Pelo povo, lutem com sangue nos olhos e talento nos pés
Vou para o Met Life Stadium na esperança de ver um grande jogo e um Brasil nos surpreendendo contra Marrocos
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Nova York – Aqui estou, na Big Apple, novamente, para começar a minha décima primeira cobertura de Copa do Mundo, a nona in loco. Quando cobri a Seleção em 1986, na Toca da Raposa, com Zico, Reinaldo, Éder, Júnior, Sócrates e outros gênios, jamais imaginei que um dia nós teríamos medo de enfrentar o Marrocos e que o time africano fosse considerado favorito para o confronto. Pois é, mas com a perda de prestígio, de talentos e de dignidade, o nosso futebol sucumbiu, e hoje ninguém nos teme mais. No passado, iríamos perguntar de quanto o Brasil ganharia. Hoje, temos dúvidas se conseguiremos fazer gols nos africanos. São os novos tempos, sombrios, onde tudo é escondido, e que um jogador machucado é convocado na esperança de jogar 10 ou 15 minutos nos jogos mata-matas, sem saber se o Brasil estará lá. Claro que numa Copa em que até terceiros colocados avançam, o Brasil não corre o risco de ficar fora, mas que é preocupante, isso é.
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Tenho vários amigos que estão otimistas em relação ao time brasileiro chegar à final. Tudo pode acontecer em jogos eliminatórios. Se a Copa fosse uma competição de regularidade, a França seria campeã com o pé nas costas, mas, numa noite infeliz, numa expulsão de um jogador, tudo muda e o favorito pode sucumbir. Brasil, Alemanha e Itália (esta última fora das duas últimas Copas e desta também) são sempre favoritos, pois são as únicas com mais títulos. O Brasil com cinco, alemães e italianos com quatro. Mesmo a gente estando atrás de Portugal, Espanha, França, Argentina, Inglaterra e Holanda, eu nunca descarto nosso time, mas, como analista de futebol, sou realista.
Acho muito difícil o Brasil, com esse goleiro e essa defesa horrorosa, conseguir avançar. Talvez até chegue às quartas de final, mas, daí pra frente, não acredito de jeito nenhum. Carlo Ancelotti tem sido uma decepção. Não quis levar Matheus Pereira, único 10 de ofício, para levar Paquetá e outros engodos. Na hora em que estiver perdendo uma partida importante, e olhar para o banco, não terá opções para mudar o sistema de jogo.
E olha que o corte de Wesley proporcionou a ele convocar MP, mas ele preferiu Éderson, para fechar a casinha, que anda vulnerável. E cá pra nós, Éderson está indo para o United, por indicação de Casemiro, pupilo de Ancelotti. Entenderam como funciona o sistema? MP joga no Brasil e quem joga no país do “futebol” tem menos chances do que qualquer “europeu”. Infelizmente, a CBF funciona assim há tempos. Dizem que o técnico tem autonomia nas convocações, mas o torcedor desconfia que empresários é que determinam quem deve ou não ser convocado.
O torcedor tem o direito de pensar o que quiser, eu não. Só falo aquilo que posso provar, mas que é estranho haver 15 jogadores no atual escrete, que pertencem a dois empresários, conforme publicado na imprensa nacional, ah isso é! Enfim, vou para o Met Life Stadium, que a Fifa nos obriga a chamar de Estádio de Nova Iorque, pois não aceita namerights em suas competições, na esperança de ver um grande jogo e um Brasil nos surpreendendo contra Marrocos. Quero crer que o time brasileiro vai atropelar o Marrocos e colocá-lo no seu devido lugar. Os marroquinos chegaram ao quarto lugar na Copa do Catar e prometem mostrar que aquilo não foi por acaso. Tem jogadores importantes atuando na Europa, entre eles o bicampeão da Champions, o melhor lateral-direito do mundo, Hakimmi.
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Será a primeira Copa do Mundo dos meus filhos junto comigo. Estarei na tribuna de imprensa, e eles juntinhos, bem perto do gramado. O Lorenzo, meu mais novo, é apaixonado pela Seleção Brasileira e garante que o Brasil será finalista. Já o João Tadeu não é muito ligado ao futebol, mas ama o Brasil. Ambos estarão devidamente uniformizados com a camisa do nosso time. Ambos nasceram depois de 2002 e jamais viram o Brasil ganhar uma Copa. Mas estiveram no Maracanã, na conquista do ouro inédito. Portanto, pelos meus filhos e por todos os apaixonados pelo nosso futebol, não nos decepcione, Brasil. Com ou sem favoritismo, vamos lutar pelo hexa, com sangue nos olhos e arte nos pés.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
