Durante muito tempo, falar de uísque americano no Brasil era quase sinônimo de um único nome. O consumo era limitado, a oferta restrita e o repertório, inevitavelmente, curto. Mas isso mudou. E mudou rápido.
O bourbon, destilado nascido nos Estados Unidos, começa a ganhar espaço real nas prateleiras e, mais importante, nos copos. E não por acaso. Há história, técnica e identidade suficientes ali para justificar essa expansão.
Por definição, o bourbon precisa ser feito com pelo menos 51% de milho na composição. É isso que dá a ele seu perfil mais adocicado, arredondado, quase confortável ao primeiro gole. Diferentemente de outros estilos de uísque, ele amadurece obrigatoriamente em barris novos de carvalho americano tostado. É nesse encontro com a madeira que surgem notas de baunilha, caramelo, coco e especiarias.
Sua origem remonta ao século 18, quando imigrantes europeus se estabeleceram na região que hoje conhecemos como Kentucky. Com abundância de milho e necessidade de preservar a produção, começaram a destilar. O tempo fez o resto. O transporte em barris novos acabou moldando o sabor, e o que era solução logística virou assinatura.
Durante décadas, o bourbon viveu ciclos. Foi símbolo nacional estadunidense, caiu em desuso, voltou com força. Hoje, vive um novo momento. Mais diverso, mais sofisticado e, sobretudo, mais interessante.
O mercado atual apresenta uma variedade que há pouco tempo era impensável por aqui. Pequenas destilarias, rótulos mais complexos, envelhecimentos distintos, propostas que vão muito além do básico. O consumidor brasileiro, que antes tinha pouco acesso, agora começa a explorar.
E é nesse ponto que vale um ajuste importante. O bourbon não se resume a Jack Daniel’s. Apesar de sua popularidade e importância, ele representa apenas uma porta de entrada. Há um universo muito mais amplo esperando para ser descoberto.
Um ótimo exemplo é o Wild Turkey. Um uísque com personalidade, mais robusto, com notas intensas de caramelo, especiarias e um leve toque tostado que o torna extremamente versátil, tanto para consumo puro quanto na coquetelaria. É o tipo de garrafa que mostra, de forma clara, o potencial do estilo. Sou fã do Eagle Rare também.
E potencial é o que não falta. Está constantemente nas cartas que eu faço e no balcão do Palito.
Na coquetelaria, o bourbon ocupa um espaço privilegiado. Está na base de clássicos como o Old Fashioned e o Mint Julep, drinks que dependem menos de intervenção e mais da qualidade do destilado. Aqui, diferentemente de outras escolas, não se esconde o álcool. Ele é protagonista.
Talvez seja esse o ponto mais interessante do momento atual. O bourbon deixou de ser apenas um produto de marca para voltar a ser um produto de categoria. Sai o consumo automático, entra a escolha. E escolha exige curiosidade.
Explorar diferentes rótulos, entender variações de perfil, perceber como o mesmo destilado pode se comportar de formas distintas dependendo do envelhecimento ou da proporção de grãos. Tudo isso começa a fazer parte da experiência.
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No fim, o crescimento do bourbon no Brasil não é apenas uma tendência de mercado. É um sinal de maturidade do consumidor. E de fato ele é o escolhido entre bebedores experientes. Como todo bom destilado, ele recompensa quem se dispõe a prestar atenção.
Receita: Paper Plane
Um clássico moderno que mostra como o bourbon também brilha na coquetelaria contemporânea.
- 30ml de bourbon;
- 30ml de Aperol;
- 30ml de Amaro Nonino ou averna ou ramazzotti;
- 30ml de suco de limão siciliano fresco
Em uma coqueteleira, adicione todos os ingredientes com gelo. Bata bem até gelar e diluir corretamente. Coe para uma taça coupe previamente resfriada.
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