A Itália, tetracampeã do mundo, ausente nas três últimas edições de Copa, resolveu dar nova oportunidade ao técnico italiano Roberto Mancini, campeão da Eurocopa em 2021. A Alemanha aposta no também alemão Jurgen Kloop. A Espanha, atual campeã do mundo, tem em La Fuente, espanhol, seu treinador. E o Brasil, na contramão da história, mantém o italiano Carlo Ancelotti, com um contrato de 4 anos, onde ele vai ganhar R$ 240 milhões, uma quantia absurda para um futebol falido e quebrado como o nosso. Além disso, o trabalho do mister foi dos piores da história, assim como a colocação do Brasil, eliminado pela Noruega, nas oitavas de final. Os números de Ancelotti são um fracasso, mas por ter ele grife de melhor treinador do mundo, a CBF entuba e vai passar novo vexame em 2030. Não é culpa só dele, o material humano é dos piores da nossa história, além de ele ter convocado muito mal, levando vários ex-jogadores em atividade.
Não precisa ser vidente para saber que o Brasil não ganhará uma Copa tão cedo. Somos desorganizados como país, e o futebol é um reflexo disso. Clubes quebrados, de pires na mão, jogadores ganhando salários de Europa, dirigentes confundindo seu cartão de crédito pessoal com o corporativo, bola rolando 45 minutos e outros desmandos. Uma CBF sem um presidente de verdade, de pulso, que deveria ter exigido que jogadores e técnicos desembarcassem no Brasil, juntos, para dar explicações sobre o fracasso. Ao contrário disso, liberou todo mundo e o avião, fretado, voltou vazio. O dinheiro da CBF deveria ter caráter público, pois deveria ser usado para o maior patrimônio esportivo do povo, que é a seleção, mas não é isso o que vimos. As denúncias estão aí, para quem quiser ver.
O problema do nosso futebol é estrutural. As divisões de base, que sempre foram celeiros de craques, estão sucateadas, e quando surge um garoto bom de bola, logo ele é vendido para o exterior. Ninguém se firma por essas bandas, ninguém tem mais amor ao clube formador. A grana fala mais alto. A CBF, que deveria cuidar somente da seleção, organiza competições de clubes, pois eles não conseguem formar uma Liga, viver em harmonia e se educarem financeiramente. As exceções são Flamengo e Palmeiras, que ajeitaram sua casa financeira, e disputam todas as taças possíveis. Uma vez ou outra, entra um intruso. Estamos na lama há tempos e fomos buscar uma solução que mais parece um pesadelo. Ao privilegiar a “panela dos aposentados”, Ancelotti rejeitou jogadores de alto nível, como Matheus Pereira, Pedro e Kaiki. Não me venha agora convocá-los para amistosos caça-níqueis. Os torcedores de Flamengo e Cruzeiro estão se lixando para essa seleção.
Sou a favor de uma comissão brasileira com Vanderlei Luxemburgo no comando e Renato Gaúcho como treinador. Garanto que eles farão melhor que o técnico italiano. Nenhuma seleção no mundo foi campeã com técnico estrangeiro no comando, e não seria o Brasil a exceção. Ganhamos cinco taças do mundo com treinadores nativos e deveríamos manter essa escrita. A safra é ruim, mas é preciso formar uma nova geração de técnicos e jogadores. A 4 anos do Mundial de 2030, já afirmo aqui: o Brasil não tem a menor chance de ser campeão do mundo. Não adianta Movimento Verde e Amarelo, otimismo exagerado de torcedores de camarotes e exigência de patrocinadores. Ou o nosso futebol acorda para restabelecer as divisões de base, pondo gente competente no trabalho de lapidar garotos, ou enterramos de vez o nosso futebol, que agoniza cada vez mais, numa morte lenta e sem caminho de volta.
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