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Metas de Ano Novo: por que cuidar do dinheiro é importante?

Planejamento financeiro não muda a vida em um mês, assim como exercício não muda o corpo em uma semana. Mas quando o resultado aparece, o esforço vale a pena

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Por Alexia Diniz

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Hoje é dia 02 de janeiro de 2026. Aquele dia curioso em que o ano já começou, mas ainda está meio em branco. Ontem foi festa, hoje já é vida real. E eu fiz exatamente o que muita gente faz nessa fase meio simbólica.

Abri o guarda-roupa, fiz a limpa, separei roupa para doar e fiquei olhando para peças que não fazem mais sentido, mas que eu insistia em manter ali. Algumas porque um dia serviram. Outras porque talvez voltem a servir. Spoiler: não vão.

Depois disso, abri meu novo planner. Página em branco, caneta nova, aquela sensação perigosa de que agora tudo vai dar certo. E foi aí que a ficha caiu.

Entre roupas velhas, metas novas e a realidade

Enquanto eu anotava metas para o ano, percebi que duas áreas sempre aparecem na lista, independentemente do ano, da idade ou da fase da vida. Academia e dinheiro.

Quero cuidar melhor do meu corpo. Quero organizar melhor minhas finanças. Quero manter constância, criar hábitos, não desistir no meio do caminho. E, de repente, ficou óbvio. Esses dois desafios são praticamente irmãos gêmeos.

Metas só funcionam quando são claras e mensuráveis

Não basta querer “melhorar o corpo” ou “poupar dinheiro” como se fosse um desejo mágico. Pesquisa mostra que indivíduos com metas financeiras bem estruturadas, que seguem o modelo SMART (específicas, mensuráveis, alcançáveis, relevantes e com prazo), tendem a planejar melhor o orçamento e a manter hábitos de poupança e investimento de forma mais disciplinada ao longo do tempo.

Isso é quase igual a dizer que, na academia, não adianta entrar sem saber exatamente qual treino você vai fazer, quantas séries, quantas repetições e com que frequência. Sem esses parâmetros, a chance de desistir cedo ou de não progredir é alta.

Na prática, organizar metas financeiras começa por algo simples: saber para onde o dinheiro vai. Um jeito direto de fazer isso é usar o método BOLE, que divide seus gastos em quatro grupos:

  • Básico: aluguel, água, luz, comida, transporte

  • Operacional: trabalho, estudo, internet, celular

  • Lazer: sair, streaming, viagens, pequenos prazeres

  • Extra: imprevistos, dívidas, objetivos futuros

Quando você separa assim, o dinheiro para de ser um bloco confuso e vira decisão. Fica claro onde dá para ajustar, onde não dá para mexer e onde o exagero está escondido.

Rotina vence motivação

Não adianta montar um plano lindo e nunca mais olhar para ele. O básico que funciona é simples: revisar o orçamento uma vez por mês, ajustar o BOLE conforme a vida muda e acompanhar se você está conseguindo guardar algo, mesmo que pouco.

É igual treino. Não precisa ser perfeito. Precisa ser frequente.

Metas financeiras exigem tempo

Metas financeiras não são impulso, são processo. Guardar todo mês, mesmo valores pequenos, cria consistência. E consistência, no dinheiro e no corpo, sempre ganha da empolgação de janeiro.

Sem milagre. Sem promessa vazia. Só método, rotina e ajuste contínuo.

Orçamento e rotina: a base de tudo

Uma das primeiras ações que especialistas recomendam quando se fala em metas financeiras é criar ou revisar seu orçamento familiar. Listar receitas e despesas, identificar onde cortar gastos, definir quanto guardar e planejar objetivos concretos (como uma reserva de emergência ou quitar dívidas).

Funciona como ajustar sua rotina de treinos: se você sabe que pode treinar segunda, quarta e sexta às 18h, sua chance de ir de fato é maior do que se você disser apenas “vou treinar mais”.

Reveja seu planejamento

Só planejar não basta. O ideal é agendar revisões mensais ou trimestrais do seu progresso financeiro para avaliar o que está funcionando, o que precisa ser ajustado e até para comemorar pequenas conquistas, exatamente como se faz quando acompanha evolução de peso, medidas ou cargas na academia.

Essa prática de “check-in” regular não é frescura. Ela ajuda você a adaptar a estratégia quando o contexto muda e a manter o foco quando a motivação diminui.

Metas financeiras 

Diferente de uma compra impulsiva ou de um desejo momentâneo, metas financeiras são coisas que se realizam ao longo de meses ou anos, exigindo disciplina, esforço contínuo e capacidade de adaptação, assim como ganhar massa muscular ou melhorar condicionamento físico.

Essa perspectiva tira a frustração de quem espera resultados imediatos. Nada acontece do dia para a noite. Por isso, guardar um pouco todo mês, mesmo quando os números não parecem grandes, cria uma trajetória sustentável, assim como treinar regularmente, não só uma vez por semana, constrói condicionamento.

Como comecei meu planejamento financeiro em 2026

No meu planner, dividi metas em etapas concretas:

  • Revisar o orçamento de dezembro para entender quanto entrou e quanto gastei;

  • Definir quanto posso destinar por mês a uma reserva de emergência;

  • Estabelecer um valor fixo que quero poupar até junho;

  • Criar datas no calendário para revisões (toda primeira segunda-feira do mês);

  • Separar categorias de despesas para controle mais claro.

Essa organização me dá mais do que números no papel. Ela mostra que aquilo que eu anotei no início do ano não é uma lista de desejos, mas um plano com passos mensuráveis.

Ajustando as metas a realidade

Uma armadilha clássica é escrever metas que não cabem no seu orçamento ou rotina. Por isso, tanto no treino físico quanto no financeiro, o segredo é começar com metas realistas, que você pode manter. Não adianta prometer economizar 50% do salário e ir à academia sete dias por semana se sua vida não permite isso.

O que funciona de verdade é começar menor e ajustar à medida que os resultados vão aparecendo.

A motivação que vem do progresso

Como acontece quando seu corpo responde ao treino, ver progresso financeiro gera um efeito cascata positivo. Um simples aumento na reserva guardada, ou ver que você cortou gastos supérfluos e reduziu uma dívida, cria um sentimento de conquista real, e isso reforça o comportamento.

Esse tipo de resultado é mais poderoso do que qualquer frase motivacional de início de ano.

Conclusão: metas de vida são hábitos construídos

No fim das contas, abrir o planner e decidir que vou cuidar melhor do corpo e do dinheiro foi mais do que um ritual simbólico. Foi entender que transformar intenção em resultado exige método, revisão e constância.

Assim como um programa de treino não é um evento, planejamento financeiro também não é um ato isolado. Ambos são processos que, quando bem pensados, estruturados e revisitados ao longo do ano, trazem resultados concretos que podem mudar mais do que seu corpo ou saldo bancário, eles mudam a forma como você vive.

E isso, no fundo, é o propósito de qualquer meta de Ano Novo: não virar pó depois do Carnaval.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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