Ainda que Cleitinho (Republicanos) seja um ativo eleitoral de mais de 30% nas pesquisas, o que não pode ser desprezado, o partido cobrou mudanças para retomar a candidatura dele. No encontro de mais de 5 horas, em São José dos Campos (SP), na sexta (31), o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, expôs as queixas e as novas condições. O dirigente reclamou dos excessivos impropérios de Cleitinho contra aliados, especialmente ao líder religioso da agremiação, Edir Macedo, chamado por ele de ‘falso profeta’. Na mesma entrevista ao O Globo, no dia 5/6, o próprio Pereira foi alvo de crítica, segundo a qual “não confio 100%”.
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Ainda apontou os consecutivos adiamentos, indecisões e insegurança do pré-candidato, que sequer compareceu à convenção partidária no dia 25 passado. Por outro lado, Pereira reconheceu que foi o estilo franco-atirador que o levou até o Senado federal e o transformou em líder nas redes sociais, mas que, para governador, é preciso mudar, adotando outras qualidades.
O Republicanos cobrou um ‘novo’ Cleitinho, mais “agregador e conciliador” e de “mais diálogo”. O senador mineiro ouviu atentamente e sem retrucar, até porque a situação havia mudado ao perceber a importância do partido, que, na semana passada, havia barrado a candidatura dele. Ou seja, sem a legenda não poderia ser candidato nestas eleições.
Outra condição é a aliança com o PL ainda no primeiro turno, que Cleitinho adiava para o segundo. E a convivência com a candidatura a deputado federal de Eduardo Cunha, a quem chama de “vagabundo”. Tudo somado, Cleitinho volta a ser candidato a governador, mas não será o mesmo Cleitinho. Vai ter de rezar pela cartilha do Republicanos.
Apelos bolsonaristas
Além dos apelos que fez para a reversão do quadro, Cleitinho desencadeou reações em cadeia. Deputados e candidatos à reeleição do PL e do próprio Republicanos reprovaram a decisão nacional e advertiram para o risco de derrota para todos e para a direita em Minas. Teria havido até atuação a favor dele do pré-candidato presidencial do PL, Flávio Bolsonaro, e do pré-candidato à reeleição ao governo paulista, Tarcísio de Freitas.
Adversários afiam armas
Adversários irão explorar dois aspectos da reviravolta na direita. Primeiro, a indecisão do senador, de ser ou não candidato, reflexo de, segundos eles, ‘despreparo e instabilidade’. Segundo, que o recuo do Republicanos envolveria muito dinheiro e o empresário mineiro Alex Diniz, dono de grande rede de supermercado e suplente do senador. O próprio Cleitinho já denunciou que lhe ofereceram dinheiro (seria de uma mineradora) para que não fosse candidato.
Marcelo Aro: derrotado
Menos de uma semana depois que desembarcou da futura chapa de reeleição do governador Mateus Simões (PSD) e de pintar como candidato a governador, Marcelo Aro (PP) está sem rumo. Ex-secretário do governo Zema/Simões, ele poderá ser candidato a governador da federação que integra o União Brasil com o PP, o que é improvável, ou a senador na chapa de Cleitinho. Seja como for, terá que caminhar de maneira avulsa, sem alianças ‘sinceras’.
Kalil articula vice tucano
Enquanto assiste da arquibancada a fragmentação da direita, o candidato a governador pelo PDT, Alexandre Kalil, está conversando com quatro partidos para compor sua chapa. O PSDB/Cidadania, que forma uma federação, pode indicar o vice-governador e outra federação, Rede/Psol, o nome ao Senado. Como tem deficiência eleitoral no Sul de Minas e no Triângulo, Kalil sonha com um tucano de uma dessas regiões para ser o vice.
Simões evita constrangimento
Oficializado como candidato à reeleição na convenção do PSD, ontem, o governador Mateus Simões vai esticar a corda antes de definir seu vice. Diante da fragmentação de seu campo político, quer evitar o constrangimento de desconvidar algum aliado. Tentou, na semana passada, atrair o MDB, mas não deu certo. Até o momento, pode contar com os partidos Novo e Avante e o senador e candidato à reeleição, Carlos Viana (PSD).
Simões barra greve na Fazenda
Quarenta e oito horas após promulgar, no Diário Oficial, o Dia do Auditor Fiscal, o governador Simões barrou, na Justiça, a greve da categoria da Fazenda estadual. Por tempo indeterminado, a paralisação estava programada para a zero hora de hoje. Por meio dos procuradores do Estado, o governo solicitou a declaração de ilegalidade do movimento, argumentando prejuízo para a coletividade.
O movimento foi aprovado, no dia 23 último, por cerca de 450 profissionais em Assembleia Geral Extraordinária, após série de tentativas frustradas de negociação com o Governo de Minas. Segundo eles, a mobilização é uma reação ao processo de desvalorização institucional da Secretaria, da falta de diálogo e da ausência de medidas voltadas ao fortalecimento da administração tributária.
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A vitória do governo é parcial, porque a decisão judicial também impõe mudança de postura ao determinar a abertura de negociação para solucionar a crise, como reivindicava há muito o Sindicato da categoria, o Sindifisco-MG.
