O que a neurociência revela sobre o poder da 1ª impressão nos negócios
Antes de sermos persuadidos por ideias, somos impactados por sinais: postura, expressão, tom de voz, coerência e a vestimenta
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Em menos tempo do que levamos para apertar a mão de alguém ou dizer “satisfação eu sou fulano de tal”, o cérebro já tomou decisões importantes. Confiar ou desconfiar. Aproximar ou manter distância. Escutar com abertura ou sair de perto. Nos negócios, onde atenção é escassa, tempo é caro e confiança é um ativo estratégico, essa avaliação pode definir o rumo de uma negociação ou de uma liderança.
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A neurociência social ajuda a explicar por quê. Em encontros iniciais, o cérebro opera como um sistema de triagem. Primeiro ele avalia o risco; só depois abre espaço para analisar quem é e o que a pessoa faz. Essa ordem é herança evolutiva desde os primórdios. Antes de entender o que o outro diz, o cérebro precisa decidir se vale a pena investir energia naquela interação. E isso muda tudo no mundo corporativo.
Esse mecanismo é o pano de fundo do livro “Como convencer alguém em 90 segundos", de Nicholas Boothman. Ao longo da obra, o autor mostra que a conexão humana precede o argumento. Antes de sermos persuadidos por ideias, somos impactados por sinais: postura, expressão, tom de voz, coerência e a vestimenta. A sua postura e como se veste, vem antes do perfume, antes mesmo de qualquer palavra.
Nesse ponto entra o sistema límbico, especialmente a amígdala, que funciona como um radar social. Ela prioriza sinais ligados ao pertencimento, intenção e segurança. Por sobrevivência, buscamos semelhança e previsibilidade. Se o cérebro encontra sinais claros, relaxa e escuta. Se encontra ambiguidade, eleva o nível de vigilância. No ambiente de negócios, a vigilância costuma se traduzir em mais objeções, mais testes, mais demora e mais resistência, inclusive a preço.
Muitas decisões podem até parecer racionais, mas, na verdade, são emocionais. Primeiro em milésimos de segundos o cérebro detecta se pode confiar, só depois o pensamento consciente entra para justificar: “não está alinhado com o que acredito” “não estar preparado”.
É aqui que a imagem profissional ganha relevância estratégica. A imagem não é somente para impressionar, ela comunica e reduz ruídos com status, intenção e competência.
Em uma entrevista com Luiza Marangon, consultora de imagem, observa que muitos homens não têm dúvidas sobre moda em si, mas sobre limite e adequação. O receio de errar o código social leva à escolha do básico. O problema é que o básico sem intenção padroniza. E o que padroniza enfraquece a marca pessoal em um mercado onde a reputação decide acesso.
Outro equívoco comum é acreditar que preço compra percepção. A neurociência mostra que o cérebro não lê etiqueta; lê coerência. Não adianta ter roupas caras sem resultados financeiros. Luiza Marangon ressalta que investir em peças caras sem uma estratégia clara pode gerar ruído em vez de valor. O que sustenta uma imagem forte é o alinhamento entre caimento, combinação e intenção, não o valor gasto.
Pequenos ajustes, aliás, produzem grandes efeitos. Detalhes como o comprimento correto da calça, a manga bem ajustada, a escolha adequada de tecidos e o uso estratégico das cores influenciam diretamente a leitura profissional. Tecidos comunicam formalidade ou informalidade; cores sinalizam autoridade, proximidade, leveza ou seriedade. Segundo Luiza Marangon, um processo de imagem bem conduzido equilibra regras do ambiente profissional com personalidade e essência, permitindo que a pessoa esteja adequada ao contexto e, ao mesmo tempo, se reconheça no espelho.
A primeira impressão é estratégica. Em um mundo de decisões rápidas, entender o impacto da própria imagem é assumir o controle da mensagem antes mesmo da primeira palavra. Não para parecer alguém que não se é, mas para garantir que quem você é não se perca no ruído dos primeiros segundos.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
