O Cine Humberto Mauro abriga, a partir desta terça-feira (24/2), a mostra “Fuego Nuevo – Cinema mexicano atual”, que vai exibir, gratuitamente, oito longas recentes apresentados em festivais internacionais em 2024. Entre as produções, há ficção, documentário e ensaio. Alguns filmes foram exibidos pontualmente no Brasil, mas nenhum chegou ao circuito comercial.

Os títulos são “Aoquic Iez In Mexico! O México não existirá mais!”, de Annalisa D. Quagliata Blanco; “Botão de homem morto”, de Alejandro Gerber; “Crônicas do outro Norte”, de Miguel León; “Fiação de músicas”, de Ismael Vázquez Bernabé; “Jíkuri, jornada à terra dos tarahumara”, de Federico Ceccheti; “A arrieira”, de Isabel Cristina Fregoso; “Monstro de Xibalba”, de Manuela Irene; e “Nepantla: o entremeio”, de Robie Flores.

A mostra é iniciativa do Consulado Geral do México no Rio de Janeiro, que se encarregou da seleção dos filmes e ofereceu o pacote para salas não comerciais do país. Gerente do Cine Humberto Mauro, Vítor Miranda justifica a data da estreia da mostra em Belo Horizonte por se tratar do Dia da Bandeira do México.


Os longas são diversificados, inclusive no aspecto linguístico. “O México é muito grande, algumas produções são faladas em dialetos. Os títulos revelam a riqueza cultural que está em ebulição no cinema mexicano atual”, pontua. As obras permitem tanto a reflexão em torno do México de hoje como também lançam questões mais amplas sobre tempo, pertencimento e experiência.

Miranda ressalta que a mostra destaca a ligação entre temporalidades, aproximando práticas ancestrais de concepção do mundo e procedimentos centrais da linguagem cinematográfica, como a montagem, a suspensão do tempo e a construção de imagens capazes de articular memória, experiência e presente. Os oito filmes são assinados por cineastas de diferentes regiões do México.


“Eles evidenciam a pluralidade formal, temática e territorial do cinema mexicano atual”, comenta. Os filmes abordam questões ligadas à identidade, espiritualidade, relações comunitárias, heranças coloniais e transformações sociais. “Eles refletem muito sobre a condição atual do país, são filmes que estão olhando para dentro”, destaca Vítor Miranda.

Brasil e México

Nesse sentido, há pontos de contato entre as cinematografias contemporâneas mexicana e brasileira. “Podemos identificar algumas semelhanças na produção audiovisual latino-americana, de forma geral. No caso de México e Brasil, ainda mais, porque são países de proporções continentais, muito ricos culturalmente, que vivem um momento efervescente de sua cinematografia”, ressalta.

Na noite desta terça, o público confere “Aoquic Iez In Mexico! O México não existirá mais!”. O documentário direciona o olhar de forma muito particular para a Cidade do México, metrópole sustentada pelo mito da mestiçagem e outras violências coloniais. O longa recebeu vários prêmios, entre eles o de Melhor Filme no Festival Internacional de Cine de la UNAM e no 22º Festival Internacional de Cine de Morelia 2024.


Também premiados, “Jíkuri, jornada à terra dos tarahumara” aborda o universo dos sonhos; “A arrieira” acompanha a personagem Emília, que finge ser um jovem boiadeiro enquanto cavalga pelas montanhas; “Monstro de Xibalba” focaliza três garotos que vão ao encontro de um velho eremita de Yucatán. Por fim, no documentário “Nepantla: o entremeio”, o diretor Robie Flores registra seu retorno para casa após a morte do irmão.


PROGRAMAÇÃO

 Terça (24/2)

20h: “Aoquic Iez In Mexico! O México não existirá mais!” (2024)

• Quarta (25/2)

20h: “Botão de homem morto” (2024)

• Quinta (26/2)

20h: “Crônicas do outro Norte” (2024)

• Sexta (27/2)

20h: “Fiação de músicas” (2023)

• Sábado (28/2)

18h: “Jíkuri, jornada à terra dos tarahumara” (2023)
20h: “A arrieira” (2024)

DOMINGO (1º/3)

18h: “Monstro de Xibalba” (2024)
20h: “Nepantia, o entremeio” (2024)

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“FUEGO NUEVO: CINEMA MEXICANO ATUAL”
Até domingo (1º/3), no Cine Humberto Mauro do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Entrada franca. On-line: 50% dos ingressos disponíveis a partir das 12h do dia da sessão na plataforma Sympla. Presencial: 50% na bilheteria do Palácio das Artes, meia hora antes da exibição.

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