Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
Gianni Infantino, há 10 anos como presidente da Fifa, pisou na bola nesta Copa do Mundo e, logo após o torneio, anunciou que venderia 20% dos próximos Mundiais por US$ 20 bilhões (cerca de R$ 100 bilhões) para uma empresa privada. O tiro saiu pela culatra. A maioria das confederações filiadas à entidade disseram não, e Infantino ficou numa sinuca de bico, sem credibilidade e fragilizado no cargo.
A Uefa, através de seu presidente, o esloveno Aleksander Ceferin foi o primeiro a gritar e dizer que as seleções europeias não disputariam Copas, caso o plano de Infantino fosse adiante. Bastou isso para a implosão da ideia. Porém, uma confederação apoiou Infantino e o quer reeleito. Se vocês adivinharem qual, eu dou um prêmio. Claro que só poderia ser a Conmebol, pois pelas bandas da América do Sul as pessoas estão acostumadas com falcatruas, que o diga o Fifagate em 2015, que pegou todos os “ratos com a boca na botija”.
Nicolaz Leoz e José Maria Marin, já falecidos, foram presos. Outros, tirados dos cargos, alguns renunciaram e outros estão impedidos de viajar para outro país, sob pena de prisão. Basta vermos a desorganização nas competições sul-americanas para constatarmos a incompetência dos dirigentes.
Apoiar um cara que está há 10 anos no poder, que queria sextuplicar seu salário e vender o futebol para empresas privadas, é realmente estar na contramão da história. Aliás, já passou da hora de o presidente da Conmebol, Alejandro Domínguez, também pedir o boné e sair. Essa perpetuação no poder não é saudável e cria vícios.
Sou a favor de dois mandatos e de uma renovação imediata. Novas cabeças, nova forma de pensar e agir. Infantino ganha uma fortuna por mês, é recebido por reis, chefes de estado e vive fazendo política mundo afora. Na Copa deste ano, era visto nas tribunas, caviar e champagne, voando em jatos particulares para acompanhar a pelo menos dois jogos por dia. Chega! Basta! Já deu, Infantino.
A ex-jogadora e vice-presidente da Uefa, Laura McAllister, é candidata as eleições que serão realizadas em 18 de março de 2027. Já passou da hora de uma mulher dirigir o futebol mundial. Vale lembrar que a Copa de 2030 será na Europa, África e América do Sul, com Portugal e Espanha (Europa), Marrocos (África), e Argentina, Paraguai e Uruguai, com um jogo em cada um desse países, em comemoração aos 100 anos da Copa do Mundo.
Infantino chegou ao cúmulo de prometer a final daquele Mundial para o Marrocos, sendo que já estava decidido que a final será em Madri, no Santiago Bernabéu. O que leva essas pessoas a se perpetuarem no cargo? Sede de poder e prestígio que o cargo dá. O brasileiro João Havelange ficou 24 anos no comando da Fifa. Fez a entidade crescer e a transformou numa potência, principalmente com os patrocínios que tornaram a entidade bilionária, mas 24 anos é como uma ditadura, e isso não é bom para ninguém. Alternância no poder sim, é saudável.
Não tenho nada contra o presidente Gianni Infantino. Nas vezes em que o encontrei, sempre me tratou com respeito, carinho e admiração. Porém, acho que 10 anos é um tempo suficiente para qualquer cargo diretivo. Dois mandatos, para que ninguém fique viciado ou suscetível à troca de favores. Sou bem a favor das mulheres comandando todos os setores da vida, e o futebol, principalmente, precisa delas.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Que as confederações se mobilizem e resolvam apoiar Laura McAllister. Se a Conmebol for contra McAllister, eu estarei sempre do lado oposto, pois nada me cheira bem pelas bandas da América do Sul e CBF. Vejam que o presidente Samir Xaud também apoia Infantino. São entidades acostumadas à troca de favores, e isso não é nada bom. Acho que a Fifa poderia colocar em seu estatuto um tempo determinado para presidentes. Dois mandatos e pronto. É tempo suficiente para se construir algo positivo, sem corrupção ou coisa parecida.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
