À exceção da pré-candidata ao Senado, Marília Campos (PT), a direção do PT mineiro defende a candidatura própria ao governo em vez de apoiar nomes do campo aliado. A tese foi reafirmada por pesquisa contratada pelo partido e divulgada internamente, em reunião realizada na sexta-feira (19), mesmo dia da visita do presidente Lula a BH.

 

 

A pesquisa não está registrada no TSE, por isso não foi divulgada. Dos nomes pesquisados, os nomes petistas exibiram desempenhos mais competitivos do que os pré-candidatos aliados. Desses, somente um apresentou boa pontuação.

 

Cresce entre os petistas a convicção de que é preciso enfrentar a rejeição que os tem afastado da candidatura majoritária própria. Como não houve encontro em BH durante a visita presidencial, a direção estadual pretende levar os números a Lula e à direção nacional para defender sua tese. Como Marília, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e Lula apoiam nome do centro político para ampliar a base de apoio de sua reeleição.

Com o insucesso da aliança com Kalil, além da candidatura própria, restam ao campo de Lula dois caminhos, de Gabriel e Jarbas. Segundo os mesmos dados, nenhum deles poderá performar na campanha sem o apoio do PT e de Lula.

Partido continua no escuro

Feitas as contas, o PT mineiro, ao contrário do de SP e RJ, continua caminhando no escuro desde o insucesso do governo do petista Fernando Pimentel. Apesar de serem da legenda do presidente da República e mais organizados, os petistas mineiros demonstram fragilidade perigosa e incapacidade política e de articulação. Diante disso, precisam recorrer a pesquisas para enxergar o óbvio. Parece que deixaram de ser competitivos e nem reconhecem que os nomes mais fortes são de duas petistas, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, e Marília Campos. Na visita de Lula a BH, Marília foi para o interior, para evitar pressões sobre seu nome. Ela e Margarida também não confiam nas direções pelo boicote financeiro que sofreram nas últimas eleições municipais.

 

Risco de pulverização

Como Gabriel e Jarbas têm posições inegociáveis, não aceitam ser vices, há um grande risco de a decisão do PT por candidatura própria pulverizar ainda mais as candidaturas. Ao final, poderá haver 10 ou mais candidaturas a governador/a no 1º turno, optando por alianças no 2º turno.

 

Marília despolariza

Para evitar as pressões por sua candidatura a governadora, Marília Campos tem intensificado a pré-campanha ao Senado. Desde que deixou a Prefeitura de Contagem no dia 27 de março, já percorreu 167 cidades, conquistando apoios de prefeitos da direita à esquerda. “Consegui despolarizar minha campanha e isso se materializa com esses apoios. Isso é muito gratificante, porque meu principal partido é o trabalho”, argumentou ela, que, ainda, não esconde a “tristeza” pelos que ainda insistem para disputar o governo de Minas.

 

Jarbas reposiciona apoio a Lula

A oposição não vai querer saber disso, mas Jarbas Soares quer mais ser apoiado do que ser o candidato de Lula em Minas. “O palanque não será de Lula; vamos montar uma pauta para resgatar Minas, a começar pela revisão do Propag”, adiantou ele, referindo-se ao novo programa de renegociação da dívida de Minas. “Os juros são impagáveis”.

 

Gabriel e o passado

Dizem que, se for candidato com apoio do de Lula, Gabriel irá passar campanha apagando posts contra os petistas e o presidente nas redes sociais. Nesse sábado (20), o jornal Folha de S. Paulo noticiou que o emedebista, como advogado, assinou representação pedindo o impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT), logo, depois, cassada (2016). Na mesma matéria, Gabriel disse que também fez o parecer pelo impeachment de Bolsonaro (PL), em 2018.

 

Suplentes não assumirão

Como a do presidente da Assembleia, Tadeu Leite (MDB), a vaga da deputada Ione Pinheiro (União), que será eleita conselheira do Tribunal de Contas do Estado, não será ocupada por suplente. Ela registrou sua candidatura ao cargo na sexta (19), último dia do prazo, como candidata única e de consenso na Assembleia. Ione e Tadeu deverão tomar posse apenas em janeiro do ano que vem, após encerrar seus mandatos parlamentares. A razão maior é a aprovação do orçamento, quando encaminharão suas emendas parlamentares, beneficiando os municípios que os elegeram.

 

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Novo piso da educação

Entrou em vigor, na sexta (19), o novo piso salarial do magistério público da educação básica. Com a medida, o valor passa de R$ 4.867,77 para R$ 5.130,63. A Confederação Nacional de Municípios avalia impacto de R$ 8 bilhões neste ano. O novo modelo define correção acima da inflação sem garantia de recursos adicionais do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) ou compensação da União. Nos últimos cinco anos, o reajuste do piso do magistério chegou a 78%, com impacto de R$ 85 bilhões no período.

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