Sabemos que o buraco é mais em cima
Nenhum pensamento lógico resiste aos movimentos da SAF, sob qualquer aspecto que se deseje analisar
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Foi em boa hora a demissão de Jorge Sampaoli: às vésperas do carnaval, de modo a celebrar a bagunça completa, a confusão total, a zona acima de tudo, o capeta acima de todos. Salve, Jorge, melhor hora não há!
Certa vez aceitei convite para trabalhar no extinto e lamentável CQC, da Band. Antes que eu assinasse o contrato, decidiram me enviar ao México para uma reportagem com traficantes locais. Ninguém conhecia os criminosos, não havia um contato, uma fonte, pensei tratar-se de um trote. Mas não. Eu deveria me virar sozinho em uma semana, penetrar nos cartéis de droga e trazer a matéria. Bem, pedi demissão e fui pular Carnaval.
Ali pela Quarta-Feira de Cinzas, o caso foi parar na imprensa: “Novo repórter do CQC pede demissão para curtir o carnaval”. Embora a notícia fosse falsa, gostei dela. Tava ali a pessoa que eu queria ser, aquele que se demite com a intenção de jogar-se na mais selvagem das esbórnias. No caso do Sampaoli, tem a vantagem de ter sido demitido, ou seja, sai cheio da bufunfa. Não sei se este escriba sobreviveria a essa tempestade perfeita.
Em todo caso, o mínimo que se espera agora é Sampaoli na Sapucaí, no Galo da Madrugada, em blocos do Rio de Janeiro, tudo ao mesmo tempo, e ainda flagrado na sarjeta, na manhã da quarta-feira, com a careca a reluzir o glíter que nunca mais o abandonará.
O carnaval, quando bem pulado, compõe-se de sessões ininterruptas de descarrego. Sampaoli, que sorte, ficará livre dos encostos que bem sabemos. O atleticano, coitado, permanecerá na sofrência. E nem sequer haverá o interregno de quatro dias – hoje mesmo tem Galo, a antecipar a ressaca.
Sem fantasia, pessoal, a não ser a do palhaço: não há qualquer possibilidade de o Atlético ser treinado por um técnico de ponta. Ninguém que seja minimamente sério faz planos verdadeiros para trabalhar em um clube que demite técnico a cada seis meses. E esse nem é o pior aspecto.
Veja o caso de Sampaoli. Foi contratado porque a torcida, que pressionou por sua vinda, via nele o profissional perfeito para remontar o elenco. Em 2020, fora ele o treinador a construir a base para o timaço de 21. Pois bem. Sampaoli chegou em setembro. Bem ou mal, fez o que pôde em 25. Agora, em 26, deveria mostrar a que veio na remontagem do time. Fez uma lista de reforços, mas o Galo se recusou a atendê-lo. No lugar dos indicados por ele, chegaram os indicados por Bracks. Evidentemente que não poderia dar certo, como não deu.
A pergunta óbvia: por que então o contratamos?
Porque o Galo é uma zona, ora. Nenhum pensamento lógico resiste aos movimentos da SAF, sob qualquer aspecto que se deseje analisar. Pode escolher: gestão de dívidas, gestão de receitas, gestão de pessoas, gestão de patrimônio, gestão do futebol, gestão da Arena – em tudo se verifica o Toque de Merdas, aquele que, no lugar do ouro produzido pelo Toque de Midas, termina por resultar naquilo que o Cássio faz quando quer e a hora que quer.
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Apenas a título de exemplo do que é a gestão de qualquer coisa no Galo, veja a notícia de ontem: “Atlético-MG vai recorrer de decisão em ação contra o Galo da Madrugada”. Sim, senhores, a vergonha em primeira instância não foi o suficiente. Exigimos passá-la nos tribunais superiores!
Meu Deus, esse pessoal não tem um único amigo sincero? Podemos supor que o bilionário acaba sequestrado por hordas de puxa-sacos, mas não há, digamos, uma mãe? Uma tia, um tio? Um amigo de adolescência, doidão? Todo mundo tem um. Uma senhora sensata, acima das suspeitas, capaz de dizer “vem cá, meu filho, deixa eu te falar uma coisa”? Ninguém? Que existência mais triste.
Por ocasião da saída de Sampaoli, circulam listas com os últimos técnicos do Galo. Foram seis desde 2023. Minha sugestão é que se adote a lista circular. No caso, voltaríamos ao Turco Mohamed. Outra opção seria a lista randômica, em que os nomes voltariam de forma aleatória.
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Pouca importa quem. Sabemos que o buraco é mais em cima. Vai meu bloco, tristeza e pé no chão.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
