Se vocês procurarem as minhas colunas do ano passado, encontrarão uma delas com esse mesmo título, e vejam que nada mudou. O que o árbitro Alex Gomes Stefano e o VAR fizeram com o Vitória, a favor do Palmeiras, foi imoral, covarde e caso de polícia. Não é possível o árbitro não expulsar um jogador que dá um a cotovelada num companheiro de profissão, como fez o meia Maurício, fazendo com que o jogador do Vitória Cacá levasse cinco pontos no queixo. Depois desse lance, Maurício fez o primeiro gol do Palmeiras, que não teria saído se ele tivesse levado o cartão vermelho, e ainda expulsou o próprio Cacá, que toca na bola antes de atingir Arias, em lance para amarelo e que o VAR mandou dar vermelho, e Luan Cândido, que fez gesto de “roubo” para o árbitro.

Ano passado, tiraram o título brasileiro do Cruzeiro, ao tomarem 15 pontos do time mineiro em lances vergonhosos. Mostrei cada um deles no nosso programa no Youtube, JaeciCarvalhoEsportes, e quem quiser relembrar é só entrar no canal. O gol de mão, do Memphis “demão” do Corinthians, também tirou o Cruzeiro da final da Copa do Brasil. São erros crassos, que estragam um trabalho de um ano inteiro. Os clubes de Minas, Rio Grande do Sul e do Nordeste são os mais prejudicados, e os favorecidos são sempre Palmeiras, Flamengo e Corinthians. É preciso que os clubes se unam e deem um basta nisso. O único caminho é a criação da Liga, onde eles possam gerir seus destinos financeiros, de competição e até de arbitragem. Que criem um centro de treinamento para árbitros e façam uma renovação geral nesse atual quadro, que parece estar envolvido pelo sistema.

O colunista Lauro Jardim, de O Globo, publicou notícia de que o presidente da CBF, Samir Xaud, viajou no avião particular da presidente do Palmeiras durante a Copa do Mundo, aqui nos Estados Unidos. Isso é no mínimo imoral, embora não seja ilegal. Não acredito que seja o caso, mas isso gera dúvidas no torcedor, que quando percebe que o Palmeiras tem sido beneficiado sistematicamente já liga uma coisa a outra. É um direito do torcedor, principalmente, diante de uma entidade sem credibilidade com o povo, como é a CBF. Um dirigente tem que tomar cuidados pertinentes ao seu cargo. É a mesma coisa de um ministro do Supremo viajar no avião, lado a lado com o advogado do Vorcaro, e participar de festas e encontros regados a whisky, em Londres. Se não é ilegal, é, no mínimo, imoral.

Por que a CBF não organiza jogos, o ano inteiro, com Flamengo e Palmeiras se enfrentando? Ela pode criar nomes para as taças e cada um ganha num determinado mês. Fica mais ético do que esse protecionismo descarado. A CBF tem que entender que os outros filiados têm o mesmo direito que Flamengo e Palmeiras, e deveriam ter o mesmo tratamento, com isenção e isonomia, sem privilégios para qualquer lado. Vivemos um futebol viciado, pobre, na lama. A Seleção Brasileira é o maior reflexo disso, com campanha pífia no Mundial deste ano, e que irá completar 28 anos sem ver a cor da Copa Fifa. Não há mais credibilidade e critérios. Até acho que os árbitros erram por não terem critério, pois se um dia a gente achar que há má fé é melhor nos retirarmos do futebol, pois ninguém quer trabalhar em jogo de cartas marcadas. Mas é preciso modernizar e padronizar a arbitragem brasileira. Em defesa dos árbitros, eu digo também que é preciso tomar providências contra os jogadores brasileiros que os cercam a toda hora, numa marcação de falta, penalidade ou qualquer outra coisa. É preciso dar tranquilidade ao árbitro para que ele faça seu trabalho.

Enfim, ou a CBF usa o mesmo critério para todos os seus filiados ou então desiste de organizar competições e de comandar a arbitragem. Aliás, sou a favor de a entidade cuidar única e exclusivamente da Seleção Brasileira. Os clubes não conseguem se unir em prol deles próprios na criação da Liga. Eles não precisam da CBF, nem tampouco das federações. Elas não existem em lugar nenhum do mundo. As Ligas, sim, estão em todos os cantos do Planeta Bola. O futebol pelas bandas da América do Sul agoniza, e não vejo solução a curto prazo, a não ser que os donos de clubes, SAFs, tomem as rédeas e ditem novas regras, onde a decência, transparência e isonomia sejam realmente respeitados.

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