'Tem coisas boas em todos os gêneros de música', afirma Juarez Moreira
Referência do violão brasileiro, artista revelou ao 'EM Minas', programa da TV Alterosa, que seu novo disco terá faixas dedicadas a Lisboa e a Egberto Gismonti
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Juarez Moreira nasceu em Guanhães, na região do Vale do Rio Doce. Começou a tocar violão aos 12 anos, autodidata numa família com presença constante da música. Chegou a cursar engenharia civil, mas abandonou a faculdade no último semestre para se dedicar à carreira artística.
Referência do violão brasileiro, o compositor e arranjador foi o entrevistado do “EM Minas”, programa da TV Alterosa. Seu trabalho mais recente, o disco “Andorinha”, revisita a obra de Antônio Carlos Jobim (1927-1994). “Tom Jobim serviu como uma grande escola para mim”, afirmou.
Você começou a tocar violão muito cedo, aos 12 anos, em Guanhães, e era autodidata. Como foi esse início?
Minha família sempre teve a música por perto. Meu avô era músico, meu pai tocava violão, eu tinha um tio que era virtuoso do instrumento. A música estava presente o tempo todo em casa. Mas a ideia era de que a gente fosse diletante, alguém que toca por prazer, não necessariamente um profissional. Mesmo assim, isso foi criando um ambiente muito favorável para mim.
Você chegou a cursar engenharia civil. Como foi a decisão de largar tudo para seguir a carreira musical?
Eu gostava de muitas coisas, especialmente de matemática, mas a música me deu uma justificativa existencial para viver. Nunca me vi fazendo outra coisa. Largar a engenharia, faltando um semestre para me formar, foi um problemão naquela época, mas não me arrependo.
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A mudança para Belo Horizonte foi decisiva para sua carreira?
Sim. Eu já tocava enquanto fazia engenharia, mas considero que meu primeiro grande show, com mais visibilidade, foi ao lado do Wagner Tiso. Ele foi o primeiro músico muito expressivo e reconhecido com quem trabalhei.
Seu trabalho dialoga com vários estilos: bossa nova, jazz, choro, música clássica. Como você define essa mistura?
Eu venho da MPB, da bossa nova, do choro, do jazz, dos Beatles também. Sou permeável a todo tipo de música. O Brasil tem uma cultura musical muito rica, então não tenho um caráter estético fechado. Tem coisas boas em todos os gêneros.
Você acaba de lançar “Andorinha”, disco dedicado à obra de Tom Jobim. O que o público encontra nesse álbum?
É meu segundo trabalho em torno da obra do Tom Jobim, que considero uma das mais importantes da nossa música. O primeiro foi “Nuvens douradas”, de 1995. “Andorinha” tem a participação dos músicos Nivaldo Ornelas, Paulo Braga, Luiz Alves e Lincoln Cheib. O Tom Jobim serviu como uma grande escola para meu aprendizado musical.
Além de “Andorinha”, você tem outros trabalhos recentes. Quais são eles?
No fim do ano passado, fiz turnê na Suíça com o Peter Schärli e o Hans Fagel. Lançamos o segundo CD do trio, chamado “Lavadeiras”. Ao mesmo tempo, estou com um disco pronto para ser lançado, Dedicatórias”, gravado com um septeto. São formações e propostas bem diferentes, então dá bastante trabalho divulgar tudo isso.
A que se referem as dedicatórias do novo álbum?
São dedicatórias a lugares, situações e pessoas. Tem música dedicada à Igreja da Boa Viagem, outra ao Egberto Gismonti, uma chamada “Valsa de Lisboa”, que compus quando fui tocar lá. Cada música nasce de uma situação específica.
Você mantém forte diálogo com a música latino-americana, como é o caso do choro que compôs em homenagem a Astor Piazzolla.
O Piazzolla é uma maravilha da música. Tenho muito orgulho desta composição. Já toquei muito na Argentina. Juan Falú, violonista de lá, sempre me dizia para não deixar de tocar essa peça nos concertos. As pessoas gostam muito.
Como é ter reconhecimento internacional, com turnês na Europa e América do Sul?
Todo músico quer trabalhar, tocar. O importante é estar trabalhando, seja em Buenos Aires, em um clube de jazz aqui, na Suíça ou em estúdio, fazendo arranjos. Essa é a grande recompensa.
Você também trabalhou com Maria Bethânia. Como foi essa experiência?
Toquei com a Maria Bethânia em 1984. Ela gravou canção minha, parceria com Tadeu Franco, em um programa da antiga TV Manchete. Essa gravação está disponível no YouTube.
Outro trabalho importante de sua carreira é o álbum “Cine Pathé”. O que ele representa?
São composições minhas que ganharam letras de Fernando Brant, Paulinho Pedra Azul, Celso Adolfo, Chico Amaral e Murilo Antunes. Convidei as cantoras Alaíde Costa, Titane, Mônica Salmaso e Paula Santoro. É um lado meu mais ligado às canções, que nem sempre aparece.
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Quais são os planos para este novo ano?
Pretendo fazer viagens internacionais, shows do disco “Andorinha” e lançar oficialmente o “Dedicatórias".