Depois da ruptura política com o governador Mateus Simões (PSD), o ex-secretário de estado de Governo e candidato ao Senado, Marcelo Aro (PP) sofreu nesta terça-feira um revés: não terá mais o apoio explícito do senador Cleitinho (Republicanos) em sua campanha eleitoral. Não se trata de ruptura, pois nunca houve uma aliança formal entre a Federação União Progressista e o Republicanos, segundo explicou Luís Eduardo Falcão (Republicanos), candidato a vice-governador na chapa de Cleitinho e novo coordenador da campanha. Trata-se, contudo, de uma distância regulamentar em relação a Aro, que a campanha de Cleitinho parece indicar, evitando não apenas questionamentos jurídicos, mas o potencial desagregador junto a familiares e aliados do senador, que não concordam com o que chamam de “carona” de Aro na popularidade de Cleitinho.
Na condição de coordenador da campanha, Falcão declarou de forma diplomática: “Nós estamos em uma coligação entre os partidos Republicanos e Podemos. Esses partidos não têm candidato a senador. Temos uma boa relação com todos os candidatos ao Senado. E por uma questão jurídica, para que nossa campanha não tenha problemas e brigas, fizemos a opção de manter boa relação com todos os candidatos ao Senado, mas focados em nosso desafio que é a Minas Gerais do futuro”, disse Falcão, afirmando que a campanha de Cleitinho mantém bom relacionamento não só com Marcelo Aro, mas também com as candidaturas ao Senado de Marília Campos (PT), de Domingos Sávio (PL) e de Carlos Viana (PSD).
Um conjunto de fatores explica a decisão. No âmbito político, familiares e aliados próximos ao senador responsabilizam Aro pelas dificuldades, na semana que antecedeu a data limite do registro das candidaturas, enfrentadas por Cleitinho em seu partido para viabilizar o seu nome. Aro tentou articular a própria candidatura ao governo de Minas junto ao Republicanos, ao PL e à Federação União Progressista, sob o argumento de que Cleitinho não seria candidato e o apoiaria.
Com a movimentação, Aro tentou atropelar Flávio Roscoe (PL), nome considerado pelo PL na hipótese de Cleitinho não concorrer. E o próprio Mateus Simões (PSD), que o chamou de “traidor”, por articular uma candidatura que o enfrentaria, após participar do governo em cargos de primeiro escalão em todo o segundo mandato de Romeu Zema (Novo). Aro rebateu e também acusou Mateus de traição, afirmando ser ele um dos responsáveis pela filiação de seu adversário, Carlos Viana ao PSD, pivô da ruptura.
Quando o PL lançou Roscoe, e a Federação União PP se coligou a Mateus Simões, Aro viu a sua articulação pela candidatura ao governo de Minas naufragar. Retomou o projeto original de concorrer ao Senado. Para garantir o apoio de Cleitinho à sua candidatura, intermediou junto a Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, a concessão da legenda a Cleitinho, depois de ter trabalhado contra a candidatura dele.
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Para além das questões políticas, a campanha de Cleitinho quer se afastar de situações que rondam um próximo aliado de Marcelo Aro (PP), Rubem Soalheiro, diretor da Cemig SIM, demitido em 13 de agosto, após representação do deputado federal Rogério Correia (PT) junto à Procuradoria Geral da República, a partir de denúncias veiculadas pela imprensa mineira.
Duas auditorias em curso na Cemig SIM – uma interna e outra externa – com previsão de encerramento nas próximas semanas, apuram as circunstâncias da contratação da Green Investimentos, de geração de energia fotovoltáica, na qual era presidente Felipe Cançado Vorcaro, primo e operador de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
A empresa é citada em investigações da Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Compliance Zero. Durante o debate da Band Minas, Cleitinho foi cobrado pelo candidato Gabriel Azevedo (MDB) pelo eventual apoio a Aro: “Vocês estão vendo o que está acontecendo na Cemig SIM? Dá uma busca na internet. Aliás, tem um político mineiro cujo sobrenome rima com Vorcaro”. Falcão tratou de deixar claro, nesta terça-feira, que Cleitinho nada tem a ver com qualquer eventual situação na Cemig SIM, neste momento sob auditoria: “Estão sendo levantadas situações que teriam ocorrido no atual governo (Romeu Zema/Mateus Simões), quem tem de responder por isso é o atual governador. Nossa campanha não tem nada a ver com isso, Cleitinho não tem nenhum processo”, afirmou.
Cassação
O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) manteve em segunda instância, nesta terça-feira,18, a cassação da prefeita de Francisco Sá (Norte), Alini Bicalho (PT). A sentença foi tomada na esteira de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que aplicou, no caso, a interpretação da súmula vinculante da Corte que diz que a separação de um casal durante o mandato de um dos componentes do relacionamento não afasta a inelegibilidade do cônjuge.
Amante
Alini foi esposa de Mario Osvaldo (Avante), prefeito de Francisco Sá entre 2017 e 2024. Em 2022, houve o ajuizamento de pedido de divórcio, assinado em 2023. No mesmo ano, Osvaldo assumiu relacionamento com Késsia Ribeiro, secretária de Educação do município. Também filiada ao Avante, ela enfrentou Alini nas urnas no ano retrasado. A petista levou a melhor nas urnas.
Afastamento
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) ratificou, por unanimidade, o afastamento cautelar do juiz Milton Lívio Lemos Salles, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). O magistrado foi flagrado bebendo vinho e fumando durante uma sessão virtual de julgamento. A decisão confirmou a determinação do corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, que havia afastado Salles das funções após o episódio. O juiz fica impedido de exercer atividades no tribunal enquanto durar a medida cautelar.
Vinho
O caso ocorreu no dia 10 de agosto, durante uma sessão realizada por videoconferência. Salles apareceu diante da câmera bebendo diretamente de uma garrafa de vinho e, em seguida, acendendo um cigarro com um maçarico. A sessão foi interrompida depois que os participantes perceberam o comportamento do magistrado. Até aquele momento, 12 processos haviam sido julgados e ainda restavam três.
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