Ao divulgar o vídeo, nesta segunda-feira, 3, no qual o senador Cleitinho (Republicanos) declara que não mais concorreria ao governo de Minas, a direção do Republicanos baixou a guilhotina sobre a candidatura de seu partido ao governo de Minas. Não foi um gesto trivial. Principalmente porque logo após gravar, Cleitinho havia pedido a Marcos Pereira que não o publicasse imediatamente. Mas ali há o presidente de uma legenda que já havia anunciado, em 29 de julho, que Cleitinho não teria a legenda para concorrer ao governo de Minas. No dia anterior, as direções nacional e estadual do Republicanos haviam firmado, em reunião com as cúpulas partidárias do PL e da Federação União Progressista, acordo em torno da candidatura de Marcelo Aro (PP) ao governo de Minas. Aro alinhavou a costura, prospectando que Cleitinho não concorreria e o apoiaria.
Em repulsa à decisão partidária, Cleitinho convocou apoiadores à praça pública, para anunciar, em Divinópolis, naquele mesmo 29, que seria candidato ao governo. Um movimento nas redes sociais, além da pressão de parlamentares do Republicanos – que veem prejuízo ao desempenho da legenda – levou a direção do Republicanos a sinalizar que poderia rever o seu posicionamento. A condição: Cleitinho deveria aceitar a substituição do vice da chapa, Luís Eduardo Falcão. Um dos prováveis nomes para a vaga era o de Marcelo Aro. Mas a posição de vice na chapa foi, desde sempre, inegociável para Cleitinho. Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), se desincompatibilizou do cargo para apoiar o projeto. Cleitinho rechaçou todas as tentativas de negociação em torno dessa vaga, inclusive em encontro com Flávio Bolsonaro (PL), em Patos, em 3 de junho.
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Quando voou para Brasília, nesta segunda-feira, 3, para se encontrar com Marcos Pereira, Cleitinho estava decidido a defender a sua candidatura ao governo e a posição de Falcão. Ele chegou acompanhado de Euclydes Pettersen, presidente estadual do Republicanos, de Falcão e da deputada estadual Lud Falcão (Republicanos). Surpreendeu-se ao encontrar Marcelo Aro, já reunido com Marcos Pereira. Aro foi levado ao encontro pelo deputado estadual Carlos Henrique (Republicanos). Durante a conversa, Antonio Rueda, presidente nacional do União, telefonou para insistir que a posição de vice na chapa de Cleitinho deveria ser entregue à Federação União PP. O senador não aceitou. Em seu estilo impulsivo, com o agravante do inegável momento de fragilidade emocional, gravou o vídeo que, em prantos, anuncia que o momento que ele e a família vivem lhe impedia de enfrentar uma campanha.
Marcos Pereira poderia ter preservado o senador. Preferiu decretar a sentença de morte da candidatura.
Em viagem de carro noturna, a família de Cleitinho deixou Divinópolis em direção a Brasília para lhe dar apoio. Gleidson Azevedo, irmão gêmeo, acompanhou ao lado dele, nesta terça-feira, 4, a convenção nacional do Republicanos. Nela, Cleitinho pediu a palavra, reconheceu que vive um momento difícil, mas que, com o apoio da família, quer ser candidato ao governo de Minas. Pediu a Marcos Pereira que reconsidere. O presidente nacional avisou que o caso é “página virada”. Não há sinais de que o Republicanos vá recuar, até porque, já está fechado, em Minas, com Marcelo Aro. A candidatura de Cleitinho foi decapitada, exposta em praça pública, onde o corpo, segue em espasmos.
Para fechar o seu projeto político em Minas Gerais, Marcelo Aro ainda não conseguiu arrematar o PL. Em que pese a direção estadual o apoie, há resistência nas bases do bolsonarismo autêntico, representada no deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL), que defende o nome a candidatura própria do ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli. O deputado federal Cabo Junio Amaral (PL) também rechaça a aliança. Há entre liberais de Minas também um forte movimento de apoio à candidatura de Flávio Roscoe (PL), presidente licenciado da Fiemg. Medioli e Roscoe eram em princípio os nomes do PL para a sucessão estadual, na eventualidade de que Cleitinho não concorresse. A decisão do PL será tomada em Brasília, que já lida com a neutralidade da Federação União Progressista e do Republicanos na sucessão presidencial.
A sucessão de Minas segue empilhando corpos. Brasília baixou a guilhotina, mas os espasmos da política mineira sugerem que nenhum cadáver se deixa enterrar antes do apito final.
Fênix tucana
Embora bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto, o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, decidiu não concorrer ao Senado. Depois de 40 anos de mandatos consecutivos, será a primeira vez em que não terá representação eletiva. Com a decisão, o tucano acena para o seu projeto político que mira 2030, quando projeta o Brasil no pós-lulismo e no pós-bolsonarismo. Aécio tenta reconstruir o PSDB nacional, tornando-o referência para um projeto político de centro. Quando ele assumiu a presidência nacional da legenda, a bancada federal da legenda, que já presidiu o país por oito anos e integrou o projeto do Plano Real, iniciado com Itamar Franco, chegou a ter apenas 13 deputados. Tem agora 20. “Vamos eleger 30”, estima Aécio Neves, considerando que com esse número de parlamentares, o PSDB volta ao jogo, num Congresso polarizado.
Decálogo
Aécio afirmou a esta coluna que não disputará as eleições de 4 de outubro para se dedicar à reconstrução de seu partido. “Não estou deixando a política, não descarto disputar no futuro. Neste momento, a tarefa é colocar o PSDB no centro da política nacional, como opção do centro político: não nos curvamos nem ao Lula nem ao Bolsonaro”, disse. Ainda neste mês de agosto, o PSDB irá lançar, com apoio de intelectuais e pensadores, o “Decálogo do Brasil Real”: dez medidas na área econômica, que os tucanos consideram essenciais. “Será a nossa contribuição para o debate político”, explicou.
PSB
O PSB tem até esta quarta-feira, 5, ao meio-dia para decidir o seu destino político na sucessão mineira. Segundo Jarbas Soares (PSB), o partido tem, diante de si, seis alternativas – entre posições de vice e ao Senado – e convites de quatro partidos. Embora Jarbas Soares não dê indicações, em decorrência da aliança nacional, o PT é o caminho mais provável do PSB em Minas.
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Direito Constitucional
Entre 12 e 14 de agosto, Belo Horizonte irá sediar o I Encontro Mineiro de Direito Constitucional, iniciativa inédita que reúne quatro das principais faculdades de Direito do estado — UFMG, PUC Minas, Dom Helder e FUMEC. A coordenação geral do evento é de Onofre Alves Batista Jr., professor da Faculdade de Direito da UFMG e livre docente em Direito Constitucional pela USP, com doutorado pela UFMG e pós-doutorado por Coimbra. Onofre foi advogado-geral do estado de Minas Gerais (2015-2018) e hoje integra comissões do Conselho Federal da OAB ligadas a federalismo e autonomia universitária. Também coordena o encontro o advogado e pesquisador Thomas Law, presidente da Coordenação Nacional das Relações Brasil/China da OAB Federal e o Ibrachina.
