O PT é o maior partido do Brasil, mas, politicamente, age como se ainda estivesse no DCE da política estudantil. Os petistas não perceberam que não são mais o que foram, assim como os velhos conhecidos e rivais tucanos. Diante disso, correm o risco de ficar fora da construção do palanque presidencial de Lula, candidato à reeleição, em Minas. Cada dia mais, fica visível que o candidato de Lula em Minas e a construção de seu palanque não passam pelo PT estadual.

 

 

O partido estaria repetindo os desacertos da campanha eleitoral municipal passada, quando foram os maiores adversários do candidato de Lula, no caso o ex-prefeito Fuad Noman (PSD). Se o PT tivesse entendido o contexto poderia ter ajudado em um desfecho melhor para o futuro de BH, que, hoje, é governada pela direita e que, como a esquerda, foi derrotada na eleição.

 

Como o PT está sem rumo, assistindo aos movimentos políticos sem protagonismo, o centro e centro-direita tomaram a iniciativa de construir o palanque de Lula em Minas. Se não se sentar à mesa para participar do processo, sem medo de ser feliz, os petistas correm o risco de não entrar nas articulações. Na Paraíba, por exemplo, o partido ficou isolado com a aproximação de Lula com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Na eleição passada (municipal), o partido apostou em candidatura própria e o resultado foi desastroso. Desta vez, para evitar desgastes, o presidente nacional, Edinho Silva, já esteve em BH e avisou que o partido não aceitará candidatura própria e que o objetivo será reeleger Lula por meio de uma frente ampla. Na eleição estadual passada, o petista correu riscos quando ficou sem candidato no segundo turno eleitoral, com a derrota do ex-prefeito de BH Alexandre Kalil para Zema, ainda no 1º turno.

Marília pode se aposentar

Sem ação e reação, o PT se omite até mesmo em definir o candidato ao Senado, embora tenha a candidata mais competitiva na disputa, que é a prefeita de Contagem, Marília Campos. Além das diferenças históricas, o partido receia a posição de Marília que, publicamente, condicionou sua candidatura ao veto da candidatura do ministro das Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), que é próximo a Lula. Se não for candidata nestas eleições, dizem, em Contagem, que ela pode até se aposentar das disputas.

Alexandre Silveira é ou não é

Se o ministro Alexandre Silveira for candidato a senador, a prefeita Marília Campos (PT) deve desistir da disputa ao mesmo cargo. Se ele for candidato a governador, as pesquisas dizem que ele não tem voto. Aliados dizem que o melhor cenário para Silveira é continuar ministro e assumir posição de coordenador da campanha de Lula à reeleição em Minas.

 

Desafios do PSOL

O PSOL, ou parte dele, lançou a pré-candidatura de Maria da Consolação ao governo de Minas nas eleições deste ano. Faltou combinar com os diversos segmentos do partido, que, como ou mais que o PT, é uma colcha de retalhos. Consolação é uma das fundadoras do PSOL, mas seu grupo é minoritário. Além dessa combinação, outra precisa ser feita.

 

O PSOL está federado ao partido Rede, que, hoje, flerta com a pré-candidatura a governador de Alexandre Kalil (PDT). Do PSOL, já houve acenos a Kalil, em novembro passado, por parte das parlamentares Bella Gonçalves (estadual), da bancada municipal do partido e da ex-deputada federal Áurea Carolina.

 

Reajuste de servidor: 5% ou mais

Em ano eleitoral, o governo Zema/Simões deve enviar projeto para a Assembleia Legislativa dando reajuste geral de 5% para o funcionalismo público estadual. O projeto deixará portas abertas para que o Legislativo amplie e melhore o percentual. “Mais do que 9%, eu não consigo pagar”, teria dito o secretário da Fazenda, Luiz Cláudio Gomes. As lideranças dos servidores querem aproveitar a boa vontade do atual governo, que tem dois pré-candidatos às eleições. Zema para presidente e Mateus Simões, atual vice, para governador.

Cunha e o dinheiro público

Em campanha para se reeleger deputado federal, desta vez, por Minas Gerais, o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha arrumou endereço em Belo Horizonte. Carioca, ele não quer atrapalhar a reeleição da filha, Dani Cunha, no Rio, e decidiu concorrer em Minas depois da tentativa frustrada em São Paulo.

 

Disse ao Blog do PCO que não irá prometer nada porque tem experiência própria de ex-deputado. No final do ano passado, por exemplo, conseguiu a proeza de, mesmo sem mandato, enviar emenda parlamentar de R$ 1 milhão para a cidade de João Pinheiro (Noroeste), onde tem duas emissoras de rádio evangélicas.

 

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O presidente da Câmara de João Pinheiro, vereador Guilherme Coxa (PP), disse que ele será eleito facilmente para deputado. “Sem ter mandato, conseguiu R$ 1 milhão pra nós, imagina com mandato”. Deverá ser mais um deputado que cai de paraquedas em Minas.

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