Ivan Lins tem paixão pela culinária, pela música e por Minas Gerais. Tanto que se considera “o carioca mais mineiro do Rio de Janeiro”. Esta relação é tão estreita que um de seus dois apelidos veio de uma garotinha no interior do estado. “Ela chegou com bloquinho, canetinha, e disse: 'Ô 'Ivaniz', gosto muito d'ocê. Me dê um 'autófris'?”, relembrou, imitando o sotaque carregado da fã. “Isso é maravilhoso, só acontece em Minas”, contou Ivan durante o show de sábado (23/5), no BeFly Minascentro.

• LIMA

Não foram poucas as histórias entre as 24 canções em duas horas de show. “Ivaniz” ganhou seu outro apelido, Lima, no Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro, quando “O amor é meu país” ficou em segundo lugar. No palco do Maracanãzinho, o apresentador Geraldo José de Almeida, locutor da Copa de 70 na Globo, anunciou a entrada de “Ivan Lima”. “Começaram a me chamar de Lima, e eu odiava. Se você não gostar do apelido, aí que ele pega”, comentou, entre risadas do público.

• PSICOPATAS

Ivan Lins também falou sério, ao comentar a intolerância que vem dominando o mundo. A culpa, afirmou, é “dos vários psicopatas que saíram do armário”. De acordo com ele, “está nas mãos da arte, não só brasileira, mas do mundo, tentar superar isso e dar sua contribuição para que as pessoas possam amenizar tantos malefícios às nossas cabeças”. Ivan desabafou: “Não éramos assim. Éramos bem melhores e temos de recuperar isso. A música, junto desses músicos maravilhosos, é o meu caminho.”

• APANHADO DE CANÇÕES

“Este espetáculo é para celebrar, mais uma vez, meus 80 anos, quase 81, e 56 anos de carreira, porque dobramos o ano. É, basicamente, o apanhado de canções que apareceram em momentos muito marcantes da minha trajetória”, explicou Ivan, citando as parcerias com Ronaldo Monteiro de Souza e Vitor Martins. Também falou da importância das novelas, várias delas embaladas por suas canções, e do fato de seu trabalho ter marcado momentos bonitos na vida das pessoas. “Estamos aqui para falar de afeto, de coisas boas”, avisou.

• LITERATURA MUSICAL

Ivan Lins rememorou as canções que compôs com Paulo César Pinheiro, Celso Viáfora, Caetano Veloso e Chico Buarque “Gente muito fina, caras que fazem parte da melhor literatura musical do planeta. No mundo, não existe nada parecido com as letras feitas no Brasil. Tive a sorte de ser parceiro de alguns deles.” Revelou que ficou encantado ao se deparar com Milton Nascimento, Clube da Esquina e Tino Gomes, além da música dos vales do Jequitinhonha e São Francisco, congos, catiras e folias.

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• NA COZINHA

Se alguém quiser tirar Ivan Lins do sério, é só lhe oferecer goiabada-cascão com queijo de Alagoa, cidade do Sul de Minas. “Fazem queijos maravilhosos por lá”, garantiu, citando também o franguinho desfiado, jiló e cachacinha. “Aprendi a comer jiló aqui em Minas, na casa de um mineiro. Cortaram o jiló em rodelinhas, passaram na farinha e jogaram na frigideira”, ensinou, antes de suspirar: “Ah, meu amigo...”

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