Que o futebol se transformou em um grande negócio há bastante tempo todo mundo sabe. Mas a proposta do presidente da Fifa, Gianni Infantino, de criar uma empresa, aberta a investidores, para explorar os direitos comerciais da Copa do Mundo de Seleções e da Copa do Mundo de Clubes leva o conceito a outro patamar.
Segundo os jornais ingleses “The Times” e “Financial Times”, a entidade máxima do esporte mais popular do mundo planeja criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), que valeria inicialmente US$ 20 bilhões (R$ 102,3 bilhões). Do total, 20% – ou US$ 4 bilhões (R$ 20,5 bilhões – seriam ofertados no mercado, com entes privados sendo acionistas minoritários.
A Fifa seguiria como responsável por negociar os direitos comerciais de seus principais torneios. Porém, ao invés de arrecadar uma bolada a cada quatro anos com direitos de transmissão, patrocínios, hospitalidade, licenciamento e marketing, transformaria isso em uma fonte de renda permanente.
Em troca, promete aumentar a quantia distribuída para as federações a ela filiadas. Dos atuais R$ 41 milhões por ciclo, o valor pularia para R$ 102 milhões até a Copa de 2030, R$ 112,5 milhões até 2034 e 123 milhões até 2038.
A justificativa da entidade é que a injeção de dinheiro privado seria decisiva para “alcançar todo o potencial dos direitos de transmissão e dos patrocínios da Fifa em todo o seu portfólio de competições de futebol masculino, feminino e de base”.
Mas, na prática, a iniciativa pode desandar para que os interesses comerciais falem mais alto que os esportivos. E é aí que começa a resistência, inicialmente por parte da União Europeia de Futebol Associado (Uefa), que logo se pronunciou contrariamente, depois do sindicato internacional dos atletas, o Fifpro.
Ambos temem que os investidores, em busca de retorno rápido, optem por aumentar o número de jogos e até a frequência das disputas. Infantino já tornou público o desejo de aumentar o número de participantes da Copa do Mundo de Seleções de 48 para 64 – até 2022, foram 32 os postulantes ao título mundial. Já a diminuição do intervalo entre as disputas de quatro para dois anos vai estrangular ainda mais um calendário que já é bem apertado.
Claro que, no caso da Uefa, há também um componente político, pois não interessa a ela que a Fifa tenha mais poder. E ainda menos que Infantino consiga se consolidar como o manda-chuva do futebol mundial, mesmo sem estar na presidência da entidade máxima da modalidade.
Vamos aguardar o desenrolar dos acontecimentos até março de 2027, quando será realizado o próximo congresso da Fifa. Mas acredito que será impossível segurar a mudança em curso.
STJD
O Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) determinou que o zagueiro Victor Gabriel, do Internacional, fique sem jogar até que o atacante Gabriel Pec, do Cruzeiro, volte a ter condições de exercer a profissão. Entrada do primeiro causou fratura na tíbia esquerda do segundo, durante partida disputada em 22/7, em Porto Alegre, pelo Campeonato Brasileiro.
Inicialmente, tendo a concordar com a medida, que poderá fazer com que os atletas tenham um pouco mais de prudência nas disputas. Mas, por outro lado, temo que isso se torne norma mesmo em casos em que acidentalmente um dos envolvidos se machuque. A ver.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
