Coisa rara no showbiz, a pontualidade chamou a atenção na segunda e última noite da turnê que Raimundo Fagner levou ao Palácio das Artes no sábado e domingo (21 e 22/3). Exatamente às 19h02 (a apresentação estava anunciada para as 19h), os primeiros acordes de “Quem me levará sou eu”, de Dominguinhos, ecoavam pelo Grande Teatro. Claro que parte do público, pouco afeito ao relógio, precisou acender lanternas dos celulares para procurar assentos. Apesar do incômodo das luzes e do zum zum zum dos retardatários, o início da apresentação não perdeu o brilho.

As canções da turnê “Muito amor”, indiscutivelmente as preferidas dos fãs, foram apresentadas em sequência, sem muita conversa com a plateia. Quando Fagner decidia trocar palavras com o público, sua voz era engolida pelo som da banda. Na plateia, homens e mulheres soltaram o gogó. Tanto em elogios (“lindo” e “maravilhoso” foram os mais ouvidos) quanto para acompanhar o cantor nos refrões e em boa parte das canções. Fagner subiu ao palco com Cainã Cavalcante (violão), Thiago Almeida (teclados), Freitas (sanfona), Stênio Gonçalves (guitarra), Netinho Sá (baixo) e Robinho (bateria).

• SÃO FRANCISCO

Muita gente gritou o nome da canção preferida, manifestando o desejo de ouvi-la. “Já esqueci 'Borbulhas de amor'”, brincou Fagner, ao responder a um fã. A música estava no roteiro. “Quero ver se alguém se lembra desta”, perguntou ele, antes de “Coração alado”. No meio da apresentação, após um deslize, Fagner elogiou a banda. “É uma bênção estar neste palco tão bem acompanhado. O erro é consertado aqui mesmo”, disse. A grande surpresa da noite foi a versão de Fagner para “Oração de São Francisco”, gravada por ele nos anos 1980.

Fagner brinca com o público durante show no Palácio das Artes, na noite de domingo (22/3)

Daniel Stone/divulgação

• “CANTEIROS”

O show já caminhava para o fim quando alguém, revoltado, cobrou de Fagner canções que ficaram fora do repertório. “Você não cantou 'As rosas não falam'”, gritou. A mulher que passou os últimos 15 minutos da apresentação colada no celular reclamou: “Ele não cantou 'Canteiros'!”. Espremida na fila do gargarejo, a fã a corrigiu: “Você não prestou atenção, foi a quarta música”. Mais uma cobrança do coro das descontentes: “Ele não cantou 'Cebola cortada'!”.

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Enquanto isso, Fagner e banda saíam de cena. “Ele é fantástico!”, elogiou uma. “Não deu tchau, vai voltar”, disse outra, que só saiu da frente do palco quando a amiga deu o ultimato: “Vamos embora que o nosso caminho é longo.”

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