Aida, a personagem mais famosa de Verdi, quem diria, virou afro-brasileira. É nesse universo que ela ganha os palcos do teatro infantil na adaptação de Fernando Bustamante e Leandro Braga. “Aida – A rainha da bateria” terá única sessão no domingo (25/1), às 17h, no Palácio das Artes. Efigênia Maria protagoniza a ópera. “A narrativa original se passa no Egito, com o território africano e a mitologia egípcia muito presentes. A partir disso, escolhemos dialogar com a mitologia africana a partir da nossa própria realidade, trazendo essa simbologia para a cultura afro-brasileira, especialmente para a cosmologia iorubá. Com isso, além da dimensão espiritual, há também a dimensão musical muito forte”, conta Bustamante.




Quando Fernando Bustamante e Leandro Braga se debruçaram sobre a obra original, ficou claro que “Aida” não é ópera infantil. “Pelo contrário, é quase uma tragédia. O desafio, então, foi entender qual era o coração desta história para conseguirmos fazer uma transposição honesta e potente”, reconhece Fernando. “Nesse caminho, chegamos ao samba, às origens dele, seus desdobramentos e subgêneros, como o samba-enredo, o partido-alto, o ijexá e o samba-canção, entre outros. A história também precisou ser reformulada em linguagem mais contemporânea, acessível ao público infantil e familiar”, afirma.


• ANCESTRALIDADE

Em vez de centralizar a narrativa em um triângulo amoroso, Fernando e Leandro optaram por deslocar o foco para a ancestralidade e a responsabilidade com aqueles que vieram antes de nós e deixaram um legado. “Em nosso espetáculo, este legado é a Escola de Samba Canários da Terra. Aida carrega o desejo de ser rainha, mas se vê, de forma inesperada, diante da necessidade de se posicionar e assumir seu lugar perante o seu povo. É uma história muito contemporânea, que fala de pertencimento, responsabilidade e identidade, conseguindo dialogar tanto com as crianças quanto com os adultos”.

 


• “O GUARANI”

“Aida – A rainha da bateria” é a 29ª montagem da Cyntilante Produções e faz parte do projeto de adaptação de óperas para a cultura brasileira. “A primeira, em 2023, foi 'João e Maria', inspirada no cancioneiro sertanejo, no sertão brasileiro. Na sequência, veio 'A guitarra mágica', baseada na 'Flauta mágica', de Mozart, em versão rock. A próxima será 'O guarani', de Carlos Gomes, em versão tropicalista”, enumera Bustamante.

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• FILHOS

Pai de Mateus e Yasmin, Fernando Bustamante revela que a chegada dos filhos, em 2014, mudou bastante sua forma de percepção. “Os espetáculos que a gente tem montado acompanham o crescimento deles. Vamos entendendo que cada faixa etária tem uma percepção das coisas, o que acaba sendo termômetro na hora de construir um espetáculo. Faz muita diferença ter crianças no dia a dia, observar o universo do seu filho e o entorno dele”, afirma o diretor e produtor.

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