Antes do feriadão da sexta santa, o senador Rodrigo Pacheco (PSD) terá que decidir sua nova filiação partidária. A iniciativa poderá sinalizar, sim ou ainda não, que ele será candidato a governador. Mesmo assim, queiram ou não os rivais, todo o meio político mineiro aguarda com ansiedade essa definição e a trata como a mais importante, até o momento, para o rumo da eleição estadual.
No quadro atual, só a pré-candidatura a governador de Mateus Simões (PSD), atual governador, está definida. Os outros pré-candidatos Alexandre Kalil (PDT), Cleitinho Azevedo (Republicanos) e Gabriel Azevedo (MDB), entre outros, balançam ao sabor das tratativas nacionais.
As mudanças de partido devem ser feitas, por lei, até quinta (4). Já o registro de candidaturas pode ser feito até 15 de agosto. Os que lidam habilmente com a política usam os prazos e as regras do jogo a seu favor.
Como o experiente técnico de futebol, eles carregam o regulamento debaixo do braço. Os mais aplicados são aqueles que levam uma Constituição nas mãos no momento dos embates em plenário. Primeiro, porque não é fácil memorizar os 250 artigos originais, já emendados 140 vezes ao vento das conveniências. Nossa Carta Magna é a 2ª maior do mundo, depois da indiana.
Hoje, a maioria desconhece sua existência. Por isso, ficam desorientados e mais batem boca do que debatem. Apesar da impaciência, os prazos políticos são mais largos. O primeiro orienta que, para ser candidato a governador, o pretendente deve estar filiado até 4 de abril. Segundo prazo, a intenção se concretiza com o registro até 15 de agosto. Além disso, há o tempo da sabedoria política. O ex-governador Hélio Garcia (84/87 e 91/95) dizia que a eleição se resolvia depois da parada (7 de setembro).
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Ação para tirar candidatos
A exemplo de Simões, Pacheco atua para reduzir o número de concorrentes. Para ser competitivo, Simões quer ser o único candidato da direita na disputa. Atua para tirar da jogada Cleitinho Azevedo, o líder das pesquisas e redes sociais. Pacheco, se for candidato, deverá atrair dois ou três pré-candidatos para sua base de apoio. Na conta que fazem lá, cerca de 10 partidos estariam com Pacheco e que bastaria ele querer.
Partidos dispensam deputados
Para garantir as próprias reeleições e ajudar aliados, presidentes de partido têm dispensado deputados, especialmente os mais votados. Legendas como o Avante, PRB e até o MDB montam chapas afastando os mais votados. Tem deputado que, a três dias do prazo que falta para filiação, ainda procura legendas. O Avante, por exemplo, dispensou três deputados, dois estaduais e um federal. Um deles, Arlen Santiago, teve mais de 100 mil votos na última eleição. Para sobreviver, um partido tem que eleger, pelo menos, 15 deputados federais.
Marília: de baixo pra cima
Liberada do cargo e encargos, a ex-prefeita de Contagem Marília Campos já está em campo como pré-candidata ao Senado. Tem como 1ª estratégia conquistar as bases, depois as direções de seu próprio partido, o PT, que ainda não abraçaram sua candidatura.
Kalil critica marketing de Simões
Fiel ao seu estilo e de opositor, Alexandre Kalil contestou o marketing do ex-governador Zema (Novo) e do sucessor, Mateus Simões. “Na frente do Palácio (da Liberdade), tem uma propaganda do tamanho do prédio dizendo que ‘nós geramos um milhão de empregos’. E aí, o trem prospera. Desde quando governador gera empregos? Quem gerou foi o empresariado ou temos um milhão de funcionários públicos a mais? Mineiro é quieto, mas não é bobo”, apontou Kalil no PodCast Se Liga, Minas, que irá ao ar às 20 horas desta segunda-feira na TV Banqueta, canal 6 da Claro.
Deputados e o PL 5.234/26
Por conta de prazos externos, os deputados estaduais aprovaram, de forma resignada, a reposição salarial de Zema ao funcionalismo de só 5,4% em cenário de perdas ignoradas. Por conta do baixo índice, que tiveram que assinar embaixo em função do pouco tempo, alguns parlamentares estão incomodados com o governo, e novamente o prazo aparece como uma pedra no sapato.
O Projeto de Lei 5.234/26 requer aprovação até o dia quarta (1º), quando os deputados podem fazer justiça a mais de seis mil servidores da Secretaria da Fazenda, especialmente os auditores-fiscais, que dependem da aprovação para manter seus salários atuais. Os auditores são os responsáveis pelo aumento da receita, via produtividade e combate à sonegação fiscal, o que garante os salários de todo o funcionalismo e o financiamento das políticas públicas.
Se os parlamentares não aprovarem, até quarta, o projeto que só reafirma o modelo de remuneração adotado há mais de 50 anos no Estado, irão impor perdas de vencimentos e supressão de direitos conquistados. E mais, tiram deles a própria reposição de 5,4%, que o restante do funcionalismo já garantiu.
O erro não é dos auditores nem dos deputados, mas estes últimos podem fazer justiça ao aprovar o PL. Até o STF fez sua parte. Chamado a se manifestar, aprovou a estrutura remuneratória vigente há décadas no Estado e usada em todo o país para estimular a arrecadação. Em nenhum momento, a tratou como irregular ou penduricalho. Apenas cobrou a mudança de instrumento normativo para regular a gratificação. Em vez de decreto, lei, o que se busca com o PL.
Os deputados podem fazer sua parte ou renunciar a ela, mas a história do Legislativo mineiro tem sido de valorização do servidor, e não o contrário.
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