Até agora, ICE só no copo
Imaginei que muitos não-estadunidenses evitariam usar camisas de seleções para não revelar suas nacionalidades, mesmo os em situação legal. Me enganei
Mais lidas
compartilhe
SIGA NO
San Antonio (EUA) – Quando cheguei aos EUA, há um mês, uma das minhas preocupações era sobre como os estrangeiros – imigrantes ou visitantes – seriam tratados durante a Copa do Mundo. Sob governo de Donald Trump, o temido ICE (Immigration and Customs Enforcement ou Serviço de Imigração e Alfândega), tem aterrorizado famílias com prisões, separações de membros, mesmo crianças, e deportações.
Imaginei que muitos não-estadunidenses evitariam usar camisas de suas seleções para não revelar suas nacionalidades e atrair atenção das autoridades, mesmo os em situação legal. Me enganei. A começar pelos mexicanos, cuja presença se fez notar por todos os lugares por onde passei neste Mundial, como Dallas e Houston, ou mesmo em San Antonio, também no Texas, que não recebeu nenhum jogo da disputa, mas abriga grande comunidade do país latino.
Mas os vizinhos do Sul não foram os únicos a desfilar suas camisas e adereços por aqui. Colombianos também marcam presença de forma incisiva em estádios, nos Fan Festivals e em bares que transmitem as partidas. Em menor número, vi gente com uniformes de El Salvador, Honduras, Panamá, Venezuela, Peru e Chile.
Com os que tive oportunidade de conversar, o discurso foi o mesmo: não há medo de agentes do ICE simplesmente porque estão legalmente no país do Tio Sam. Ou seja, se sentem protegidos, mesmo sabendo que muitas vezes a legislação não é respeitada.
Mas isso não significa que a situação está tranquila. Combinei de acompanhar uma partida do México com uma família do país que trabalha na construção civil no Texas. Na véspera, porém, o encontro foi cancelado porque um dos integrantes havia sido preso pelo ICE por estar em situação ilegal.
Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia
Há certa tensão no ar no que se refere à imigração e esta semana mesmo está sendo investigada a morte de um homem sem documentos pelos agentes da imigração em Houston. Mas a situação está mais tranquila do que eu esperava quando vim para cá. Que continue assim.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
