A 25 dias de tomar posse como governador, o vice Mateus Simões (PSD) está dando um “cavalo de pau” na comunicação do governo. Na prática, Simões está afastando o seu ex-partido, o Novo, que, por meio de um conselho, dava a condução na comunicação oficial. Outras mudanças estão sendo avaliadas e podem representar alterações significativas.
Na última terça (24), Simões bateu o martelo e tomou a primeira medida. Para o lugar do Novo, contratou como consultor de comunicação, via PSD, o marqueteiro Paulo Vasconcelos, vitorioso em várias campanhas eleitorais. O êxito mais recente dele foi a reeleição, em 2024, do então prefeito de Belo Horizonte, Fuad Noman (PSD), que, cinco meses depois, faleceu vítima de um câncer.
O que deseja Simões? Adotar o mesmo modelo da campanha de Fuad. Ou seja, melhorar a imagem e aprovação do governo, que, hoje, é de Zema, para que essa mudança seja transferida para sua própria imagem e futura campanha eleitoral. Na avaliação do grupo de Simões, o diagnóstico do Novo estava equivocado, razão pela qual a avaliação do governo não conseguiu ajudá-lo nas pesquisas. Antes que seja tarde e antes de tomar posse, Simões resolveu dar a guinada.
A nova estratégia terá apenas quatro meses para corrigir os rumos e colher os benefícios. Se o tempo será suficiente, nem mesmo seu marqueteiro eleitoral, que, no caso, ainda é o publicitário Renato Pereira, saberá dizer. O diagnóstico que guiará a nova comunicação parte do princípio de que Simões é desconhecido no estado. Por essa razão, a gestão Zema não conseguiu fazer a vinculação entre ambos. Em resumo, a força da avaliação do futuro governador e candidato estaria na força de avaliação da gestão, no caso, a que assumirá a partir de 22 de março.
A quatro meses da votação da eleição municipal, Fuad Noman também era desconhecido e alcançava apenas 4% nas pesquisas, embora a gestão fosse bem avaliada. A comunicação oficial deu visibilidade aos feitos da gestão e o marketing eleitoral fez a vinculação entre o nome dele e o desempenho da prefeitura.
Nikolas corrige Flávio Bolsonaro
Os rabiscos flagrados do pré-candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL) exibiram mais o desconhecimento dele sobre a realidade mineira. Numa das anotações, registrou que a candidatura a governador de Simões o puxaria “para baixo” e que Cleitinho Azevedo e Flávio Roscoe poderiam ser mais competitivos. E mais, que os candidatos ao Senado deveriam ser Carlos Viana (reeleição) e Domingos Sávio, atual deputado federal e presidente do PL.
Com a aliança do deputado federal Nikolas Ferreira (PL) com Simões, a possível candidatura de Cleitinho ficaria isolada e Roscoe não teria votos. Quanto aos pré-candidatos ao Senado, também faltariam votos, especialmente a Domingos Sávio. Ao contrário dessas, a de Marcelo Aro, atual secretário da Casa Civil, é mais competitiva. E uma outra novidade, quem vai decidir os rumos do PL em Minas, conforme acertado em reunião no presídio (Papudinha) com Bolsonaro, é o deputado Nikolas.
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Todas essas atualizações foram levadas a Flávio Bolsonaro, em encontro na noite dessa quarta (25), em Brasília, pelo próprio Nikolas. Por último, o deputado mineiro irá deixar uma advertência a Flávio: perder o apoio de Zema será mais caro do que tê-lo, lembrando que Minas é um estado estratégico na eleição presidencial.
