Karlsson Tyrefors interpreta Stella, uma promissora estudante que vai parar na prisão  -  (crédito: NETFLIX/DIVULGAÇÃO)

Karlsson Tyrefors interpreta Stella, uma promissora estudante que vai parar na prisão 

crédito: NETFLIX/DIVULGAÇÃO

Sempre que um país nórdico lança um thriller, esperamos crimes hediondos, detetives atormentados, paisagens inóspitas e um culpado improvável que será revelado somente na sequência final. Entre as 10 séries da Netflix mais vistas no Brasil nesta semana, “Uma família quase perfeita” é um thriller sueco baseado no livro homônimo de M.T. Edvardsson (aqui lançado pela Suma, selo da Cia. das Letras).

Mas foge ao padrão sueco: não há detetives, corpos esquartejados ou personagens do submundo. Muito antes pelo contrário. Os personagens são pessoas acima de qualquer suspeita (e é aí que mora o perigo, não?).

Em Lund, uma cidade histórica e universitária da Suécia, mora a família Sandell. Adam (Björn Bengtsson) é o pai, um pastor; Ulrika (Lo Kauppi), a mãe, é advogada; Stella (Alexandra Karlsson Tyrefors), a filha única, é uma adolescente normal, com amigos, uma vida escolar bem resolvida. Não há problema aparente.

Até que um acampamento de férias muda tudo. Numa cabana à beira de um lago, Stella vive uma situação que vai impactar sua vida definitivamente. Não somente o fato em si, mas a maneira como os pais tratam o que ocorreu. Isto é só o prelúdio da narrativa, já que a história central tem início alguns anos mais tarde.

Aos 19, Stella não é mais a adolescente promissora. Não chegou a terminar os estudos escolares. Para decepção da mãe, trabalha como atendente de uma cafeteria – uma diferença e tanto em relação à melhor amiga, Amina (Melisa Ferhatovic), em seu primeiro ano no curso de direito. Os Sandell, na verdade, parecem viver à deriva, com pouca comunicação entre eles. Para quem olha de fora, no entanto, ainda são uma família unida.

Não há futuro para Stella, somente o momento presente. E ele surge luminoso na figura de Chris Olsen (Christian Fandango Sundgren). Ele é mais velho, bonito, rico, disponível para levá-la a boates da moda e restaurantes badalados. A atração imediata e o relacionamento que se segue descambam em uma tragédia. Stella, de uma hora para outra, se vê presa, sozinha e sem contato algum com os pais.

Narrativa em flashbacks

A trama presente – o desenrolar do crime – é acompanhada de flashbacks que surgem para esclarecer não só a trajetória dela, como a de todos ao seu redor. São como pílulas que, aos poucos, montam o quebra-cabeças. Sabemos quem morreu, onde morreu e em que circunstâncias. Na investigação que se segue, novos personagens entram na história, mostrando que o que parece óbvio pode ter tido outra motivação.

Há um quê de thriller psicológico e outro tanto de drama familiar, pois os Sandell, pai e mãe, carregados de culpa, acabam se relacionando de maneira bastante diversa com o caso. É como se se perguntassem a todo momento: “Isto teria acontecido caso não tivéssemos agido de tal maneira tempos atrás?”.

Absolutamente despreparada, Stella tem que lidar com as consequências não só de seus atos, como também com as dos outros. O que realmente aconteceu só vai se revelar na sequência final. Enxuta, sem pontos absurdos ou pistas falsas, “Uma família quase perfeita” ratifica a tradição nórdica de bons thrillers, mas sob outro ponto de vista.

“UMA FAMÍLIA QUASE PERFEITA”
• A série, em seis episódios, está disponível na Netflix