A diferença entre o sucesso e o fracasso
Enquanto o vôlei valoriza sua formação, o futebol ignora essa necessidade e despreza os clubes pequenos, além de não ter qualquer projeto escolar
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A Seleção Brasileira de futebol e o vexame na Copa do Mundo, eliminada nas oitavas de final, ainda é assunto. Muito mais que isso já deveria ter sido discutido, mas não foi.
Acontece que os meses de junho e julho não foram apenas de disputa da Copa do Mundo de futebol. Ao mesmo tempo aconteceram as duas últimas fases da Liga das Nações de Vôlei, que substituiu o Grand Prix.
Pois as disputas paralelas permitiram que fossem analisadas as atuações de cada uma das equipes representantes do Brasil e as diversas situações que vivenciaram.
Vou primeiro ao futebol. Nossa Seleção era um amontoado de jogadores. Não haviam craques, como os que tivemos no passado, aqueles jogadores que desequilibravam.
Pior, a nossa Seleção foi um time que não tem mais a característica do futebol brasileiro. Pelo contrário. O que se vê em campo é uma tentativa de copiar o futebol europeu. Abandonamos nossas características.
Onde está o driblador? É a primeira pergunta que faço. Onde estão os pontas? Onde estão os armadores? Onde está o camisa 10? Existe, ainda, algum camisa 10 genuíno nos dias atuais no futebol brasileiro?
A resposta para todas essas perguntas, infelizmente, é um sonoro NÃO.
Vamos mudar para o vôlei feminino, que chegou à final da Liga das Nações de Vôlei, disputada neste domingo, em Macau, quando o Brasil ficou com o vice-campeonato, derrotado pela Turquia por 3 a 1 (23/25, 25/23, 26/24 e 25/21).
Neste esporte, nesta modalidade, o Brasil é o segundo do mundo no ranking mundial, atrás da Itália e à frente da Turquia. Aliás, desde a conquista do ouro nos Jogos Olímpicos de Pequim’2008, nossa seleção sempre esteve entre os três primeiros dessa classificação mundial.
Ao longo da competição, diversos detalhes foram registrados. Por exemplo, perdeu duas de suas principais jogadoras. Uma delas, a mineira Gabi, que ficou de fora da fase final da competição, recuperando-se de um desconforto na lombar, que sofreu ainda na fase de classificação, no Brasil.
Já na fase decisiva, não contou com Júlia Kudiess, jogadora do Minas, que sofreu uma grave lesão no ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho esquerdo na reta final da fase classificatória contra os Estados Unidos.
Perdeu também Tainara, que teve uma lesão no tendão quadriciptal do joelho direito durante os treinamentos em Barueri antes da terceira semana da competição.
Mas as contusões não foram sentidas em quadra, pois o time mostrou a mesma garra de sempre e obediência tática imposta pelo técnico José Roberto Guimarães, o único treinador do mundo detentor de três medalhas de ouro em Jogos Olímpicos.
Vocês podem me perguntar: “como isso é possível?”
Em primeiro lugar, o vôlei mantém uma tradição, a de clubes formadores. Não vou falar dos atuais times das jogadoras, mas, sim, onde iniciaram suas carreiras.
Vou começar por Minas Gerais. Por aqui, Minas, Mackenzie e Olympico sempre formaram jogadoras que chegaram à Seleção Brasileira. Do Minas, saíram Hilma, Ana Paula, Ana Flávia, entre outras. Do Mackenzie, Sheila, Érica, no passado, e agora, a levantadora Roberta, que não começou no clube, mas lá se profissionalizou e se aprimorou. Do Olympico, Larraine. Márcia Fu deu os primeiros toques em Juiz de Fora.
Em São Paulo, Osasco, Pinheiros, Paulistano, Barueri e São José são clubes formadores. No Rio, Flamengo, Fluminense e Tijuca. E também temos equipes nos Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
Pois é. Sem a formação, é impossível termos atletas de ponta. E ainda é preciso dizer que a maioria das atletas tem sua iniciação em escolas, depois vão para os clubes, onde estouram, chamando a atenção e acabam chegando à Seleção.
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Pois é. Enquanto o vôlei valoriza sua formação, o futebol ignora essa necessidade e despreza os clubes pequenos, além de não ter qualquer projeto escolar. Ou seja: vai acumular fracasso em cima de fracasso.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
