Esqueça tudo o que você (acha que) conhece da produção espanhola para TV. Deixe de lado também as histórias de amor a que já assistiu. “Os anos novos” é a mais romântica e inventiva narrativa do gênero desde muito tempo. Exceção no marasmo de mesmice do streaming, é a prova mais bem acabada da junção televisão/cinema.

Lançada no Brasil pela Mubi, que disponibiliza nesta quarta-feira (28/1) o último dos 10 episódios, “Os anos novos” foi escrita e dirigida por Rodrigo Sorogoyen. Indicado ao Oscar pelo curta “Madre” (2019), o realizador ganhou o mundo pelo pesado e igualmente inventivo thriller “As bestas” (2022, Mubi). Mas aqui ele muda completamente de chave.

“Os anos novos” é um estudo sobre relacionamentos amorosos a partir da história do casal Ana (Iria Del Río) e Óscar (Francisco Carril). A produção cobre 10 anos na vida dos dois e daqueles que os cercam. “Eu diria que a série começa falando sobre um casal e termina falando sobre a vida”, afirmou Sorogoyen à revista americana Variety.

Cada episódio é centrado numa passagem de ano. Começa na virada de 2015 para 2016 e culmina uma década depois, no réveillon de 2024/2025.

Os dois têm a mesma idade: Óscar faz aniversário em 31 de dezembro e Ana em 1º de janeiro. Essa coincidência – a série começa quando eles completam 30 anos – é o que os aproxima. De resto, são bem diferentes: Ana vive o momento, sem planejar nada; Óscar é estável, médico em início de carreira.

No episódio piloto, é noite de réveillon em Madri. Em um bar, a garçonete Ana serve, apressada, os clientes. Quer ir a uma festa mais tarde, mesmo que tenha de dispensar as amigas de uma vida inteira. No mesmo local, Óscar tem outra briga com Vero (Lucía Martín Abello), namorada com quem termina e volta há meses. Mais tarde, e após serem devidamente apresentados, Ana e Óscar vão para a festa que termina com a luz do dia. Vão para a casa dele juntos e aí...

Narrativa surpreendente

“Os anos novos” é o tipo de produção sobre a qual não se deve falar mais. Quando o segundo episódio começa, um ano mais tarde, já em cenário diferente – a festa de réveillon numa casa no interior de Espanha –, levamos algum tempo para compreender em que lugar está cada protagonista. Ora juntos, ora separados.

Compreender qual é a jogada de cada episódio diante das elipses temporais – cada um deles é uma história em si mesma – se transforma num dos baratos da série. Mas o que ganha o espectador é a forma como Sorogoyen traz a sua narrativa. Os longos planos são uma das marcas do diretor. Não há pressa alguma aqui, seja para mostrar a primeira noite do casal na cama, seja para acompanhar a festa entre os amigos.

“Os anos novos” vai brincando com os gêneros: um episódio pode ser pura comédia romântica, enquanto outro aposta no drama familiar. Sorogoyen ainda se dá ao luxo de rodar episódios sob o ponto de vista de cada protagonista. É de um naturalismo absolutamente tocante, e o espectador é quase voyeur diante da tela – por vezes, conseguimos até mesmo nos enxergar em alguma situação.


Wong kar wai

A Mubi vai lançar em 26 de fevereiro “Blossoms Shanghai”, primeira série do cultuado cineasta chinês Wong Kar Wai. 

Com 30 episódios e ambientado na Xangai da década de 1990, o drama acompanha a trajetória de um milionário – de jovem oportunista de passado conturbado até o topo da escala social.

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“OS ANOS NOVOS”


• A série, com 10 episódios, está disponível na Mubi

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