Embora PL e Republicanos em Minas ainda não tenham definido a chapa majoritária que concorrerá à sucessão mineira, o acordo entre as legendas está selado no âmbito estadual e, possivelmente, também nacional. Ainda sem definição do senador Cleitinho (Republicanos), que tem a indicação dos dois partidos para concorrer ao governo de Minas, há alguns cenários que se desdobram também no plano nacional. Lançado recentemente pelo deputado federal Euclydes Pettersen – que é presidente estadual do Republicanos –, como ensaio para potencial candidatura à Presidência da República, Cleitinho é nome que vem igualmente sendo testado nas pesquisas internas do PL nacional como possibilidade de composição na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O senador mineiro tem um perfil de atuação política que interage com o eleitor popular que está na base do lulismo, assim como também conversa, sobretudo, com o eleitor bolsonarista. É nome bem-aceito na cúpula bolsonarista, com grande respaldo entre parlamentares da base que se intitulam “autênticos” em Minas Gerais.

A hipótese da construção nacional da chapa Flávio Bolsonaro-Cleitinho teria efeitos sobre o cenário da sucessão mineira. Líder nas pesquisas de intenção de voto, Cleitinho é o nome escalado para encabeçar a chapa do Republicanos e do PL ao Palácio Tiradentes, tendo, por vice, o ex-prefeito de Betim Vittorio Medioli (PL). Além de trânsito na cúpula partidária, Medioli é o nome da preferência dos deputados estaduais do PL Cristiano Caporezzo, Sargento Rodrigues, Bruno Engler e Eduardo Azevedo, que haviam lançado a frente de sustentação à pré-candidatura de Cleitinho. Se Cleitinho ficar fora da disputa no estado, o PL mineiro estaria diante de outro cenário, em que Flávio Roscoe (PL), presidente licenciado da Fiemg, passaria a ser a candidatura preferida pela legenda, tanto no âmbito estadual quanto nacional. Com Flávio Roscoe na cabeça, o vice mais provável seria Luís Eduardo Falcão (Republicanos), ex-prefeito de Patos de Minas. Ele se desincompatibilizou da prefeitura e se filiou à legenda, dentro da construção de um projeto político no estado.

Com ou sem Cleitinho encabeçando a chapa Republicanos-PL na sucessão estadual, os dois partidos trabalham para trazer a federação União Progressista, oferecendo a Marcelo Aro (PP), ex-secretário de Estado de Governo, a segunda vaga ao Senado. A indicação da primeira vaga, já anunciada, é do deputado federal Domingos Sávio (PL), ex-presidente estadual em Minas. Marcelo Aro, em princípio, trabalhou para levar a federação União Progressista a uma coligação com Mateus Simões. Mas, com a filiação ao PSD do senador Carlos Viana, candidato à reeleição, Marcelo Aro vislumbrou uma chapa pouco interessante para a sua candidatura ao Senado. Após a divulgação dos áudios de Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, a federação União Progressista, que estava prestes a firmar coligação formal com o PL no plano nacional, recuou. No momento a tendência é de neutralidade, o que deixa os estados livres para montarem as próprias composições.

Ao desembarcar para agenda em Minas Gerais, nesta primeira semana de junho, a campanha de Flávio Bolsonaro tem em mente, sobretudo, alinhamentos internos. A começar com a reunião agendada para o Sesc Palladium, em 2 de junho, com os 77 candidatos a deputado estadual e 53 candidatos a deputado federal, que poderão levar acompanhantes em número ainda a ser definido, considerando a lotação do espaço. Um dos objetivos é sinalizar claramente que Flávio Bolsonaro será o candidato do PL à Presidência da República. Não há nenhuma alternativa no campo bolsonarista: nem Michelle Bolsonaro nem qualquer outra construção. O partido acredita que, com a clara orientação aos candidatos a deputado estadual e federal, a máquina da militância será instruída a sair a campo para defender o nome do senador e a sua versão para os áudios enviados a Vorcaro. Já na visita a Patos de Minas, onde estará na Fenamilho 2026, Flávio Bolsonaro terá encontro com Luís Eduardo Falcão, e há expectativa de que Cleitinho consiga ajustar a sua agenda familiar, que já previa uma viagem, para também estar com Flávio Bolsonaro na cidade do Alto Paranaíba.

Gestão ambiental

Painel elaborado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) indica que gestão ambiental dos municípios mineiros ganhou espaço nos orçamentos, mas o patamar municipal mantém-se abaixo da média de países desenvolvidos. Entre 2014 e 2019, os 853 municípios mineiros destinaram apenas 0,96% de seus orçamentos públicos para a gestão ambiental, o que representou, em moeda corrente, o investimento de R$ 3,21 bilhões. Nesse período, cada administração municipal manteve uma média constante de gastos, que orbitava a faixa dos R$ 500 milhões ao ano. Cerca de R$ 1,6 bilhão dos investimentos realizados por municípios no período foi destinado para ações de preservação e conservação ambiental, 21,02% para serviços urbanos, 16,57% para administração geral e 8,13% em controle ambiental.


Novo patamar

Enquanto em 2019 e 2020, os municípios mineiros apresentaram uma tendência de alta nos investimentos para a gestão ambiental, a partir de 2021, os empenhos registraram uma escalada: alcançaram o ápice de R$ 1,65 bilhão em 2025, um salto de 175% em relação à média anual verificada no período compreendido entre 2014 e 2019. Os dados do primeiro quadrimestre de 2026 mostram que o volume financeiro acumulado em poucos meses se equipara ao orçamento de anos inteiros do passado, sinalizando que a pauta ambiental permanece nos patamares registrados recentemente.


Referências globais

Mesmo com o crescimento do investimento em gestão ambiental registrado pelos municípios mineiros, o montante segue bem inferior ao das cidades que estão na vanguarda da sustentabilidade, como Vancouver (Canadá) e Copenhague (Dinamarca), que investem até 8% de seu orçamento anual em resiliência climática, superando a média municipal de países desenvolvidos, que oscila entre 2% e 4%. No Brasil, dados do IBGE indicam que as cidades investem menos de 1% de suas receitas na gestão ambiental. E para além do montante, é preciso também considerar a qualidade do gasto.

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Isenção a igrejas

A Câmara dos Deputados aprovou em dois turnos nessa quinta-feira a PEC 5/2023, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ) e relatoria de Dr. Fernando Máximo (PL-RO), que amplia a imunidade tributária para a aquisição de bens e serviços por igrejas e demais templos religiosos. A matéria recebeu orientação favorável do PL e do bloco União-PSD-MDB-PP-PSDB-Podemos-Republicanos, e contrária da federação PT-PCdoB-PV e da federação Psol-Rede, com liberação das demais bancadas. No primeiro turno, a PEC recebeu 385 votos favoráveis e 93 contrários. No segundo, foram 368 a 96.O texto segue ao Senado.

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