Homenagear o arranjador, compositor, maestro e multi-instrumentista pernambucano Moacir Santos (1926-2006) é o objetivo de João Marcondes, que acaba de lançar o álbum “Now I know” (Tratore) com seu septeto. Em 26 de julho, Santos completaria 100 anos.

O repertório traz composições autorais de Marcondes. “Moacir mudou a minha percepção sobre a música e me fez querer ser arranjador e produtor”, conta o autor de “Mané”, tema dedicado ao ídolo.

“Certo dia, deparei com um álbum do Roberto Menescal que, salvo engano, havia sido produzido pelo próprio Moacir e tinha arranjos dele. A partir dali, pensei: quero ser igual a ele”, relembra.

O compositor, instrumentista, escritor, produtor e educador paulista João Marcondes ressalta a importância do pernambucano para a cultura do país. “Esta figura deveria ser cultuada todos os dias, porque mudou a música brasileira. Continua mudando até hoje, mas, infelizmente, é um nome muitas vezes esquecido”, diz ele.

Na década de 1950, Moacir Santos trabalhou na Rádio Nacional, no Rio de Janeiro. Estudou com Hans-Joachim Koellreutter, foi professor de Nara Leão, Baden Powell, Roberto Menescal e de pioneiros da bossa nova. Em 1965, lançou o álbum “Coisas”, considerado marco na fusão de jazz e música afro-brasileira.

Naquela época, o maestro se mudou para os Estados Unidos, onde viveu até morrer com a mulher, Cleonice. O brasileiro era muito respeitado pelos colegas de lá.

“Moacir trabalhou com Sérgio Mendes, levou tanta coisa para os Estados Unidos”, afirma Marcondes. “É um artista que ainda influencia muita gente, porém de uma maneira silenciosa.”

Diáspora negra


Ao destacar a importância do ídolo, João cita “a música brasileira de origem, ainda da diáspora negra, viva dentro dele, mas não adulterada como produto fonográfico”.

O violonista e compositor João Marcondes diz que Moacir Santos mudou a concepção dele sobre música

Murilo Mosser/Divulgação

Todas as seis faixas de “Now I know” são inéditas. A maior fonte de inspiração de João Marcondes veio de “Ouro negro” (2001), álbum duplo lançado no Brasil por Mario Adnet e Zé Nogueira. Naquele repertório, a dupla de músicos e produtores resgatou criações de Moacir Santos.

Com 25 anos de carreira, o paulista planeja novo disco dedicado ao mestre. “Será para 10 instrumentos, sendo seis sopros e uma seção rítmica tradicional”, adianta.


O septeto reúne João Marcondes (violão, composições e arranjos), Bruno Tessele (bateria), Gustavo Sato (contrabaixo), Edinho Sant’anna (piano), Felipe Aires (trompete), Feldeman Oliveira (trombone) e Victor Alcântara (sax tenor). O grupo lançou três álbuns: “Earth”, “Cosmos” e “2000's Pinball”.

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“NOW I KNOW”


• Álbum do João Marcondes Septeto
• Seis faixas
• Tratore
• Disponível nas plataformas digitais

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