Os mineiros terão um motivo a mais para ficar com os olhos grudados, amanhã (16/2), na Sapucaí, no Rio de Janeiro. O mineiro Alan Keller, coreógrafo associado, volta à Mocidade de Padre Miguel, ao lado do coreógrafo Marcelo Misailidis, no enredo em que a verde e branco de Realengo homenageia Rita Lee, com o enredo “Rita Lee - A padroeira da liberdade”.

“A escola vem alegre, com a trajetória musical de Rita, sua força e coragem, enfrentando a censura de forma irreverente e libertadora. E a comissão não é diferente disso. Porém, com surpresas e uma estética original”, disse sem dar nenhum detalhe. “Ano passado, ganhamos o Estandarte de Ouro. Vamos para cima”, afirma, confiante. Mesmo sob pressão, Alan é categórico. “Não posso dar spoilers. Mas vai ser lindo, os fãs de Rita vão se emocionar. 


• ACOLHIDA MINEIRA
Alan nasceu em Três Marias, cresceu em Paraopeba e, conforme ele faz questão de afirmar, se desenvolveu como artista em Minas. “Todas as cidades mineiras, de certa forma, me acolheram.” Mas Belo Horizonte foi, segundo ele, fundamental como ponto de partida, impulsionando seu envolvimento com as artes. 

“Foi onde comecei a conhecer artistas que sempre admirei, como os Pederneiras (do Grupo Corpo), Suely Machado (do 1º Ato), a Companhia de Dança do Palácio das Artes, com a qual fiz trabalho recente como coreógrafo. Essas companhias, esses profissionais, de alguma forma me estimularam a continuar buscando esse meu desejo de criar”, afirma, lembrando que, ainda criança, no seu quarto imitava Charles Chaplin.


• DE JOINVILLE PARA A AVENIDA
De Belo Horizonte, Alan correu o mundo coreografando. Com a dedicação e o talento, vieram prêmios, como o de melhor coreógrafo no Festival de Dança de Joinville; a criação de espetáculos, como “Efeito cascata”, com a Companhia Jovem de Paraopeba, inspirada na tragédia de Brumadinho. 

Foi no Rio de Janeiro que Marcelo Misailidis, que ainda é curador do Festival de Dança de Joinville, viu o trabalho de Alan e levou o mineiro para o universo do carnaval. “A partir daí, entrei para essa coisa maluca e encantadora que é o carnaval do Rio de Janeiro.”


• FAMÍLIA CARNAVALESCA
“Realmente, é uma experiência muito forte, ancestral, democrática”, define, lembrando que o próprio Marquês de Sapucaí era mineiro, assim como Clara Nunes, musa musical da Portela, que também como ele viveu em Paraopeba.

“A comunidade de Padre Miguel me recebeu de braços abertos, assim como a direção da escola. Sou tratado por todo esse elenco, por toda essa comunidade como membro sanguíneo da família carnavalesca.” Alan não poupa elogios a Marcelo: “Veterano em atividade, passou por diversos carnavais, tem cinco Estandartes de Ouro, o cara conhece tudo de carnaval, esteve em sete escolas do Grupo Especial e aprendo muito com ele”. 

Alan afirma que quando é convidado por Marcelo se sente honrado em participar desse processo criativo. “Sem contar a mulher dele, professora e coreógrafa, que atua com a gente. Uma família linda. Estou acolhido por eles.”

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• GESTÃO PÚBLICA
Por 16 anos, Alan se dedicou à gestão pública, sendo secretário de cultura de Paraopeba e Sete Lagoas. “Entendia que esse caminho era importante, pensando no desenvolvimento de um coletivo artístico, de levar os bailarinos com quem trabalhei para o mercado”, cita, como exemplo de sua preocupação.

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