Paulo Galvão
Paulo Galvão
Jornalista formado pela PUC Minas
Dentro da Copa

Fifa tenta explicar os lugares vazios

A partir desta Copa do Mundo, foi adotado o preço dinâmico dos ingressos. Com isso, quanto maior a procura, maior o valor cobrado

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San Antonio (EUA) - A Fifa comemora ter superado durante a semana a marca de 5 milhões de pessoas nos jogos desta Copa do Mundo, realmente um feito. Mas estranhei ver, pela TV, muitos espaços vazios no estádio de Santa Clara, cidade da região de San Francisco, na Califórnia, durante a vitória dos EUA sobre a Bósnia. Justamente em um jogo dos anfitriões, dos “donos” do Mundial, que contam com 11 das 16 sedes.

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A entidade máxima do futebol mundial contabilizou 68.827 torcedores, ou seja, capacidade máxima preenchida na referida partida, ou sold out, como dizem por aqui. Mas, pelas inúmeras cadeiras desocupadas bem em frente à posição de transmissão da imprensa, o número não bate.


Uma das explicações é que os melhores lugares, como os citados, são reservados para patrocinadores e parceiros da Fifa, ou vendidos em pacotes corporativos. Nem sempre os convidados aparecem, acredita?


Já ao periódico estadunidense “The Athletic”, a entidade explicou que contabiliza as pessoas que tiveram o ingresso escaneado nos perímetros dos estádios. Ou seja, elas não precisam estar dentro deles durante o jogo para que sua presença seja registrada. Ainda segundo a Fifa, é comum na América do Norte que as pessoas aproveitem áreas de alimentação, bares, lojas, camarotes e espaços de hospitalidade mesmo que a bola esteja rolando. Sei.


Só para lembrar, a partir desta Copa do Mundo, foi adotado o preço dinâmico dos ingressos. Com isso, quanto maior a procura, maior o valor cobrado, o que, certamente, afasta parte dos torcedores, ainda que os jogos que cobri estivessem com lotação completa ou próxima disso.


Além da questão das cadeiras vazias, o comportamento dos torcedores também tem me incomodado. Ainda não cobri nenhum jogo – e acho que não cobrirei – neste mundial em que uma torcida fizesse festa digna do tamanho da disputa. A do Japão se esforçou, é verdade, mas foi minoria tanto contra a Holanda, em Dallas, quanto diante do Brasil, em Houston. O normal é que só uma pequena parte do estádio grite, enquanto os demais se comportam como em um teatro.


Talvez os argentinos sejam os únicos a se destacar neste quesito. A cultura deles é diferente e mesmo os que têm dinheiro para vir a uma Copa do Mundo não tem o pecho frio ou, em tradução livre, não são almofadinhas pouco acostumados aos estádios.

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E é justamente assim que vejo a torcida brasileira. O tal Movimento Verde e Amarelo até tenta dar um gás, mas é difícil ver meus compatriotas realmente animados nas arquibancadas, talvez porque não tenham essa cultura. Ou estejam pensando em registrar o momento para as redes sociais.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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