Termina neste domingo (12/4) a 22ª SP-Arte, principal feira de arte e design do Brasil, que reúne 180 expositores no Pavilhão da Bienal no Ibirapuera, na capital paulista. De Minas Gerais participam as galerias ArteFASAM, Albuquerque Contemporânea, Mitre, Manoel Macedo Arte e Sandra & Marcio; o Estúdio Dentro, na área de design; e Inhotim, que representa Minas no setor de instituições culturais.
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Tamara Perlman, diretora de novos negócios da SP-Arte, é otimista quanto às vendas. “Tivemos ótimo público, e público de qualidade. Muitas obras foram fechadas antes da feira abrir, na quarta-feira, dia exclusivo para convidados. E continuaram indo bem”, informa. Tamara afirma que a expectativa para 2027 é manter a atenção internacional obtida este ano.
• DESIGN
“Celebramos os 10 anos do design com a presença de 54 galerias no térreo e 10 designers autorais e independentes no setor Design NOW, no terceiro andar, que é um sucesso”, festeja Tamara Perlman. “Os retornos foram muito positivos e tivemos a certeza de que o design se consolidou como parte estruturante da feira, sendo esperado com entusiasmo não só pelos participantes, mas pelo público de arquitetos e colecionadores”, diz ela. “Também tivemos prêmios para artistas e designers com parceiros que queremos manter no futuro”, revela.
• GEOPOLÍTICA
A coluna ouviu representantes das galerias mineiras sobre o mercado interno de arte. De um lado, haverá eleição presidencial no Brasil; de outro, explodiu o conflito EUA-Irã-Israel. “No cenário geopolítico atual, o esperado é a retração no mercado internacional. No entanto, o último relatório anual da Art Basel/UBS mostra o mercado global aquecido e em ascensão. É um momento complexo para fazer previsões”, afirma Lucas Albuquerque, da Albuquerque Contemporânea. “A própria SP-Arte nos ajuda a entender a disposição do colecionador brasileiro de fazer investimentos relevantes”, comenta. Lucas conta que sua galeria adotou o caminho da desierarquização em 2026. “Artistas emergentes e consagrados compartilham do mesmo protagonismo no nosso estande da SP-Arte. Buscamos destacar a força coletiva do diálogo que criamos entre as produções dos nossos representados.”
Inhotim está entre as instituições culturais que divulgam seu trabalho na SP-Arte, na capital paulista
• SORORIDADE
Rodrigo Mitre, da Mitre Galeria, diz que o momento exige atenção especial. “Estamos diante de atrocidades frente às quais devemos nos mover, ter sororidade e estar atentos para que o Brasil possa se superar como nação e democracia”, comenta. Todos os mercados, não só o da arte, são muito afetados pela conjuntura, pondera. “Nessas horas, quem faz trabalho sério sobressai.” A Mitre participa da Expo Chicago, nos EUA. Em São Paulo, a galeria exibe obras de Ge Viana, Manauara Clandestina, Davi de Jesus do Nascimento, Gisele Camargo, Wallace Pato e Benedict Wiertz.
• CAUTELA
Marcos Garcia Macedo, da Manoel Macedo, avalia que o cenário geopolítico mundial pode levar colecionadores à cautela, o que tem impacto sobre artistas emergentes e galerias de médio porte. “O interesse no mercado secundário pode crescer, por causar maior sensação de segurança e familiaridade. No entanto, é interessante pensar como esses contextos afetam as narrativas dos artistas”, pondera. “Em momentos de crise e polarização política, a arte se torna um espaço simbólico de disputa, é ferramenta ativa de interpretação e elaboração do mundo. Uma forma de registro histórico. Mais do que pensar em crise, é importante saber que há energia para o surgimento de novas vozes consolidando o papel da arte como campo crítico”, diz.
Manoel Macedo levou para a SP-Arte o trabalho da belo-horizontina Marta Neves. “Reunimos um conjunto de obras que evidenciam a força e a singularidade de sua produção”, diz Marcos.
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• CENÁRIO AGITADO
Tamara Perlman, diretora da SP-Arte, garante: “O mercado brasileiro é maduro, resiliente e cresce de forma sustentável, sem sofrer abalos mais drásticos, para cima ou para baixo, que observamos na Ásia, Estados Unidos e Europa. Isso ficou claro na pandemia e se repetiu nos últimos anos.”
