirma.

NOTA DO PSOL-BH

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Por meio de nota, o PSOL-BH informou que “não existe qualquer deliberação do Diretório Municipal no sentido de compor a atual gestão da Prefeitura de Belo Horizonte”. Segundo a comunicação, Cida Falabella não consultou o partido para integrar a gestão Álvaro Damião. O informe acrescenta a posição de independência do PSOL em relação ao Executivo municipal, “bem como o compromisso de sua bancada e militância com as lutas dos movimentos sociais e da classe trabalhadora”.

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