MÚSICA CLÁSSICA

Beethoven ganha homenagem, nesta sexta (27/2), no Palácio das Artes

Concerto da Sinfônica de Minas Gerais, Coral Lírico e pianista Rafael Ruiz destaca a genialidade do compositor alemão enquanto lidava com a surdez

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Beethoven já enfrentava a surdez avançada naquele início do século 19. Em carta destinada aos irmãos Kaspar Anton Karl e Nikolaus Johann, o mestre alemão afirmava que optara por viver isolado, devido à nova condição.

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Ele não desistiu de compor, porém. Escreveu o “Concerto para piano nº 5 em mi bemol maior, Op. 73”, em 1809, inaugurando o modelo romântico, e a “Sinfonia nº 8”, em 1812, na qual retoma ao classicismo.

Ambas formam o programa do concerto que a Orquestra Sinfônica e o Coral Lírico de Minas Gerais apresentam nesta sexta-feira (27/2), no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes, em homenagem a Beethoven. O pianista Rafael Ruiz é o convidado da noite. Ingressos estão esgotados.

Embora ofuscada pelas sinfonias 5, 6, 7 e 9, a “Oitava” conseguiu sobreviver ao tempo. É a mais curta do compositor alemão, com 25 minutos, e não traz elementos das anteriores, como grandes explosões e melodia dramática. Pelo contrário, as entradas “fora do lugar”, acentos deslocados, pausas inesperadas e modulações súbitas lhe dão caráter irônico.

“O segundo movimento, que tradicionalmente é lento e tem características líricas nas sinfonias em geral, é mais mecânico nesta obra de Beethoven, sendo associado por muita gente ao metrônomo, que acabara de ser inventado”, explica o maestro Marcelo Ramos.

“Vindo de Beethoven, não dá para esperar a ‘gargalhada musical’, típica de Rossini. O que conseguimos perceber é que ele faz uma sátira discreta da ópera bufa”, acrescenta.

Modelo romântico

O Concerto para piano nº 5” marcou a história da música por inaugurar o modelo romântico, mostrando a plena maturidade e ousadia de Beethoven.

Em vez de seguir a tradição com temas apresentados pela orquestra e só depois entrar com o piano, o concerto já começa com esse instrumento, fazendo dele sua figura soberana.

Algo na sonoridade imprime aspecto imperial à peça. Vem daí, provavelmente, o apelido “Imperador” dado ao concerto. Deve-se considerar o contexto dramático em que Beethoven compôs a obra. A surdez avançava, ele já não podia mais se apresentar como solista. “Imperador” foi o primeiro concerto que o alemão não estreou ao piano. De certo modo, um tipo de despedida.

“Beethoven era um grande revolucionário. Foi importantíssimo para a história do piano”, afirma o pianista Rafael Ruiz. “Ele remodelou a técnica de tocar. Vemos isso nas sonatas, especialmente em ‘Hammerklavier’, com as quais um universo de possibilidades é aberto. Isso vai impactar diretamente os compositores que vieram depois”, destaca.

O piano é livre, expansivo “e ganha caráter quase improvisatório, com uma cadência bastante virtuosística”, diz Rafael. “É uma linguagem muito própria, que reflete muito da personalidade dele. Quando você ouve, é fácil identificar que aquela música é do Beethoven”, conclui.

Presciliano Silva

Outra peça do concerto é “O vos omnes”, do compositor Presciliano Silva (1854-1910). Trata-se de uma escolha estratégica, que articula tradição mineira e repertório universal. Natural de São João del-Rei, Presciliano tem até hoje suas composições executadas nas celebrações da Semana Santa da cidade histórica. “A música dele é marcada por um drama intenso e por traços operísticos evidentes, que se aproximam um pouco da estética de Carlos Gomes, de quem Presciliano foi contemporâneo. Há registros históricos de que eles teriam se encontrado na Itália, quando o são-joanense estudou em Milão”, informa Marcelo Ramos.

“BEETHOVEN EM FOCO”

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Concerto nesta sexta-feira (27/2), às 20h, no Grande Teatro Cemig do Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Ingressos esgotados.

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