Patrícia Espírito Santo
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O que me faz uma mulher?

Para mim, pouca diferença faz se tem uma figurinha de calça pregada na porta e outra de saia ao lado

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Com frequência, temos visto casos de transfobia envolvendo pessoas que protestam contra mulheres trans usando banheiro feminino. Tento imaginar o que causa tanta insegurança às pessoas que se sentem ultrajadas ao encontrar ali uma pessoa que não nasceu mulher, mas que se identifica como tal. Por mais que eu busque explicações, caio sempre no tema do preconceito.

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Certo dia, esperando a hora de uma seção de fisioterapia, vi uma senhora chamando atenção de um homem jovem que saiu do banheiro feminino: “Você deveria se sentir constrangido de entrar aí!”, ao que ele respondeu: “Era só a senhora usar o outro”. Acompanhei o desenrolar da conversa enquanto ria por dentro, pois havia acabado de usar o dos homens.

Confesso que entro no banheiro que estiver vazio. Para mim, pouca diferença faz se tem uma figurinha de calça pregada na porta e outra de saia ao lado. Inclusive, uso fácil os dois tipos de peça de roupa.

Não entro no banheiro masculino apenas quando são aqueles que têm vários mictórios. Se a cabine é individual, não tenho dúvida. Entro, fecho a porta e depois saio sorrindo, aliviada, pouco me importando com o que pensem, porque, de fato, não tem importância alguma. Isso porque minha posição é de privilégio, já que não sou vítima de perseguição em decorrência de minha identidade sexual. Mas e se fosse? Muito provavelmente sentiria na pele algo que era para ser simples ser transformado em cabo de guerra, tendo um dos lados assaz enfraquecido.

O que evito, sempre que possível, é banheiro sujo, por questões óbvias, e limpeza não é exclusividade feminina, muito menos sujeira é masculina.

Preconceituosos acabam deturpando o conceito de abuso sexual ao dizerem que temem a ocorrência de violência caso “essas falsas mulheres” penetrem nos santuários exclusivos das que nasceram biologicamente XX. Primeiro não são falsas; segundo, o fato de ser mulher ou homem cisgênero não garante integridade a ninguém. Ou seja, se é para desconfiar, é melhor o fazer em relação a todos e todas, independentemente de como se identificam.

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Práticas de constrangimento ou exclusão de pessoas trans em espaços públicos são uma forma de violência simbólica e exclusão social, podendo ser punidas com a prisão de um a três anos, além de multa.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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