Trair e coçar, dizem, é só começar. Essa é uma expressão popular que já foi nome de filme e de peça de teatro e que também é muito recorrente na política, especialmente quando as coisas não vão bem. Exemplos não faltam. O ministro de Lula Alexandre Silveira (Minas e Energia) manteve-se filiado ao PSD, partido que mudou de lado e está contra o governo do qual participa. Ainda assim, Silveira ficou lá e, de lá, deseja sorte à pré-candidatura a governador do PSD, de Mateus Simões, e faz o mesmo com o pré-candidato de Lula, o senador Rodrigo Pacheco (PSB). Um pé em cada canoa.

O ex-secretário de Governo de Zema Marcelo Aro não gostou nada da filiação do senador Carlos Viana no partido de Simões para concorrer com ele ao Senado na mesma chapa que hoje integra. Já fez manifestações de contrariedade.

 

 

Na terça passada, ele foi a um evento, em Divinópolis, de lançamento da candidatura de reeleição do deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), irmão do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Líder das pesquisas para governador, Cleitinho pediu votos para ajudar a eleger Aro a senador. Não pediu apoio dele, mas quem apoia tem o direito de esperar contrapartidas.

Na última segunda, em Pouso Alegre, o sucessor de Aro na Secretaria de Governo, Castellar Guimarães, se estranhou com o presidente do PSD-MG e deputado estadual Cássio Soares. Castellar anunciou algum benefício para o município em nome do antecessor, mas a iniciativa era de autoria de Cássio. Seja como for, diante de tanta coceira, os recados estão sendo dados.

Nikolas “sabatina” Domingos

Quando o presidente do PL-MG, Domingos Sávio, era lançado ao Senado, nessa quarta (8), ele foi “sabatinado” pelo deputado federal Nikolas Ferreira, expondo a única prioridade do bolsonarismo. “Só tenho uma pergunta para lhe fazer. O sr. apoia impeachment para ministro do STF?”. Ante a resposta positiva, Nikolas disse que ele estava aprovado para ser o candidato. Presente ao evento, o pré-candidato presidencial do partido, Flávio Bolsonaro, também bateu palmas seguidas de uma nervosa coçadinha na cabeça.

Transição na AMM

Aos 36 anos, o prefeito de Iguatama (Oeste), Lucas Vieira Lopes (PSB), tornou-se o mais novo presidente da história da Associação Mineira de Municípios (AMM). Ele sucedeu a Luís Eduardo Falcão, que deixou o cargo um ano após conquistar a entidade para disputar as eleições deste ano. A seu jeito, Lopes demonstrou consciência dos desafios que herdou: “Quando o cidadão vê o presidente da República, ele pede um autógrafo; quando vê o governador, quer uma foto, mas quando encontra o prefeito pede exame, tapar buracos, educação para os filhos, entre outros. Porque a vida acontece nos municípios”, brincou ele, na transmissão do cargo realizada nessa quarta (8).

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

Com a sua saída do comando da AMM, Falcão disse esperar que o governador Simões se livre da tensão, se desarme e volte a dialogar com a entidade. Segundo ele, após conflitos, Simões fechou as portas do governo para a associação, para a Prefeitura de Patos de Minas (Alto Paranaíba) da qual era o titular e para sua esposa, a deputada estadual Lud Falcão. Lopes disse que buscará retomar o diálogo com o atual governador.

compartilhe