O AMOR É REVOLUCIONÁRIO
No Baretto, o bar do Hotel Fasano, em Belo Horizonte, Mãeana pode ter feito, sexta-feira (15/5), o show com o menor número de fãs na plateia (foram apenas 74 pessoas, capacidade máxima da casa). Mas nem por isso foi o menos animado da carreira da cantora baiana, que passou por Belo Horizonte com a turnê do disco "Mãeana canta JG". "Para quem não sabe ou não conhece, esse show mistura o repertório de João Gomes, esse recente gigante do Brasil, ao repertório de João Gilberto, nosso gigante antigo", disse Mãeana logo no início da apresentação.
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SOFRÊNCIAS
Basicamente, segundo ela, show e disco, o quinto da carreira, falam do amor romântico. "São sofrências. No caso, me sinto até na responsabilidade de fazer um alerta...quem nunca, né, teve sua vida desgraçada por ele. Vamos com um pouco mais de neutralidade", brincou com a sua própria história. Juntos há 16 anos, Mãeana e Bem Gil, um dos filhos de Gilberto Gil, se casaram em 2021 depois de polêmicas de traição. O casal é pai de Dom e Sereno.
AUTOAJUDA
"Vocês vão perceber que esse show tem um pouquinho de autoajuda. Tem uma coisa motivacional, que eu acho importante", comentou antes de cantar "Meditação". "A canção fala sobre o amor romântico que deixa a gente fraco, racional, e o amor não é isso não. O amor é revolucionário, é ação, é coisa que pode mudar o mundo, de verdade."
IZAURA
Apesar das 20 canções do show serem do repertório de João Gilberto e João Gomes, Mãeana faz referências a outros cantores e compositores que têm alguma relação com os homenageados ou com amor romântico. Antes de cantar "Izaura", Mãeana dedicou aquele momento a Miucha, ex-mulher de João Gilberto. “Acho que o único casamento que ela teve na vida. E tem uma frase dela que acho linda, uma dica de relacionamento que ela dá: ‘o segredo do casamento é você se separar o mais rápido possível’”, disse provocando risos na plateia.
CHICO E RITA
Chico Buarque também foi lembrado com "Bastidores", que, na opinião de Mãeana, "é um grande clássico da MPB, que escuta desde pequenininha e foi composta pelo meu símbolo sexual da adolescência". Marota, ainda brincou. "Ele é militante, poeta, geminiano pra caramba, tudo em gêmeos no mapa (astral) dele, né.? Não presta, mas é um símbolo sexual e é o que importa." De Rita Lee, cantou "Desculpe o auê", que ela definiu como uma canção de exorcismo. "Dentro do amor há um sentimento que não serve para nada, é inútil, já comprovei. Não gera nada de bom, não presta e vamos exorcizar agora. Sinto ele desde que nasci, chama ciúmes. Tem gente que não sente, esses estão na quinta dimensão. Rita tem essa canção linda. Ela sentiu, deixou um bilhete para o Roberto (de Carvalho, marido dela), que fez essa canção."
MINEIRO INCRÍVEL
De um grande amigo – "maravilhoso, mineiro incrível, João Bernardo, compõem para mim desde o primeiro disco" – ela cantou "Tapete voador". "Não sou boa compositora, mas sou muito boa convencedora dos compositores. Pedi a ele uma canção. Queria uma coisa desse tipo, mas que não fosse sofrência, não fosse amor romântico. Também queria que não tivesse nada com maternidade. Meus projetos anteriores têm a ver com maternidade. Mas ele não conseguiu, colocou uma criança na música, porém, nao é amor romântico."
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HISTÓRIAS PESSOAIS
Talvez o momento que mais chamou a atenção foi quando Mãeana contou a sua relação com "Eu sei que vou te amar", de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. "No primeiro velório que fui na minha vida, era criança, minha família deu as mãos e cantou essa canção. Lembro como se fosse ontem a sensação que eu senti. Foi muito cafona. Pensei, por que eles estão cantando essa música? Com o tempo, fui entendendo. Podemos dedicar aos encantados, aos amores que fizeram a passagem." Mãeana voltou para casa com a promessa de retornar ao Baretto, onde foi aclamada como "maravilhosa, linda, diva".
