A guerra no Oriente Médio costuma incendiar mais do que apenas fronteiras geográficas; ela incendeia, quase instantaneamente, os preços nas bombas de combustíveis ao redor do mundo. Mas, desta vez, o governo brasileiro resolveu acrescentar às medidas econômicas para enfrentar o impacto da alta do petróleo uma ferramenta pouco usada: colocar a fiscalização de campo em uma escala que raramente vimos por aqui. Desde o dia 9 de março, o país assiste a uma mobilização coordenada contra a especulação. São mais de 8,2 mil postos de combustíveis e 378 distribuidoras sob a lupa de uma força-tarefa que une do Procon à Polícia Federal. O recado é claro: a liberdade de preços, pilar da nossa economia, não é um salvo-conduto para o oportunismo.


Até agora, foram mais de 5 mil notificações que têm como base o Código de Defesa do Consumidor que podem levar a multas de até R$ 14 milhões aos agentes que tenham cometido irregularidades. Mas o verdadeiro peso vem da ANP: indícios de abusividade em grandes distribuidoras podem resultar em multas de até R$ 500 milhões.


Como afirmou o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, não se pode "turbinar" lucros privados usando um programa custeado com recursos públicos. Em outras palavras: se o governo está subsidiando o diesel para segurar a inflação, esse dinheiro tem que chegar ao tanque do caminhoneiro, e não ficar retido no balanço contábil da distribuidora.

 


Além de retirar temporariamente impostos da cadeia de combustíveis no Brasil, com redução de R$ 1,52 por litro de diesel importado e R$ 1,12 para o diesel produzido no Brasil e de aumentar a fiscalização, o governo esta semana passou a cobrar as distribuidoras de combustívies, tornando a transparência nos preços praticados, com as margens das empresas. O novo decreto que regulamenta a MP 1.349/2026 exige que as distribuidoras abram suas margens de lucro semanalmente. Quem não informar, perde o subsídio. É a digitalização da vigilância: ou o benefício é repassado, ou o desconto do governo cessa. O objetivo é simples: evitar que empresas deixe de repassar o subsídio para engordar o caixa.

 

Abastecimento


Com as medidas e a movimentação no mercado global de energia, o Ministério das Minas e Energia (MME) garante o abastecimento interno. Segundo o ministro Alexandre Silveira informou que as importações contratadas para o mês de abril já superam em 25% a demanda interna de óleo diesel, o que descarta, pelo menos até agora, o risco de desabastecimento. O goveno mantém ainda uma Sala de Monitoramento, com representates do ministéiro, da ANP e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), que se reunem diariamente para fazer o balanço entre oferta de demanda de óleo diesel.


Há ainda instrumentos para o gerenciaemento de crises no setor energético, como a portarina que instituiu o Protocolo Geral de Segurança e de Gerenciamento de Situações de Crise (PGC) para ativos de infraestrutura de energia, mineração, petróleo, gás natural e biocombustíveis. São diretrizes para ação coordenada para garantir o suprimento da demanda e a continuidade dos serviços e permitindo ao governo ampliar a capacidade de resposta e possibilitando a segurança energética do país.


E a estrategia parece estar surtindo efeito. Os dados da última sexta-feira da ANP mostram que o diesel estabilizou e a gasolina recuou levemente. Em tempos de guerra lá fora, a paz no bolso do brasileiro depende, mais do que nunca, de uma fiscalização efetiva sobre os possíveis abusos.

 

Desenvolvimento

R$ 38,4 bilhões

é o valor que a indústria do petróleo e gás projeta investir no Espírito Santo, em um novo ciclo de expansão até 203, segundo o Anuário da Indústria do Petróleo e Gás Natural do ES.

 


Mais carne

A produção de carne suína e de frango deverá atingir neste ano o maior patamar na série histórica da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), superando as 22 milhões de toneladas quando somadas. Com a inclusão da carne bovina, o valor total estimado para a produção das três proteínas é de 33,38 milhões de toneladas, volume próximo ao estimado para 2025, quando o Brasil registrou produção recorde.

 

Menos aço

A produção brasileira de aço bruto no primeiro trimestre de 2026 somou 8,1 milhões de toneladas, queda de 3,1% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados do Instituto Aço Brasil. Na mesma base de comparação, as importações de laminados alcançaram 1,57 milhão de toneladas, alta de 8,3%. Em termos anualizados, o volume de entrada desse produto no país é estimado em 6,26 milhões de toneladas, 9% maior.

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