Essa palavra descreve o sentimento de grande parte dos brasileiros diante dos acontecimentos que, ao contrário de protegê-los e assegurá-los de seus direitos constitucionais, os deixam desprotegidos.
Haja vista a dificuldade de entender que a desigualdade profunda e a corrupção endêmica que dividem nossa sociedade são as causas de desequilíbrio e instabilidade que atingem todos, e não apenas a população carente, cada dia maior, por exemplo, moradores de rua. Politicamente, estamos longe do que seria o país que queremos, mais do que isso, desejamos.


Será que nós, brasileiros, devemos perder toda a esperança? Nos encontramos na mesma posição que o poeta Dante, da Divina Comédia. Perdidos numa selva densa e escura, precisaremos atravessar todos os círculos do inferno? Escaparemos dele? Algum dia teremos orgulho e uma pátria honrosa? Resgataremos nossos país das mãos dos jogos de interesse financeiros e políticos? Algum dia, poderemos minimamente confiar naqueles que se dizem nossos representantes?]


Dante, o poeta apaixonado, salvo por Virgílio, seu mestre, guia e protetor, às margens do rio Aqueronte, quer fazer a travessia do inferno aos céus, onde está seu objeto de desejo, Beatriz. Caronte, o barqueiro avisa: Ó, condenados, aí de vós!!! O céu nunca vereis...


No portal de entrada do longo percurso em versos lê-se: Deixai, ó vós, que entrais toda a esperança. Assim, prosseguimos nós, os brasileiros, e prosseguiram eles, vivos entre mortos, pelo submundo de Hades, entre almas pecadoras e corruptas, julgadas e condenadas a um dentre sete círculos do inferno, conforme seu pecado.


Quem nos dera alguns dos nossos pecadores e criminosos de lá nunca mais voltassem... Os castigos são terríveis. Não é ficar preso na cela, é ser flagelado eternamente. Aqui, entre nós, vivos, a impunidade é garantia.

* Jayme Monjardim, filho de Maysa, prepara musical sobre a mãe para 2026


O artigo de Luiz Felipe D’Ávila de 31 de dezembro, no Espaço Aberto do jornal O Estado de São Paulo, Um Estado Criminoso, teve grande repercussão. Foi duro e não deixou de dizer muitas palavras que circulam nas conversas atuais.


Aponta o Estado brasileiro como capturado por quadrilhas que roubam aposentados, por privilégios como supersalários, pelas altas instâncias que sepultam casos de corrupção, soltam corruptos, protegem banqueiro fraudador, blindado por advogados influentes e bem relacionados. E mais: nosso Estado não consegue limpar a incompetência e safadeza política.

* Inscrições abertas para o Prêmio Literário Máquina de Contos


A perversão, de mãos dadas com a pulsão de morte, campeia livremente entre nós, sem interdição. Hanna Arendt, a filósofa alemã, dizia que quando escolhemos um mal menor, esquecemos que estamos escolhendo o mal, de toda forma, e o banalizamos. A elite se aproveita da conivência interesseira dos políticos, juízes e das boas relações, alcançando níveis absurdos de desfaçatez. Como diria Boris Casoy, uma vergonha!

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O problema é que o brasileiro está em meio a um mar de corrupção e politicagem. Nos falta um nome forte em quem apostar. Então, o que estamos vivendo é a desilusão. A desesperança dos estacionados no inferno de Dante.

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