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Gianni Infantino está como presidente da Fifa há 10 anos e busca mais uma reeleição. Ele foi indicado após o Fifagate, em 2015, e teve o apoio de todas as confederações. Faz uma gestão séria, transparente e sem escândalos, mas cresceu o olho e sugeriu vender 20% dos direitos da Copa do Mundo por R$ 100 bilhões para entidades privadas, e levou um sonoro não do mundo do futebol.
A Fifa não é banco, nem tampouco uma instituição financeira, ávida por milhões ou bilhões de francos suíços. E vamos falar a verdade: alternância no poder e na gestão é saudável em qualquer área, principalmente na Fifa.
Infantino teria um ganho seis vezes maior em seu salário caso o projeto vingasse, e isso pegou muito mal. Várias confederações negam apoio a sua reeleição e ele vai passar aperto para se manter no cargo.
O que leva alguém a querer ficar no poder por tanto tempo? Dinheiro, prestígio e se sentir o dono do futebol mundial. Infantino é “boleirão”, sabe agradar os ex-jogadores, convidando-os para a Copa do Mundo, com tudo pago, hotéis luxuosos e ainda um cachê, que, dependendo do ex-atleta, pode ser bastante alto.
Assim, ele foi conquistando parte da “trupe” do futebol, mas sua atuação na Copa dos EUA, México e Canadá deixou marcas ruins, como o cartão vermelho que a Fifa anulou, a pedido de Donald Trump, segundo denúncias, do jogador Balogun, e uma “possível ajuda aos argentinos”, sendo pego, inclusive, comemorando gols de Messi.
Acredito que o tempo de Infantino acabou. Vamos renovar a Fifa, para que um novo presidente possa rever determinadas situações e que privilegie a arte, o drible, o gol, a qualidade, e não somente o dinheiro. Infantino prestou bons serviços, mas não deveria concorrer mais.
Se as confederações se unirem, elas derrubam sua intenção de se perpetuar no cargo. O futebol precisa de gente nova, sangue novo, de gente que pense para frente e que não tenha compromisso com A ou B.
O futebol tem esse vício de manter nos cargos dirigentes que se perpetuam no poder. No mundo moderno isso não cabe mais. É preciso oxigenar o futebol.
Gostei muito da Copa com 48 seleções. Eu era contra, mas foi um sucesso e dei minha mão à palmatória. Já com 64, ideia de Infantino para 2030, acho excessivo. Claro que ele tem o objetivo de agradar a mais confederações, para que votem nele.
Essa ideia de Copa em três países, além dos três jogos no Paraguai, Uruguai e Argentina, comemorando os 100 anos da Copa do Mundo – a primeira foi disputada em 1930, no Uruguai –, não me agrada. Teremos Copa em três continentes: europeu (Portugal e Espanha), africano (Marrocos) e americano (Uruguai, Argentina e Paraguai).
Lembrando que nosso continente é americano e não América do Sul. A América do Sul não é um continente. O deslocamento é difícil, os preços são exorbitantes, hotéis e passagens aéreas inviáveis e por aí vai.
A melhor Copa de todas foi a do Catar, pois os jogos eram disputados na mesma cidade, com metrô gratuito, seguro, onde a gente ia a dois jogos por dia, o que é impossível numa Copa em três continentes.
Infantino, não se apegue ao cargo. Deixe a coisa fluir e saia pela porta da frente. Já deu o seu tempo. Vamos abrir espaço para outro presidente, que pense mais moderno, que não tenha sede de poder e que perceba que dois mandatos são suficientes para se fazer um bom trabalho. Qualquer coisa além disso significa sede de poder.
Sou a favor de mudanças em todos os segmentos e no futebol, tão viciado ultimamente, ainda mais. E que o próximo presidente entenda que a Fifa não é banco e que deve gastar o que arrecada com os seus filiados, melhorando o futebol, principalmente nos países mais pobres.
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Por um novo presidente na Fifa em 2028.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
