Igrejinha da Pampulha e suas ondas ganharam novos cortes do artista
 -  (crédito:  Daniel Mansur/Divulgação)

Igrejinha da Pampulha e suas ondas ganharam novos cortes do artista

crédito: Daniel Mansur/Divulgação

Ao caminharmos pelo entorno da Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, não há como as curvas do Edifício Niemeyer, projetado em 1954 pelo arquiteto carioca, passarem despercebidas aos nossos olhares.


Simbólica e característica, a arquitetura do prédio de Oscar Niemeyer é reconhecida mundialmente e faz parte do cotidiano dos frequentadores da região, sejam turistas ou não. Neste último caso, encontra-se Daniel Mansur, fotógrafo belo-horizontino que, aos 60 anos de idade, dedicou 36 à fotografia.


Nascido e criado na capital mineira, o artista apresenta espaços da cidade por outro ângulo na exposição “Reflexos urbanos”, em cartaz no Parque do Palácio, a partir deste sábado (6/4).

 


“O fato de conviver e viver na cidade acaba propiciando esses momentos com a câmera na mão, de se encantar pelo instante e registrá-lo. Essa exposição tem fotos do dia a dia e até mesmo da era analógica. É um apanhado de momentos que fui colhendo, como frutos, ao longo de mais de 30 anos de carreira”, afirma Daniel.

No entanto, o fotógrafo descarta o rótulo de enxergar BH por um olhar diferente. “É complicado, até porque toda pessoa que fizer uma foto está fazendo de uma maneira diferente, está enxergando de um jeito diferente. Então, talvez a montagem e o meu envolvimento com as peças tragam outra perspectiva para esses ambientes.”


Nas fotografias, Mansur explora o contraste, a forma e o espelhamento das imagens na busca por uma identidade artística própria e no anseio de gerar diferentes sensações àqueles acostumados com os espaços.


De onde é isso mesmo?

 

 “No espelhamento de uma foto, a coloco lado a lado e faço uns cortes bem radicais para ficar com um grafismo abstrato. Quero que as pessoas pensem: ‘De onde é isso mesmo? Eu já vi isso aqui, mas não sei definir’. Tenho essa busca por aguçar a curiosidade nas pessoas”, diz o mineiro.


Em 17 quadros de fineart, fotos com tiragem limitada, impressas com pigmentos minerais em papéis de fibra de algodão, o artista registra um dia de sol e diversão nas fontes da Praça da Estação, os letreiros carmim do Cine Theatro Brasil Vallourec, no Centro; as ondas do Santuário São Francisco de Assis – a famosa Igrejinha da Pampulha; a tradicional Lanchonete Xodó, na Praça da Liberdade; o contraste urbano do monumento do Pirulito da Praça Sete e, claro, o Edifício Niemeyer, entre outros.


“De 10 anos para cá, passei a expor as minhas obras como fineart, que é a foto para parede. A fotografia ganhou esse status recentemente, porque era o oposto, quando ia para a parede, era pôster ou então de colecionadores que compravam fotos de grandes fotógrafos”, afirma Daniel.


Azul histórico

 

 Todas as obras estão dispostas nas paredes azuis do ambiente do antigo Palácio das Mangabeiras – outra obra de Niemeyer, inaugurada em 1955 –, residência oficial dos governadores de Minas Gerais até 2019.


“O Parque do Palácio foi aberto ao público há pouco tempo e é um lugar importante para a história da cidade e do estado. É muito bacana ter a chance de expor naquele ambiente, de uma atmosfera mágica, e com uma tipografia muito interessante por investir no azul”, diz Mansur.


E garante: “Estar rodeado da Serra do Curral, nosso patrimônio cultural e natural da cidade, é também uma maneira de engajar a comunidade para compartilhar das belezas do local.”


“REFLEXOS URBANOS”


Exposição de Daniel Mansur. Abertura neste sábado (6/4), às 9h, no Parque do Palácio (Rua Arquiteto Rafaello Berti, 330 – Portaria 1 – Mangabeiras). Em exposição até 7 de julho. Horários de funcionamento: quarta a sexta, das 10h às 18h, e sábado e domingo, das 9h às 18h. Ingressos: R$ 10 (inteira). Entrada franca às quartas-feiras, mediante retirada de ingresso no Sympla. Informações: www.parquedopalacio.com.br.


* Estagiária sob supervisão da subeditora Tetê Monteiro